Com quase 50% da população vacinada, Israel começou a flexibilizar as medidas de distanciamento social em função da pandemia do novo coronavírus.

Segundo dados da plataforma Our World in Data, da Universidade de Oxford (Reino Unido), Israel tem hoje a maior taxa de vacinação do mundo, com 98,85 doses administradas por cada 100 habitantes. A população do país é de cerca de 9 milhões de pessoas e até agora, Israel teve 791 mil casos confirmados do novo coronavírus, com 5,8 mil mortes.

O País ostenta a maior cota per capita de vacinas aplicadas no mundo. Desde o início da campanha de vacinação, em 20 de dezembro, até o último dia 21 de fevereiro, 4,7 milhões de israelenses já tinham recebido a 1ª dose da vacina de mRNA (RNA Mensageiro) da parceria entre BioNTech e Pfizer, mais de 45% da população. Mais de 30% dos israelenses já tinham recebido a 2ª dose, e mais de 80% das pessoas com mais de 60 anos já tinham sido imunizadas.

No último dia 21 de fevereiro, a atividade comercial foi retomada em lojas, shoppings sem restrição de entrada e o acesso a locais de lazer, como academias e teatros, que estava limitado aos vacinados ou àqueles que se recuperaram da doença e ganharam o chamado “Passe Verde”, formulado pelo Ministério da Saúde, voltou ao normal. No entanto, em alguns desses lugares, existem alguns funcionários que não foram vacinados e estão no lugar, ao lado dos vacinados e recuperados. O motivo: não há lei que exija a obrigação da vacinação dos empregados por parte dos empregadores. Uma brecha importante a ser consertada.

4.553 novos casos de corona foram diagnosticados no fim de semana que antecedeu à abertura. A tendência de declínio na morbidade continua, e a taxa de infecção nos últimos dias antes da abertura era de cerca de 0,9.  O número de pacientes em estado grave também está diminuindo.

 

Quem tiver mais de 16 anos e quiser tomar a

vacina já pode fazê-lo. No ritmo atual, Israel terá

aplicado duas doses em metade da população até o fim de março.

 

A proibição de atividades de lazer e a redução do público em sinagogas, mesquitas ou igrejas também foram flexibilizadas.

Alunos do ensino fundamental assistiram às aulas em cidades israelenses com taxas de contágio sob controle. Os estudantes do ensino médio devem voltar no próximo mês, depois de quase um ano de aprendizado remoto.

Quem tiver mais de 16 anos e quiser tomar a vacina já pode fazê-lo. No ritmo atual, Israel terá aplicado duas doses em metade da população até o fim de março.

Mesmo com esse ritmo de vacinação, Israel ainda dispõe de tantas doses da vacina da BioNTech/Pfizer que o inoculante da Moderna nem mesmo teve de ser empregado, embora seja permitido, desde 5 de janeiro.

A campanha de vacinação israelense mostra ser um claro sucesso: o número de casos sintomáticos entre as pessoas que receberam as duas doses caiu 93%, segundo dados de uma seguradora de saúde.

No dia 20 de fevereiro, o Ministério da Saúde disse que estudos revelaram que o risco de doenças causadas pelo vírus caiu 95,8% entre as pessoas que receberam as duas doses da vacina Pfizer. A pasta também informou que a vacina foi 98% eficaz na prevenção de febre ou problemas respiratórios.

O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, disse esperar que 95% dos israelenses com mais de 50 anos sejam vacinados nas próximas duas semanas.

 

Vacina eficaz

O programa de vacinação de Israel está mostrando sinais positivos na redução de infecções por covid-19 e no total de hospitalizações pela doença na faixa etária acima dos 60 anos. A queda parece ser mais visível em pessoas mais velhas e nas áreas onde houve maior avanço da imunização.

Isso sugere que a vacina está surtindo efeito na saúde coletiva, e não somente o atual lockdown imposto no país, que reduz o contato entre as pessoas e, por consequência, o número de contágios.

Os números do Ministério da Saúde de Israel mostram que apenas 531 maiores de 60 anos dos quase 750 mil vacinados tiveram resultado positivo para coronavírus (0,07% do total) depois de receberem as doses da vacina, mas com sintomas leves.

Outras 38 pessoas foram hospitalizadas com sintomas moderados, graves ou críticos da doença — uma proporção ínfima.

O Ministério da Saúde avaliou os prontuários médicos de quase 1 milhão de pessoas no total — 743.845 das quais tinham mais de 60 anos — até pelo menos sete dias após terem recebido uma segunda dose da vacina.

Houve três mortes em vacinados com mais de 60 anos, mas é impossível de determinar se eles contraíram a doença antes de receberem o imunizante ou antes que sua imunidade tivesse tempo de se desenvolver após a vacina.

 

Números Incríveis (dados coletados em fevereiro de 2021)

Existem 6.423.000 pessoas que podem ser vacinadas em Israel (acima de 16 anos).

4.297.000 já foram vacinados = 67% da população

445.000 Já recuperados = 7%. da população

Total de vacinados + recuperados = 74% da população

 

Vacina por dados valiosos

O fato de esse país com 9,3 milhões de habitantes ter sido capaz de garantir grandes quantidades de vacinas está ligado aos termos contratuais muito específicos que Israel negociou com as fabricantes. Ao contrário da UE, Israel não manteve esses termos contratuais sob sigilo, mas disponibilizou o acordo com a Pfizer, por exemplo, na internet.

Segundo o texto, Israel paga bem mais pelas doses da vacina da BioNTech/Pfizer do que a UE, em torno de 23 euros por dose, em comparação com os 12 euros da UE.

Além disso, o Estado israelense assume a responsabilidade pelo produto. Já para a União Europeia, é muito importante que os fabricantes BioNTech e Pfizer continuem sendo responsáveis ​​pelo produto.

O mais importante é que o governo israelense acertou com as fabricantes da vacina que Israel forneceria semanalmente a elas os dados da campanha de vacinação. Isso inclui não só os números de infecções e vacinações, mas também as informações demográficas dos pacientes, como idade e sexo. Segundo as autoridades israelenses, os dados são enviados de forma anônima.

Assim, as empresas farmacêuticas não apenas recebem dados de maneira muito rápida e confiável, graças ao sistema de saúde digitalizado em Israel, como também recebem muito mais dados do que obteriam de qualquer estudo – uma fonte de informação de valor inestimável para as empresas farmacêuticas.

Em troca, a fabricante da vacina se compromete a fornecer doses a Israel até que seja alcançada a imunidade de 95% por cento da população do país.

 

Dados encorajadores

É desses dados que saíram as informações mais completas disponíveis sobre a eficácia da vacina da Pfizer-BioNTech. Elas vêm da Maccabi, uma das quatro organizações de seguros de saúde israelenses, que assegura cerca de um quarto da população, e foram publicados pelo jornal Times of Israel e também de mais 3 organizações governamentais que disponibilizam planos gratuitos e doações.

Os dados foram coletados uma semana após a aplicação da segunda dose, ou seja, no momento em que a vacinação presumivelmente já havia desenvolvido seu efeito protetor total.

Dos então 523 mil segurados que haviam sido vacinados, apenas 544 foram infectados com Sars-CoV-2 depois da 2ª dose. Isso corresponde a uma parcela de 0,1%. 

Desses 544 infectados, 15 tiveram de ser hospitalizados: oito apresentaram apenas sintomas leves, três apresentaram sintomas moderados e apenas quatro desenvolveram um quadro grave. Ninguém morreu em consequência da infecção.

A seguradora comparou os dados coletados com 628 mil membros não vacinados, dos quais 18.425 foram infectados no mesmo período. A partir disso, a Maccabi calculou uma eficácia da vacina de 93%. O último estudo publicado em 11 de Março, afirma que a vacina da Pfizer/BioNTech tem eficácia de 97% contra casos sintomáticos e formas graves da Covid-19. Em relação aos casos assintomáticos do vírus, o imunizante teve eficácia de 94%. com cerca de 53% da população vacinada, a tendência de mortes por Covid-19 está em queda.  A quantidade de pacientes em estado severo caiu de 1,1 mil no início de fevereiro para 708 atualmente.

Ao contrário do Ministério da Saúde, o Maccabi comparou a taxa de infecção com 900 mil pessoas não vacinadas com um perfil demográfico semelhante. Nesse grupo, durante o mesmo período, 8.250 se infectaram com o coronavírus — mais de 30 vezes mais.

Esse percentual é encorajador não só porque corresponde aos valores que a BioNTech e a Pfizer haviam detectado nos seus estudos. Ele mostra que a vacinação parece proteger contra um quadro grave e pode minimizar as mortes em decorrência da infecção.

Os números de Israel são encorajadores, mas ainda não permitem tirar uma conclusão sobre a eficácia das vacinas contra as variantes muito mais contagiosas do coronavírus. Em condições de laboratório, a vacina da BioNTech/Pfizer é eficaz contra a variante britânica B.1.1.7 e a mutação sul-africana B.1.351. Mas essas são análises de laboratório; não há ainda evidências ​em condições reais.

 

Doação de vacinas para a Autoridade Palestina

A Rússia doou 10 mil doses de vacina para a Autoridade Palestina e eles pediram permissão de Israel para transferir 1000 doses para Gaza. O que foi prontamente atendido pelo governo Israelense.

Israel também já deu 5000 doses de vacina Pfizer e Moderna para a Autoridade Palestina, mas estas vacinas não podem ser enviadas para Gaza, onde eles não têm a infraestrutura para mantê-las na temperatura necessária, menos 70 graus centígrados.

 

Mutação Sul-africana

Um novo estudo levanta a preocupação de que a mutação sul-africana reduz significativamente o nível de anticorpos neutralizantes nas vacinas da Pfizer que são as administradas em Israel. 

O estudo, publicado na noite de ontem, foi feito pela Pfizer e a Universidade do Texas. Ele criou um vírus contendo a mutação sul-africana em laboratório e o expôs a amostras de sangue de 15 pessoas vacinadas em duas doses.  No caso da mutação sul-africana, o número de anticorpos neutralizantes diminuiu em dois terços, mas aparentemente ainda é suficiente para neutralizar o vírus.

 

Variante de Uganda

De acordo com o Nachman Ash, Chefe do Projeto Corona em Israel, “o Corona não ficou para trás”.  Ele se referiu às mutações do vírus: “A variante britânica provavelmente causa doenças mais sérias entre os jovens. Além disso, houve também o primeiro caso de uma cepa de Uganda que foi encontrada em Israel”. O Prof. Shlomo Maayan, do Hospital Barzilai, também falou sobre essa nova cepa. “O vírus Corona está se sentindo em perigo e, portanto, ele se multiplica pela formação de mutações”.