Servir a Deus viajando é possível? Vou compartilhar essa viagem que começou a bordo de um navio, e espero inspirar vocês a também servirem a Deus por meio do voluntariado, fazendo o que mais gostam!

Naquele ano, estava finalizando meus estudos de intercâmbio na Austrália e queria viajar um pouco mais. Conheci a YWAM Townsville (uma organização cristã de jovens missionários espalhada por todo o mundo) e enviei um e-mail me voluntariando para servir na base durante um mês. Acontece, que Townsville era na ponta oposta do mapa de onde eu estava morando, Sidney.

Mas como Deus é perfeito! Recebi uma ligação me dizendo que havia um navio da YWAM (um pequeno cruzeiro) atracado nas docas de Sidney e lá, eu era esperada para uma “entrevista”. Na conversa correu tudo bem e fui aceita na base. Quando me dei conta, já estava em contagem regressiva para subir a bordo do navio que levaria cinco dias para chegar a Townsville.

A primeira pergunta que fiz e, provavelmente, algumas pessoas também estão se perguntando é: por que uma organização cristã está navegando pela costa australiana em um cruzeiro, que por sinal é bem caro? Como servir a bordo? Já explico.

A base missionária de Townsville é responsável pelo evangelismo da Papua Nova Guiné, país que tem acesso muito precário e que, em sua maioria, é feito pelos rios. Há muitos anos a base tem investido em treinamento missionário associado ao trekking para alcançar as vilas e aldeias por meio das trilhas. Porém, com um (mini) cruzeiro, é possível montar consultórios de odontologia e oftalmologia e chegar mais rápido até as pessoas. Lindo né?!

Nesse momento específico em que eu cheguei, eles estavam em processo de comprar o navio. Para isso, navegaram ao longo da costa fazendo jantares para arrecadação de fundos. Esses jantares eram feitos a bordo do navio e nós, voluntários, servíamos a comida, a bebida e ajudávamos na limpeza.

 

“Por que uma organização cristã missionária está navegando pela costa australiana em um cruzeiro, que por sinal é bem caro? Como servir a bordo?”

 

Com certeza foi uma das coisas mais diferentes que já fiz na vida e na jornada missionária. A costa australiana é linda e eu estava bem empolgada, mas ninguém me avisou que apenas cinco pessoas estariam a bordo. Nos primeiros dois dias, não vi ninguém no navio enorme, era só o mar (um mar lindo por sinal) e passar mal. Recomendo a quem planeja uma viagem assim levar um remédio potente para enjoo. Até tomar banho era difícil.

No terceiro dia, as coisas começaram a melhorar e conheci os jovens missionários muito divertidos. Como o próximo evento só aconteceria no destino final, pudemos aproveitar bem a jornada assistindo filmes, olhando as estrelas, nadando, conversando sobre Deus, vendo golfinhos, baleias e até ficar na cabine do capitão, guiando o navio.

Como muitos já sabem, o mar do norte da Austrália não é muito amigável, então, por causa dos animais mortíferos que tinham na água, não era possível nadar no mar ao redor do navio, apenas nos espaços reservados e cercados nas praias de Townsville.

Quando chegou o dia do evento, começamos o trabalho que só terminaria quando eu fosse embora. Limpamos cada centímetro do navio, do chão aos corrimãos. No evento, servimos, recolhemos vasilhas e lavamos (só não cozinhamos).

Após atracar, fui trabalhar no escritório de comunicação, servindo a equipe com peças de design. Impressionante a seriedade e dedicação que todos da equipe têm. Um mês passou voando, foi possível conhecer alguns “must dos” da cidade aos fins de semana na minha tentativa de casar voluntariado, lazer e turismo.

Acredito que Deus implantou em nós sonhos, desejos e preferências para servirmos ao Seu propósito. O fato de eu conseguir unir, em um só momento, o serviço à comunidade de fé e o que eu amo fazer, viajar, só me prova o quanto Ele é bom, e como devemos confiar que Ele já implantou em nosso coração o que nos motiva para cumprir o chamado.