A nova onda da pandemia provocada pela variante ômicron tem feito com que muitos órgãos públicos decidam pelo cancelamento das festividades de Carnaval em 2022. Instituições e festas particulares ainda resistem a mudar os planos, mas é provável que a realidade se imponha e mais um ano se passe sem os tradicionais blocos de rua, desfiles de escolas de samba e outros eventos tão comuns para esta época do ano.

Do lado das igrejas, muitos tradicionais retiros entram na roda e, se não ameaçados, nem foram cogitados para este ano. 

A situação, porém, abre um leque de novas possibilidades para que igrejas utilizem sua criatividade e aproveitem o período para falar do (e praticar o) Evangelho para alcançar aqueles que mais precisam conhecê-lo.

Conheça, neste texto, algumas sugestões.

Engaje-se em ações de voluntariado

ações sociais

No livro de Isaías, capítulo 58, o profeta é voz para duras palavras do Senhor contra aqueles que frequentavam a Casa de Deus e consideravam-se santos por jejuar, enquanto agiam pecaminosamente em diversas outras frentes de suas vidas (inclusive jejuando, preocupando-se apenas com as suas próprias demandas). 

Nos versos 6 e 7, porém, ele indica o que seria o verdadeiro jejum que agrada ao Senhor, com obras que ponham em liberdade os oprimidos e despedacem todo o jugo.

Entre elas estão indicações valiosas do que podemos fazer com nosso tempo durante este período de Carnaval (e durante o resto do ano):

Partilhar alimentos

montando cesta básica

Pesquisas como o VIGISAN, Inquérito Nacional sobre Insegurança Alimentar no Contexto da Pandemia da Covid-19 no Brasil, apontam que cerca de 9% dos brasileiros vivem hoje com fome no País. O número parece pequeno, mas, colocado em perspectiva, dá o real tamanho do problema: quase 20 milhões de pessoas não têm o que comer com regularidade em nossa Nação.

Sem deixar de considerar o trabalho de milhares de irmãos que atuam incansavelmente para mitigar este problema todos os dias, já pensou no impacto que teríamos caso mais crentes dediquem-se a ajudar nessa frente durante o período do carnaval?

O auxílio pode ser de várias formas: comprando, organizando logística de entrega, participando das entregas, cozinhando e servindo os menos favorecidos, enfim. Há muito a ser feito.

Acolher o pobre desamparado

Se não bastasse ter tanta gente sem comer, um levantamento da FGV Social apontou que o número de pessoas vivendo abaixo da linha da pobreza — aquelas que têm renda mensal per capita (por pessoa) inferior a R$ 469 — no Brasil chega a 28 milhões de pessoas. 

Só para se ter uma ideia, em novembro de 2021, o Dieese apontou que o preço da cesta básica chegava a mais de R$ 700 em Florianópolis, seguida de perto por outras capitais, como São Paulo. Ou seja, uma única cesta básica custa mais que a quantidade de dinheiro que muita gente consegue ganhar por mês.

Existem muitas possibilidades para quem deseja atuar nesta frente: doação de cestas básicas, roupas, itens de necessidade básica, e por aí vai. 

Abrigar o sem teto

homem pobre dormindo no chão

Além dos dados que vimos acima, cerca de 33 milhões de pessoas não possuem uma habitação adequada ou não têm onde morar no Brasil, segundo um relatório lançado em 2021 pelo Programa das Nações Unidas para Assentamentos Humanos. Deles, aproximadamente 24 milhões vivem em centros urbanos.

Somado a isso, segundo o IPEA (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), mais de 221 mil pessoas viviam em situação de rua no País antes da pandemia, número que provavelmente cresceu muito nos últimos anos.

Resolver este problema não é fácil e nem acontecerá num simples feriado. Porém, o primeiro passo precisa ser dado, e existem plataformas de voluntariado como a TETO Brasil, que desenvolvem campanhas para a construção de moradias para os menos afortunados.

Não recusar ajudar o próximo 

mãos

Para que este tópico seja cumprido, é importante manter o coração aberto: afinal, não sabemos exatamente qual a necessidade real do irmão que está ao nosso lado. 

O que devemos fazer é auxiliar onde a pessoa precisa, não onde achamos que dará mais resultado. Esteja aberto a ouvir e a contribuir em áreas diferentes das que citamos aqui.

“Bônus”: aproxime-se de um amigo não-cristão.

Encerrando este texto, uma sugestão que atinge a igreja no nível individual: procure se aproximar mais de alguém que não conhece o Senhor neste período. 

Na hora de falar, busque a Deus por estratégia e sabedoria, evitando criticar todos os gostos da pessoa e focando nas vantagens de aceitar Jesus como Senhor e Salvador de sua vida. Os dias não estão fáceis para ninguém e, poder ouvir uma palavra de consolo e esperança, fará muito bem a qualquer um.