Todos os anos, no dia 04 de maio, fãs da franquia Guerra nas Estrelas se reúnem, física e virtualmente, para comemorar o “Star Wars Day”. A data não foi escolhida por acaso: em inglês, o dia quatro de maio se diz “Fourth of May”. Num jogo de palavras, inverte-se a ordem para “may the fourth” e temos uma sonoridade muito próxima do início do icônico bordão “May the force be with you”, “que a força esteja com você”.

O sucesso da série de filmes lançada em 1977 é inegável, e milhões fazem parte do grupo de fãs que, até hoje, consome todos os produtos derivados da história inicial que tinha como personagens principais Luke Skywalker, a Princesa Leia, Han Solo, Chewbacca, o vilão Darth Vader e tantos outros.

Star Wars, por sinal, é uma série de filmes que busca muitas referências do cristianismo e mistura com diversas outras para criar algo único. Talvez por isso você assista ao filme e tenha uma certa sensação de familiaridade em relação à fé. Mas não se engane, Star Wars não é um filme “cristão”.

De toda forma, há diversos ensinamentos que podemos obter tomando como base esse fenômeno cultural tão icônico, e hoje vamos abordar um deles.

Uma visão maniqueísta

A temática central de Star Wars é clara desde o princípio: há uma guerra se desenrolando entre o bem e o mal, nos primeiros filmes chamados respectivamente de Aliança Rebelde e Império.

star wars - luke vs vader

A nomenclatura muda e a balança de forças vai se equilibrando para lá e pra cá ao longo das histórias, mas o fato é que os representantes do bem e do mal são, no fim das contas, forças que se equivalem. 

Claro, ainda no caso de Star Wars, às vezes o mal parece muito maior e mais forte que o bem. Mas sempre há uma profecia, um prometido, um “messias”,capaz de resolver batalhas e colocar os bons no caminho da vitória

Vale lembrarmos que é possível vermos esse cabo de guerra entre bem e mal na maioria das histórias que nos são contadas pelo cinema, televisão, teatro e livros, entre outros produtos culturais. Este equilíbrio de poder entre os dois lados tem forte influência do Maniqueísmo, religião fundada na Pérsia no ano de 230, por Mani, que “pensava no mundo de forma dualista sendo gerido por dois princípios, um bom e outro mau, que estavam em luta. Tudo era explicado pela oposição entre os princípios, desde a criação do mundo (cosmogonia), a criação do homem, a moral e o juízo final”, escreve Joana Paula Pereira Correia em um artigo chamado “Maniqueísmo: Religião, Seita ou Heresia?”.

Não há equilíbrio de forças no cristianismo

Por recebermos tanta influência de filosofias como o Maniqueísmo advindas de produtos culturais, temos a tendência a enxergar o mundo com base nestas lentes. Isso, porém, não poderia estar mais distante da realidade.

Não há nada que se compare ao poder de Deus, e isso inclui o poder das trevas. Para termos certeza disso, basta nos lembrarmos da história de Jó, logo no capítulo 1 do livro de mesmo nome, em que Satanás precisa obter autorização do Senhor para poder investir contra o homem. A hierarquia é clara o suficiente para vermos que não há uma “disputa equilibrada” em jogo: Deus é o mais poderoso, ou, como nos lembra o salmo 91: onipotente.

Outra história que mostra que o diabo não tem tanto poder assim para se considerar um antagonista de Deus pode ser vista na tentação de Jesus do deserto. O máximo que o inimigo faz é tentar convencer o filho de Deus a pecar, mas não tem a capacidade de investir de maneira mais incisiva contra o Senhor.

Por isso é sempre bom lembrar que, diferentemente de Star Wars, não há equilíbrio de forças no cristianismo.

star wars

A vitória foi conquistada na cruz

O que cristãos de todo o mundo precisam compreender e deixar criar raízes em seus corações é a verdade de que a vitória definitiva já foi conquistada por Jesus na cruz do calvário.

Mas, novamente, não era uma batalha entre Deus e Satanás em igualdade de condições. Neste caso, a vitória foi obtida em uma luta que era nossa, contra o pecado que nos afasta do Senhor, na qual já estávamos condenados a perder. 

A Cruz tirou de nós as vendas que turvavam nossa visão e, não por acaso, rompeu o véu (Mateus 27:51) que nos separava de Deus, e a ressurreição mostra a conquista definitiva da barreira final que havia sido imposta aos humanos. Agora, absolutamente nada mais tem poder para nos afastar do amor do Senhor.

E é por isso que o título escolhido para este texto foi tão simbólico: a força está com você. Ela não é sua, não sai de dentro de você, e não está disponível para ser canalizada de alguma forma, como os famigerados midichlorians de Star Wars. Ela está em uma pessoa, Jesus, que sempre estará ao seu lado, independente das circunstâncias. 

Lembre-se disso, e os “Sith” que tentarem se levantar contra a sua vida, logo serão frustrados.