O isolamento social a que todos nós, como indivíduos e sociedade, fomos submetidos por causa da questão da COVID-19, trouxe uma série de desafios que nos levam, muitas vezes, a nos enxergamos num grande deserto, experimentando sensações tais como solidão, incompreensão e cansaço.

Isso ajuda a aumentar a impaciência conosco e com o outro, na medida em que não consigo, de forma satisfatória, explicar o que sinto e o que preciso. Ao abordar essa temática a partir da perspectiva de gênero, podemos afirmar que a pandemia amplificou todas essas questões, mais ainda, para nós mulheres, tanto no ambiente familiar como profissional.

Diante desse contexto, o que queríamos mesmo é que as pessoas que estão ao nosso redor, filhos, cônjuge, colegas de trabalho, líderes e outros, conseguissem perceber do que necessitamos sem que precisássemos falar (não é mesmo? Risos).

Todos demandam muito de nós; precisam dos nossos conselhos, das orientações referentes às atividades da casa, checagem se os filhos estão estudando, se estão cumprindo com as atividades da escola, as atividades extras, cardápio do dia, lista de compras, cuidados com os amiguinhos pets e por aí vai. Parecem infinitas as atividades que nos são “impostas”; digo isso, porque, mesmo que as atividades e responsabilidades já estejam bem definidas, ainda assim, demandam a “nossa gestão”.

No trabalho, somos expostas a uma carga horária extensa e com pouca compreensão de que de nós, mulheres, é exigida a vivência de vários papéis. Esse tipo de determinação a que somos expostas, ao ignorar a crise sanitária que vivemos, nos nega a flexibilidade de horário de que tanto precisamos, por exemplo.

Para não nos expormos e darmos motivos para outras interpretações, desenvolvemos comportamentos de culpa, ao nos cobrarmos para que “sejamos perfeitas”, dando conta de todos os papéis, interiorizando assim as exigências sociais impostas sobre nós mulheres.

São muitas as tensões do dia a dia, sejam elas de ordem externa ou interna com as quais precisamos lidar. Dessa forma, no final do dia, estamos com aquela sensação de carregar o mundo nas costas. E precisamos ser sinceras, primeiro com a gente mesmo: nos sentimos consumidas por tudo isso!

Quando converso com algumas amigas, percebo que muitas de nós estão vivendo situações muito parecidas. Às vezes nem sabemos nomear o que estamos sentindo. Só sabemos que não podemos continuar assim por mais tempo.

Então, como lidar com todas essas questões tão íntimas, sem surtar de vez? O salmista nos apresenta uma possibilidade para essa jornada,quando direciona sua oração a Deus nos seguintes termos:

“Senhor, tu me sondas e me conheces. Sabe quando me assento e quando me levanto; de longe penetras os meus pensamentos”, (Salmos 139:1 e 2).

Conheço um lugar onde podemos encontrar Aquele que nos conhece em profundidade, que nos recebe, acolhe e protege. Neste lugar, posso ser eu mesma, com tudo aquilo que trago de bom e ruim. Neste lugar não há segredos, todos os sentimentos, emoções e pensamentos são expostos, acolhidos sem julgamentos pela Testemunha amorosa e justa que tudo sabe.

Neste lugar, não preciso usar máscaras para impressionar, não preciso me afirmar com (minhas) conquistas e realizações, não preciso representar nenhum papel. Nesse lugar, eu me encontro comigo mesma e com o Deus que deseja ter um relacionamento íntimo comigo.

 

“Nesse lugar eu me encontro comigo mesma e com o Deus que deseja ter um relacionamento íntimo comigo.”

 

É lugar seguro, de nutrição e cuidado. É lugar para deixar as cargas e encontrar caminhos possíveis para lidar com todas essas loucuras que estamos vivendo no nosso dia a dia. É lugar de fortalecimento das emoções, de cura e vida.

Que tal tirar um tempo só para você, escolher um espaço físico onde ninguém irá interrompê-la, e por alguns minutos, se conectar com o Deus que vive em você, para poder desfrutar e vivenciar momentos de refrigério? Vamos juntas?

“Sonda-me, ó Deus, e conhece o meu coração, prova-me e conhece os meus pensamentos; vê se há em mim algum caminho mau e guia-me pelo caminho eterno”, (Salmos 139:24).