Após a experiência de quase morte, Alex Passos sobreviveu ao Coronavírus sem nenhuma sequela. Produtor musical ficou 13 dias internado na UTI. 

Minas Gerais ultrapassou a marca de 500 mil pessoas que se recuperaram da Covid-19. Apesar de esse dado de mais de meio milhão de pessoas curadas ser uma notícia positiva, em muitas situações, mesmo quem contraiu a doença e se recuperou carrega histórias de dificuldades.

É o caso do produtor musical Alex Passos, que ficou internado em UTI por 13 dias, após ser diagnosticado com Covid-19. Ele tem 47 anos e possui um quadro leve de asma, o que o coloca no grupo de risco para a doença.

No início, os sintomas eram amenos, mas, depois, o quadro de saúde ficou mais grave. Alex foi intubado e chegou a um dos piores estágios da doença. Os médicos disseram que a chance de sobrevivência era apenas de 10%.

 

A família também testou positivo para o Covid-19

A esposa, Karla Passos, e os filhos João Pedro (11) e Matheus (14) anos, também testaram positivo para Covid-19 e apresentaram sintomas leves. De acordo com ela, a internação foi assustadora e que a fé foi o que a manteve de pé. 

Alex Passos nasceu em João Monlevade (MG), mas se mudou, durante a juventude, para Belo Horizonte. Nessa entrevista, o empresário da Balaio Filmes falou com nossa repórter, Luana Marra sobre o início da carreira, o sucesso como produtor musical, os momentos difíceis da internação e o como por causa do Covid-19 e o que Deus lhe ensinou após a experiência de quase morte que viveu.

 

Revista Cristã: Nos fale sobre sua carreira. Como se tornou produtor musical?

Alex Passos: Aos 15 anos comecei a trabalhar com vídeo. Minha família trabalhava com produção de fotos e vídeos na década de 80, e eu, muito curioso, fui trabalhar com meu tio e comecei a descobrir esse universo de câmeras, edição, filmagem, mas eram vídeos de aniversários, casamento, batizados, e eu me apaixonei por essa arte. Uma coisa foi puxando a outra e eu fui trabalhar na Tv cultura de Itabira. Em 97, vim para Belo Horizonte e comecei a trabalhar no Canal 15, canal jornalístico criado por um grupo da Rede Globo de televisão. Ali havia uma estrutura profissional, e eu era diretor de imagem. Sofria muita pressão, pois faziam muito jornalismo ao vivo. Mas deu certo. Em 99, participei do Programa Tribo, do Dudu hoje Programa Grafite, onde o assunto era música Golpel, e durante o programa ouviu nomes de cantores que não conhecia, como David Quinlan e grupo Muito Mais, formado pela Nívea Soares, Samuca do três palavrinhas e Thalles Roberto. “Fiquei muito tocado, porque lembrei de quando ia à igreja com minha mãe. No final do programa fui ao estúdio, que ainda funcionava na avenida Olegário Maciel, e falei que estava fora da igreja há muitos anos e precisava voltar. Comecei a me reunir com eles na Comunidade Zona Sul, que era bem perto da emissora. Lá, eu aceitei Jesus de verdade e foi uma relação de amor e tudo na minha vida começou a mudar. Eu conheci a Karla e começamos a ter experiências maravilhosas com Deus. Nos casamos, e foi depois do meu casamento que Deus começou a me dar o meu ministério. Deus começou a me mostrar que ele tinha me colocado nesse universo da comunicação para poder trazer a mensagem Dele por meio da cultura, da arte e uma coisa foi levando a outra. Mas tudo começou por curiosidade. Eu achava um barato que, por meio da fotografia, da filmagem, você eterniza momentos. Não tem uma rotina. Cada dia você cria algo novo. Desde adolescente eu percebi que tinha jeito para isso, pois mesmo sem ter um curso superior eu conseguia desenrolar bem. Eu assistia vídeos na televisão e filmes no cinema e imaginava como poderia fazer para melhorar. Hoje, conseguimos criar uma série de projetos bem sucedidos, graças a Deus.

alex passos
Foto: Lucas Mendonça

RC: Como nasceu o programa Balaio?

Alex Passos: Era novo convertido, recém casado e apesar de trabalhar atrás das câmeras, já tinha feito algumas apresentações na televisão. Então comecei a pensar: cara, tinha que fazer um programa diferente, hoje é tudo muito cansativo, chato, nada de humor. Tinha que ter um programa de entretenimento, divertido, zuera, que as pessoas se interessassem em assistir, principalmente os caras que não eram cristãos. Eu assistia aos programas de TV que haviam na época e eram programas para crente. Quem não era cristão, quando via, falava: “pastor falando, quero não”, e mudava de canal. A ideia era que a pessoa visse o programa e nem percebesse que era cristão. Quando menos esperava, ele já estava ali chorando, se emocionando e sentindo a presença de Deus. E Tive a ideia de fazer o programa Balaio. Mas quando eu mostrava para quem era crente, eles falavam que era muito legal, mas que tinha que falar mais de Deus. Eu mostrava para quem não era, eles falavam que era muito legal, mas falava muito de Deus, era muito religioso. E ninguém acreditou no programa. Eu tinha feito um programa piloto, que consegui graças à Ephata produções, da empresária Maria Helena, e o Marcelo Lopes e a Creuza me ajudaram muito. Após dois meses do piloto ficar pronto, a Igreja Batista da Lagoinha comprou a emissora. Como o pastor Márcio queria mudar a programação, alguém disse a ele que tinha um rapaz que tinha um projeto evangélico. Então, o pastor Marcio e o Ian, que na época era o diretor da emissora, abraçaram o projeto e o Balaio começou, polêmico, eu apanhei muito, porque a gente era muito doido, mas foi revolucionário. Ele cresceu muito rápido, pois era muito vanguarda. 

 

“O primeiro clipe que fiz do André Valadão, País da Adoração,

já foi em película de cinema, e com ele ganhamos todos os prêmios

de melhor clipe gospel do ano.”

 

Por meio do balaio, onde fazia matérias para o Brasil inteiro, fiquei muito próximo dos artistas, principalmente do André Valadão e comecei a produzir os clipes e os DVDs do André. O primeiro clipe que fiz dele, O País da Adoração, já foi em película de cinema, e com ele ganhamos todos os prêmios de melhor clipe gospel do ano. Produzi também o Diante do Trono, o Fernandinho e com isso os meus trabalhos começaram a ter relevância nacional, porque os artistas começaram a ver os resultados e notaram que era uma produção diferente. Então começaram a perguntar quem estava produzindo os vídeos e os artistas que eu produzia falavam: “é o Alex do Balaio”. De repente eu já não era só o cara do Balaio, era o cara do Balaio e dos clipes. Com isso, o Thalles me procurou, ainda tocando no Jamil, em 2009, e me disse que tinha tido um encontro com Deus e eu aceitei um novo desafio, que foi lançar o Thalles que ninguém no meio cristão conhecia. Lançamos na Sala do Pai e Escrito pelo dedo de Deus, que explodiu.  Depois de alguns anos, o Mauricio Soares, da gravadora Sony me chamou e perguntou porque eu não montava um selo, e eu passei a ser o apresentador, o produtor de clipe e também empresário de bandas, pois lancei o projeto chamado Preto no Branco, que alcançou um grande sucesso com a música Ninguém Explica Deus. Temos um recorde mundial como a primeira banda gospel a bater meio bilhão de views com uma única música. Estamos chegando a quase 600 bilhões de views e temos várias versões gravadas, tanto por artistas seculares como gospel. Hoje estou empresariando o Thalles e tem um projeto novo chamado Trillo. Realmente, tudo que me tornei, tudo que Deus abriu as portas no meu ministério, foi por meio do programa Balaio.

 

 

alex no balaio

 

RC: No final de 2020, você passou por momentos difíceis e quase morreu ao ser infectado pelo Coronavírus. Nos fale sobre os primeiros sintomas do Covid.

Alex Passos: Em dezembro de 2020, eu e a Karla começamos a passar mal. A Karla passou mal, depois meu filho João Pedro e depois o Mateus e eu. Nos primeiros dias os sintomas não eram respiratórios, eu sentia febre, muita dor no corpo, problemas com o olfato e paladar, não conseguia dormir, mas eu estava tranquilo, porque já tinha cinco dias que havia recebido o resultado positivo para o Covid, mas não tinha afetado a minha respiração, porque eu tenho asma e faço parte do grupo de risco. Mas no sexto dia eu comecei a sentir muita falta de ar e fui para o hospital. Minha saturação estava muito baixa. O ideal da saturação é 95 e a minha estava dando 90. Eles estavam me dando 8 (8 litros por minuto) de oxigênio e mesmo assim minha saturação estava em 88. Se tirasse o oxigênio baixaria para 80, muito baixo. Apesar da medicação e do oxigênio, não conseguiram subir a saturação e no dia 29 fui para a UTI. Eu estava muito medicado e só lembro que me colocaram em outra maca e eu apaguei. No dia 30 eu fui entubado. Minha esposa recebeu a notícia que eu havia sido entubado na madrugada do dia 30 para o dia 1, às 3 da manhã. E dia primeiro era o dia em que a gente ia comemorar 19 anos de casados. Foram 13 dias no coma induzido para manter a ventilação mecânica. Esse foi um momento muito difícil para a Karla e ela passou por momentos de medo, mas também aí começou a força do amor, ela mandou mensagem para alguns amigos e a galera começou a se mobilizar e orar, e quando ela foi no hospital me ver, ela me via de longe pois eu estava em isolamento, aquela cena era algo realmente desesperador. Ela fala que viveu o medo do que os seus olhos viam, mas que Deus falou com ela para não ter medo, não se assustar com o que estava vendo, e ela teve que lutar entre a fé e o medo, porque a fé dizia: confia, mas os olhos me viam entubado, cheio de aparelhos ligados, medicamentos, tubos, diziam: ele está morrendo. E os médicos deram apenas 10% de chance de sobreviver. Eu estava muito agitado durante o coma. Foram 13 dias entubado. Eu tive uma sensação que foram 2 dias. A Karla não contou para os nossos filhos que eu estava correndo risco de morrer. Enquanto eu estava em coma, a Karla teve um sonho, que eu estava na sala lá de casa com Jesus e Jesus fazia um sinal, apontando para o corredor, que era para eu voltar para casa. Ele dizia: pode voltar, está na hora de você voltar. E no outro dia, quando ela chegou ao hospital e estava me vendo pelo vidro, a enfermeira falou: sabe quem abriu o olho, respondeu, eu conversei com ele e ele balançou a cabeça? o seu marido.

 

“Deus falou com a Karla para não ter medo, não se assustar

com o que estava vendo, e ela teve que lutar entre a fé e o medo,

porque os médicos deram apenas 10% de chance de sobreviver.”

 

RC: E como foi a experiência do coma?

Alex Passos: Muitas pessoas me perguntam sobre o coma, se eu vi anjos, se eu vi luz, mas eu não vi nada, eu vivi o inferno. Eu voltei muito assustado do coma porque tive pesadelos horríveis e que eram muito reais. A sensação que eu tinha é que literalmente eu estava no inferno. Era como se eu estivesse aqui na terra pagando todos os pecados da minha vida. Quando eu voltei a consciência, demorou 3 dias para eu cair na real. Quando eu acordei eu fiquei muito agressivo, batia nos enfermeiros, porque eu achava que eles estavam me segurando, tiveram que me amarrar na cama. Já é uma prática que eles usam porque a pessoa acorda cheia de equipamentos e tubos ligados e o reflexo é tirar, puxar, desligar. Eu estava muito agitado. Em outro momento vou falar detalhes sobre essa experiência.

 

RC: Quando você saiu do coma, como foi ver a Karla e seus filhos pela primeira vez?

Alex Passos: A Karla foi uma mulher incrível, sábia. Sou grato a Deus por minha esposa e por minha família. No segundo dia em que estava acordado, eu já não estava mais entubado, mas ainda estava com a traqueostomia, a Karla podia ficar meia hora comigo, e quando ela chegava eu estava arredio, atormentado. No terceiro dia que ela foi, ela é muito carinhosa e estava muito feliz, por poder tocar em mim, chegar perto pois eu tinha saído do isolamento, antes de ir embora ela me perguntou se eu queria que ela fizesse mais alguma coisa e eu disse: me mata, eu preciso morrer. O semblante dela mudou e ela me pediu para não falar aquilo. E me disse que haviam milhares de pessoas orando por mim, grandes líderes de grandes igrejas. Mas ela não entendia que eu achava que ainda estava sendo torturado, que era o espírito de morte que estava sobre mim. O encontro com meus filhos foi indescritível. Foi um abraço delicioso. Foi o amor deles que me fez ter vontade de continuar vivendo e me deu forças para sobreviver ao Covid-19. 

alex após retornar do coma
Após voltar do coma Alex e sua esposa Karla tranquilizam os amigos e familiares pelas redes sociais (Foto: Repredução / Instagram)

RC: O Brasil inteiro se mobilizou para orar por você e também pessoas de outras países. Isso te surpreendeu?

Alex Passos: Quando a Karla começou a postar as notícias, iniciou-se uma mobilização muito grande em todo o Brasil que, quando eu acordei eu fiquei assustado. Uma corrente de amor e de oração que vinha de todo lado e que fortaleceu muito a Karla. E eu dormindo, sem saber de nada. E depois que eu acordei e ela começou a me mostrar as mensagens de amor, de milhares de pessoas que oraram por mim, aí eu comecei a entender que aquilo tudo que eu achava que tinha vivido, não era real. Que poderiam ter sido pesadelos. Sentir o amor das pessoas que nem me conheciam e oraram por mim, me amaram, pessoas que foram pra frente do hospital para orar, meus amigos que me amaram e oraram muito. Eu não tinha noção do quanto eu era querido. Eu fui salvo pelo amor e pela fé. Eu fico constrangido por tanto amor e isso aumenta a minha responsabilidade, pois me sinto responsável pelo amor que cativei. Foi uma boa surpresa.

 

RC: Você recebeu uma visita muito especial durante a sua internação. De quem foi?

Alex Passos: Depois que ela foi embora, eu apaguei e assim que eu acordei, eu vi a Ezenete. Nem era horário de visita, mas ela conseguiu entrar na UTI. Quando eu abri os olhos, ela estava ali orando e repreendendo o espírito de morte. Ela dizia: você não vai morrer. Eu então comecei a rir e ela me perguntou se eu sabia quem estava ali. Ela disse: sou eu, sua mãe Ezenete, e você vai orar comigo. Você não está falando, mas você vai concordar. E ela entrou em uma batalha, em uma guerra. E ela disse: hoje é 15 de dezembro e a partir de hoje, chega dessa gracinha do inferno aqui. E eu não vou mais te visitar aqui, vou te visitar em casa. Daqui três dias vai acontecer uma vitória. Passou dia 16, eles começaram a tirar alguns aparelhos, dia 18 eles continuaram tirando os tubos e eu comecei a andar, comer e a falar. Quatro dias depois eu estava indo para o apartamento. Seis dias depois eu estava indo para a casa. Eu passei o natal em casa. Os médicos não entenderam como a recuperação foi tão rápida. 3 dias depois que ela orou eu estava andando. Foi como Lázaro. Um mês depois eu estava andando 22 quilômetros de bicicleta. Foi algo que ninguém conseguia explicar.

 

“Quando acordou a Ezenete estava orando dentro da UTI.

era uma batalha espiritual muito grande e ela me disse:

“chega dessa gracinha do inferno aqui. Daqui três dias vai acontecer uma vitória”

 

RC: Como essa experiência mudou a sua vida?

Alex Passos: Depois de tudo, algo ainda me intrigava. Porque eu tive aqueles pesadelos? E eu comecei a fazer o devocional diário. Mas antes de falar sobre a revelação do porquê dos pesadelos, o motivo principal que eu vim para essa entrevista, além do carinho especial que eu tenho pela Revista Cristã, sou apaixonado pelos seus pais, acompanho a luta deles há muitos anos e sei da credibilidade da Revista. Eu queria trazer essa mensagem e a revelação que Deus me trouxe do porque eu passei por isso. Só dois meses depois que eu saí do hospital que eu fui entender o que Deus queria me dizer. Antes disso, queria reforçar que parte do Alex morreu. Algo que mudou muito foram algumas brechas na minha vida que eu abria. E eu fui curado. Eu tinha um problema sério com palavrão. Eu falava muito e não era exemplo para os meus filhos, meus colegas. Eu tentava me libertar, mas era um vício. E isso gerava muito constrangimento, pois eu vivo num meio cristão e isso era constrangedor para mim e para as pessoas ao meu redor.  Eu acordei sem falar palavrão. Tipo um chip que você. Eu não falo mais e quando alguém fala me incomoda.  Eu tinha um problema com pornografia. Eu não era de ficar vendo, mas era uma luta diária, eu tinha desejo de pornografia o tempo todo. Agora, eu não tenho mais esse problema. Eu percebi que essa quase morte fez nascer um cara diferente em muitos aspectos. Várias coisas mudaram. Deus me trouxe uma direção muito clara sobre minha vida espiritual. Eu não tinha o costume de ir para o quarto orar todos os dias, mas eu comecei a buscar Deus todos os dias, orar todos os dias. 

 

RC: Qual foi a revelação que Deus te deu durante o coma?

Alex Passos: Nesse tempo com Deus, Ele começou a falar várias coisas comigo. Mas eu quero frisar uma principal. Durante os pesadelos, eu tinha a sensação de já ter sido dado como morto e estar fazendo parte de uma tortura, de tráfico de órgãos, algo que envolvia minha família, envolvia pessoas que eu amava e achava que a Karla era a líder. Eu passei por várias fases. Uma fase de tráfico de órgãos humano, depois uma fase onde meus amigos tramavam contra mim, e a última fase onde eu vivi a experiência que eles me mantinham vivo até o limite de morrer e depois eles me ressuscitavam, e eu fui condenado a viver assim. A sensação era de estar aqui na terra, vivendo o inferno em consequência dos meus pecados. Eles me mantinham vivo, mas me torturando física e emocionalmente, com todos os tipos de tortura que você possa imaginar. Era tão “hard” a dor em todos os aspectos que eu procurava a morte, mas eu não conseguia, porque eles me traziam de volta. E Deus me disse: “Alex, eu te fiz sentir isso pra você falar aos quatro cantos, porque a igreja parou de falar sobre o inferno”. Antigamente, falava-se em inferno, em condenação, em tormento, no Apocalipse quando a volta de Jesus estiver próxima, os tempos de tribulação. Ninguém mais fala disso, só se fala da graça de Deus.  Não é anulando a graça, porque sem a graça e a misericórdia de Deus nós estamos lascados, mas a graça foi banalizada. O que parece é que depois que a gente aceita Jesus como salvador, pode fazer o que quiser e não terá consequência. Tem gente vivendo da igreja com pecado de estimação, como se a graça fosse suficiente para aniquilar qualquer tipo de pecado que a pessoa queira cometer de propósito. A graça vai te salvar quando, mesmo você buscando a santidade, você continua sendo um pecador. É aí que a graça entra e não você pecando adoidado, sem buscar santidade e achar que a graça te basta. A igreja perdeu o temor e os pastores não falam mais sobre o inferno porque isso não seduz. A igreja precisa voltar a falar porque estamos vivendo dores de parto. A Bíblia fala sobre a tribulação que os fins dos tempos serão atribulados. Você que está lendo essa entrevista e tem menos de 100 anos, você já viu em alguma fase da sua vida, o mundo passar por uma turbulência como essa? Você acha mesmo que isso não é um sinal do fim dos tempos? Quem não for salvo vai passar por essa tribulação. O que eu quero frisar é que o que Deus me disse foi: “Quem não for salvo vai sentir a dor que você sentiu. Vai passar pelo que você passou. Vai sentir tanta dor que vai querer a morte e não vai encontrar”

 

“E Deus me disse: “Alex, eu te fiz sentir isso pra você falar aos quatro cantos,

porque a igreja parou de falar sobre o inferno. Quem não for salvo vai sentir a

dor que você sentiu. Vai passar pelo que você passou. Vai sentir tanta dor que

vai querer a morte e não vai encontrar” 

 

Hoje, a doença do século é a depressão, a síndrome do pânico. Isso é Disney perto do que vai ser. Quando a pessoa está no auge da depressão, ela dá um tiro na cabeça e pelo menos daquele tormento ela está livre. Agora imagina você viver um tormento tão louco que você vai querer morrer, mas não terá essa escolha. E é isso que Deus me mandou falar. Tem gente que acredita, tem gente que não acredita. Tem gente que acha que eu estava viajando, mas o meu papel é dizer o que eu senti. E eu era aquele tipo de crente, que ao final do culto, quando o pastor fazia o apelo dizendo: “se você não aceitar Jesus você vai para o inferno”, eu achava ruim, falava que era um absurdo fazer terrorismo com o povo. Hoje eu sei que é isso mesmo. Eu estava com saúde num dia e no outro estava morrendo.

 

RC: Qual foi a maior lição que ficou de sua experiência de quase morte?

Alex Passos: Você que está lendo essa entrevista, que está com a sua vida torta com Deus, se ainda não aceitou Jesus como Salvador de sua vida, e se aceitou está meio fraco na comunhão, aceita agora, nesse minuto que você está lendo. Não queira sentir o que eu senti. Antes, eu costumava falar que quando acontecia alguma coisa ruim comigo, eu não desejava isso nem para quem me odiava. Mas hoje, se eu pudesse fazer com que todos que eu amo vivessem a experiência que eu vivi, só pra ter noção da desgraça que é, pra poder acordar. Foi um tormento. Hoje eu sinto que as pessoas estão dormindo, elas perderam a noção do perigo que é ficar longe de Deus e ser condenado. Banalizou a graça, banalizou o inferno, está fácil demais. Nunca foi e nunca será. Hoje eu estou super bem, e uma das coisas boas da doença foi ter emagrecido 15 quilos. Não queira essa dieta, mas me ajudou a emagrecer. Estou consciente de que tenho que levar mais a sério a questão da saúde, me cuidar melhor. E dar valor a pequenas coisas. Ficar na UTI só quem ficou sabe. Hoje quando tomo um copo de água, dou o devido valor. Quando olho para os quadros que tenho na minha parede, 1 milhão de seguidores no Youtube, cidadão honorário, coisas que antes eram medalhas, hoje tem um valor tão pequeno. Porque morreu, acabou, o que vale é a amizade, a cumplicidade, o respeito, o amor, é amar ao Senhor, adorar a Deus. 

 

“Não importa o quanto você se ache santo, ainda tem

santidade para alcançar e coisas novas de Deus pra você.” 

 

RC: Quais são os planos agora que você está totalmente recuperado?

Alex Passos: Tem coisas muito legais para vir esse ano. Estou muito feliz e no final do ano passado lançamos o projeto da Banda Trillo, que é tipo um Tribalistas cristão. Dia 19 de março estamos lançando um clipe da música Jeitinho Down, porque dia março é o mês internacional da Síndrome de Down. A canção é maravilhosa. Estamos lançando também um projeto novo do Thaller Roberto chamado Luz, que tem a participação do Fernandinho. Temos também o projeto novo do Thalles chamado coadjuvante, depois que Deus pegou o Thalles, jogou pra cima, tratou e agora, ele vem com todo o seu talento e com o coração super tratado, pois Deus mostrou pra ele todas as suas falhas. O Preto no Branco volta com clipe novo, música nova. Há algum tempo, tenho recebido todos os dias em meu Instagram @alexbalaio mensagens de muitos artistas amadores pedindo opinião sobre como cantar, fazer clipes, então lancei, no final do ano passado, um curso chamado Ministério Relevante, onde passo um pouco da minha experiência ao longo desses anos todos trabalhando com cantores, para alavancar a carreira de quem quer viver da música e ter um ministério relevante. Dou dicas na área da música em todos os aspectos. E foi de Deus, pois eu ia fazer o curso ao vivo, mas uma semana antes de adoecer, eu resolvi gravar. E enquanto estava hospitalizado, eu fui produzindo as aulas. Antes de adoecer eu tinha um grande projeto, um grande desafio profissional com a pastora Ezenete: o seminário Novo de Novo. Eu fui internado no dia que começou o seminário. Esse ano vamos ministrar esse curso de novo.

 

RC: Qual mensagem você deixa para os nossos leitores?

Alex Passos: Mesmo você que está aí, que é fiel na igreja e que paga um preço de oração, jejue e tenha comunhão com Deus, Ele tem sempre algo novo para você. Isso é fantástico. Não importa o quanto você se ache santo, ainda tem santidade para alcançar e coisas novas de Deus pra você. Por isso, abra seu olho, tenha comunhão com Deus, cuide de sua família, porque estamos vivendo tempos difíceis. Hoje, eu tenho preocupação não somente com as pessoas que eu amo, mas com todas as pessoas com relação a ser salvo e ter um relacionamento real com Deus, pois eu aprendi que quem for ficar depois da volta de Cristo, não faz a mínima ideia do que vai passar. Por mais que esteja escrito, os pastores precisam, voltar a falar sobre o inferno, precisam estudar sobre o Apocalipse e escatologia. Não importa se pessoas sairão da igreja. O que importa é alertar sobre o que está por vir.

alex passos e sua família
Alex, sua esposa Karla e os filhos João Pedro e Matheus (Foto: Repredução / Instagram)