Uma das trilhas mais conhecidas do Brasil contempla os cenários que os amantes da natureza costumam amar: montanha, floresta e mar. A travessia da Ponta da Juatinga fica na área de proteção ambiental do Cairuçu e na Reserva Ecológica da Juatinga no Rio de Janeiro, tem início na pequena vila de Paraty-Mirim terminando na linda Praia do Sono em Paraty com quase 30km.

A região é caracterizada pela vegetação de mata atlântica, muito sobe e desce e várias praias desertas e lindas. Realmente um charme. Como todo bom trekking, reserva uma quantidade absurda de aventura e desafios, mas no final, sempre vale a pena.

Para mim, um dos maiores desafios de se fazer uma travessia é calcular a logística, tendo em vista que você começa em um ponto e termina em outro normalmente bem longe de onde deixou o carro. Para facilitar nossa vida pós-travessia, resolvemos inverter, deixar o carro no ponto final da travessia na Vila do Oratório e pegar um ônibus até o início do trajeto, em Paraty-Mirim. Dessa forma, fizemos a parte “mais chata” enquanto ainda estávamos descansados e animados.

A aventura já começou logo cedo, chegando em Paraty-Mirim debaixo de chuva, fomos ao cais procurar o nosso “bote” previamente agendado. Éramos 5, pessoas mais 4 mochilas cargueiras (enormes), mas o bote era isso: um bote. Achamos que seria uma lancha, um pequeno barco, mas não, era um bote pequeno. Misericórdia! O marinheiro disse que o mar estava muito agitado, mas que ele conseguiria navegar. Ah, não sabíamos o significado disso, foi um bom momento para testar a fé e agarrar bem nas mãos de Jesus.

travessia da juatinga

O barco escalava as ondas, caia delas, parecia tão pequenininho ali no mar, por um momento duvidei que chegaríamos. Mas, Deus é bom! Chegamos na Praia Pouso de Cajaíba para o início da trilha. Nesse momento começou o segundo desafio, um morro muito íngreme, bem puxado, o início da trilha já deu um vislumbre do que nos aguardava. Apesar do cansaço físico, a vista é bem bonita e a sensação de ver o mar em cada clareira renova os ânimos e alimenta a gratidão de estar ali.

Após horas de caminhada chegamos a Praia Martin de Sá, linda, perfeição do Deus Divino e o melhor, 100% só para nós. Esse é o ponto em que a maioria das pessoas encerram seu primeiro dia de caminhada no Camping do Seu Maneco, mas como queríamos ter o último dia livre, decidimos adiantar.

Almoçamos, aproveitamos a praia, tiramos fotos e descansamos. Depois de uma hora, arrumamos as tralhas novamente e seguimos rumo a praia de Cairuçu das Pedras, onde acamparíamos. Parecia perto, mas não era, o sobe e desce montanha realmente nos fatigou demais e chegamos mortinhos de cansaço ao camping, já próximo do horário de escurecer. Como fomos os primeiros a chegar, tivemos o privilégio de escolher o melhor local para armar nossas barracas nesse hotel de mil estrelas.

Meus amigos, que lugar perfeito. Deus é maravilhoso e sua criação nos mostra isso. Que visual, único e perfeito. Tomamos banho gelado, fizemos a jantinha raiz, nos medicamos (sim, as dores são reais) e dormimos ao som das ondas que batiam nas pedras ali, logo abaixo de nós.

Na manhã seguinte, assistimos ao nascer do sol mais surpreendente da vida, a bola de fogo saindo de trás do mar bem devagarzinho, com as ondas quebrando nas pedras, a cena mais linda! Seguimos então em busca de um barqueiro. Na noite anterior, meu marido machucou o joelho e caminhar já era quase uma tortura para ele. Além disso, o trecho a frente era o mais íngreme e difícil de toda a travessia e planejamos atravessar de barco.

Mas Deus tinha outros planos, o mar, muito agitado, não permitiu que nenhum barqueiro saísse da bahia de pedras e tornou o trajeto pelo mar muito perigoso. Pernas para que te quero, pagamos uns locais para levar as mochilas e subimos o trecho devagar e sempre. Do outro lado da montanha, descemos o trecho bem devagar até chegarmos a Ponta Negra, uma praia mais simples onde almoçamos.

Lá conhecemos o rapaz que seria nosso salvador: topou nos levar de barco no mar agitado até a Praia do Sono, uma praia sossegada e bem gostosa, nosso destino final, onde acampamos beira-mar e curtimos o dia e a praia para recuperarmos todas as energias.

O último trecho até o carro foi muito suado e dolorido, a rapadura é doce mas não é mole, ainda assim, valeu cada gota de suor!