O pastor, cantor e compositor Sidnei Cintra, Presidente da Eglise Du Centre, na cidade Lausanne, na Suíça, iniciou sua carreira na música muito cedo. Apesar do sucesso alcançado tocando e cantando com nomes famosos da MPB, Sidnei conta que sentia um vazio que os aplausos e o reconhecimento do público não conseguiam preencher. Ele sentia necessidade de algo mais e, mesmo não sendo religioso, buscava em Deus as respostas para suas muitas perguntas.

Em uma entrevista exclusiva, Sidnei Cintra fala sobre sua conversão, sua ida para a Europa e sobre sua parceria com o cantor Salgadinho em seu samba “Jesus”.

Revista Cristã: Fale sobre sua conversão.

Sidnei Cintra: Me converti no ano de 1999, precisamente dezembro. Me lembro como se fosse hoje. Eu sempre fui envolvido com a música, toquei muitos anos Música Popular Brasileira, porém, existia um vazio dentro de mim, os palcos e os aplausos eram muito sedutores, mas sempre, na volta pra casa, me pegava falando com Deus, mesmo sem saber como me comunicar com Ele. Para ir para casa sempre passava por um caminho onde tinha um senhor que puxava água para as casas com uma bomba de poço, e ele era cristão, “seu” Joao. Ele sempre me fava de Jesus, e o mais interessante é que eu amava ouvi-lo. De tanto ele me falar que Deus fala conosco, neste mês de dezembro eu cheguei em casa e fiquei sentado na escada antes de entrar. Fiquei ali observando a floresta na frente de minha casa, era uma noite linda de verão, e eu fiz uma pergunta pra Deus. “Deus, se o senhor existe, fala comigo!” E ali, contei toda minha vida para Ele. depois, entrei e fui dormir. No outro dia, era umas 11:00 da manhã, fui limpar a caixa d’agua em cima do telhado de casa, e do nada, apareceu um pregador na rua evangelizando. Ele parou na porta de casa e me disse assim: “ontem de madrugada você me perguntou se eu existia, eu que falo contigo sou o Deus Criador de todas as coisas”. Bom, ninguém sabia que eu tinha falado com Deus aquela noite, e aquele pregador contou toda a minha vida. Fiquei comovido, emocionado, atemorizado, anestesiado, enfim, foi uma explosão de sentimentos ao mesmo tempo. Eu disse à minha mãe: vou procurar uma igreja. Fui em várias igrejas, era tudo muito diferente, tudo muito novo para mim, até que conheci, por meio de um amigo, a igreja Ministério Santana, dirigida pelo pastor Samuel Cabral de Lima, em Santana, São Paulo. Quando entrei nesta igreja, fui muito impactado com o amor das pessoas, com o louvor, com a palavra, enfim, fui convencido pelo Espírito Santo naquela noite, e isso já dura 22 anos.

 

“Os palcos e os aplausos eram muito sedutores, porém, existia um vazio dentro de mim. Sempre, na volta pra casa, me pegava falando com Deus, mesmo sem saber como me comunicar com Ele.”

 

RC: Como foi a aceitação dos seus companheiros da música quando você se converteu?

Sidnei Cintra: Me lembro de um episódio superengraçado concernente a esse tema. Quando me converti não contei a ninguém, meio que não sabia como fazer, e em uma daquelas noites trabalhando, tínhamos um show com um cantor super famoso na época, eu tocava cavaquinho na banda dele. Ele começou a apresentar a cada componente da banda e quando chegou em mim foi engraçado, porque ele pediu para todos abaixarem o volume dos instrumentos, para o cavaquinho sair um pouco mais alto e, neste momento ele disse assim para a plateia: “esse camarada não está com cara de crente?” Eu fiquei muito sem graça, e ele me disse “cara, você é crente”! No final do show, um monte de gente me procurou para dizer que estava afastada dos caminhos do Senhor. Então, eu percebi que tinha feito a escolha mais importante da minha vida e preguei para muitos, em vários palcos. Muitos não aceitaram, porém muitos outros aceitaram. A fé nunca foi um impedimento na vida de alguém.

 

“No final do show, um monte de gente me procurou para dizer que estava afastada dos caminhos do Senhor. Então, eu percebi que tinha feito a escolha mais importante da minha vida e preguei para muitos, em vários palcos.”

 

RC: Como ficou sua relação com estes amigos?

Sidnei Cintra: Minha relação com eles é muito boa, até hoje converso com alguns, que hoje estão no auge do sucesso, são meus amigos, passamos muita coisa juntos, inclusive, alguns deles se converteram também, hoje são pastores e outros continuam suas carreiras e são pessoas maravilhosas.

RC: Porque você se mudou para a Europa?

Sidnei Cintra: Nos anos de 1998 à 2000 eu tive a oportunidade de tocar para artistas de grande renome, como Beth carvalho, Almir Guineto Almirzinho, Jorge Aragão, Pericles, Reinaldo, enfim muitos outros, devido a um projeto da década de 90 na Vila Maria, Zona Norte de São Paulo. Isso me trouxe muita evidência e acabei conhecendo pessoas maravilhosas na música. Quando entreguei minha vida a Jesus, em 1999, fui para uma vigília na igreja e lá, Deus usou um pastor e me disse que Ele iria me levar para fora do Brasil. Nunca imaginei sair do Brasil e, certo dia, estava em casa e recebi uma ligação de um amigo que a música me apresentou, Floriano Inácio, um excelente pianista, me convidando para fazer uma turnê de Jazz na Europa. Agora eu era cristão, e fui pra igreja orar e pedir a Deus uma confirmação, e Deus usou a missionaria Anita, que foi promovida para as mansões celestiais, uma grande profetisa. Eu era um novo convertido, ela não sabia nada da minha vida, e Deus a usou tremendamente, me dizendo que quem estava me levando para fora do Brasil era Deus. Aceitei o convite do Junior e vim fazer alguns concertos de Jazz Brasil aqui na Europa. Já fazem 20 anos que estou aqui e amo essa terra.

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RC: Hoje, você dedica 100% de seu tempo a ser pastor, ou consegue conciliar o ministério pastoral com a carreira musical?

Sidnei Cintra: No princípio não foi fácil entender esse processo, por isso fiquei 14 anos esperando para fazer minha primeira gravação, mas sempre esperando em Deus o tempo certo. Esperar em Deus é o segredo. Discernir o tempo certo foi um mistério para mim, mas senti que esse era o momento, Deus foi abrindo as portas e nos consolidando ministerialmente e hoje, temos liberdade para atuar nestas duas áreas.

RC: É verdade que uma visita à Terra Santa inspirou a canção “Jesus”?

Sidnei Cintra: Sim, foi interessante. Eu tinha já alguma coisa escrita desta música, sempre amei a leitura e a Bíblia dispensa comentários, é a Palavra de Deus. Ouvi uma exposição do evangelho de Mateus que narra essa passagem do Mar da Galileia, fiquei tocado e pedi uma música para o Senhor. Comecei a escrever quando fui à Terra Santa e tive a oportunidade de ter um guia judeu messiânico, que nos explicou como acontece as tempestades no Mar da Galileia. Fiquei impactado de ver aquele Mar de 13 quilômetros de comprimento por sete de largura, cercado de montanhas, quando os ventos vêm pela parte da Galileia em forma de funil as tempestades são quase que mortais para os pescadores. Ondas que variam de dois a três metros de altura, se levantam violentamente, tornando assim um risco mortal, para quem estiver no mar. Fiquei mais impactado com o poder extraordinário que Jesus tem sobre todas as coisas e então gravei este louvor com esta mensagem de esperança para todos nós. Jesus aquietou o mar e calou a tempestade, e pode também calar as tempestades e aquietar os mares violentos de nossas vidas, basta somente Nele crer.

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RC: Porque a escolha de Salgadinho como parceiro para gravar essa canção?

Sidnei Cintra: Na realidade Méltsia, eu não tinha ideia de como isso poderia acontecer. O Salgadinho foi uma das minhas inspirações para ser cavaquinhista. Quando escrevi e musiquei esta canção, me veio a ideia de convidar o cantor Salgadinho, até pelo estilo da música entende? Eu queria muito que ele cantasse esta música comigo. Porém, era praticamente algo inimaginável, pois estando há quase 20 anos fora da música, não tinha acesso algum a ele. Não comentei com ninguém meu desejo de convidá-lo, porem o produtor Jr Denden, do Studio Canto urbano de São Paulo, quando acabamos os arranjos e gravamos as vozes, me fez a proposta de convidar o cantor Salgadinho para participar deste projeto. Fiquei emocionado e na expectativa de ele aceitar e foi assim, tranquilo. Creio que quando as coisas são de Deus, acontecem assim, sobrenaturalmente.

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RC: Na Suíça os membros da igreja são mais flexíveis com relação a postura dos pastores do que no Brasil? Faço essa pergunta porque gostaria de saber como eles reagiram quando souberam que você iria gravar uma canção com um cantor secular.

Sidnei Cintra: Aqui, na Eglise Du Centre, na cidade Lausanne, nós não pregamos usos e costumes e sim o Evangelho de Jesus Cristo. Sabe, durante muito tempo eu não entendia a música como arte, sou Pastor Presidente da Eglise Du Centre, acredito no poder que a música tem e sei que o Espírito Santo pode libertar pessoas por meio da Palavra de Deus cantada. De fato, para mim, cantar esse louvor com Salgadinho foi tremendo e creio que o Espírito Santo vai usar muito nossas vozes para libertar vidas.

RC: O samba sempre foi um ritmo mantido fora dos altares de igrejas devido a sua ligação com o carnaval. Porque decidiu fazer um louvor com esse ritmo?

Sidnei Cintra: Acredito, como diz o Salmo 150, que todo ritmo, todo ser que respira deve louvar ao Senhor. Isso é muito interessante, porque penso na originalidade das coisas e nas cores do Reino de Deus. Acredito que, nestes últimos dias, Deus está revelando mais uma faceta do Seu eterno amor, acredito na originalidade de estilos e ritmos com os quais podemos adorar a Deus. Pensando em minha pátria, lembro-me das nossas raízes, da diversidade de ritmos que temos. E podemos usar o samba para adorar a Deus, principalmente neste momento crítico que a humanidade enfrenta. Devemos nos alegrar no Senhor e exaltá-Lo com os dons que Ele mesmo nos deu.

RC: Deixe uma palavra para os nossos leitores.

Sidnei Cintra: Jesus, o Alfa e o Ômega, o princípio e o fim; nEle foram criadas todas as coisas e sem Ele nada que existe passaria a existir. Inclusive, você que agora está lendo esta entrevista, não sei como você se encontra enquanto lê, mas quero lembrá-lo de que Jesus é o Autor da Vida, o Príncipe da Paz, o Conselheiro, o Bom Pastor, Ele é Deus Emanuel e está conosco. Sendo assim, termino dizendo que, em meio às guerras, o Bom Pastor tem conselho de paz para sua vida; em meio às dificuldades da vida, Ele quer estar com você. Clame por Ele, Ele pode salvar você. Ele quer ser seu amigo.