Caso você se encontre com irmãos de diferentes idades, não será difícil perceber que cada um tem certa dificuldade em romper com o apreço às composições musicais de certas épocas específicas.

É como se, ingenuamente, ou até mesmo de forma ignorante, só tivesse valor aquelas músicas compostas dos anos x até y, por fulano ou ciclano. 

Acabamos por limitar a escolha de repertório para se ouvir e cantar, a um tempo, local e uma lista de compositores por diversos motivos: na maioria das vezes, no final das contas, apenas por preferência pessoal. 

De um lado está a nova geração, que é presente no corpo da igreja. Principalmente na fase da adolescência, que quer romper com tudo que foi e está sendo cantado na igreja. Querem cantar os últimos lançamentos, com o estilo musical mais popular do momento. 

Do outro lado, normalmente jovens até aos anciãos, com um sentimento saudosista. Aqueles que exaltam e preservam os cânticos antigos, que cantavam em sua juventude ou que seus pais, ou os pais de seus pais cantavam. 

Entre estes grupos, encontramos os argumentos a favor das músicas favoritas e as críticas às malvistas: 

  • Só cantam músicas de velho.
  • Essas músicas são muito pra baixo. 
  • Gostamos de músicas mais animadas. 
  • Gostamos de músicas mais espirituais. 
  • O melhor é ‘aquele’ estilo musical para se cantar e tocar no culto
  • Deveríamos cantar só os hinos (Harpa, Cantor Cristão, Novo Cântico, etc.) 
  • As músicas de hoje são só bagunça e não tem letra boa.
  • Repetem muito as letras e fica muito enjoativo. 
  • Só cantam músicas melancólicas 

E estas são só algumas das muitas falas e comentários que ouvimos nos ensaios, nos bancos durante ou depois dos cultos, nas conversas informais, ou nas rodas de louvor em células e grupos de estudo. Se você tem um espírito jovem, buscará as novas tendências. Se saudosista, se agarrará ao passado e desprezará tudo que é contemporâneo.

Fato é que mostramos nossa finitude quando pensamos dessa forma. Damos valor e significado somente ao que queremos, e o que de alguma forma está mais próximo de nós, em que temos mais familiaridade. Temos muita dificuldade em romper com o tempo que nos rodeia. 

Ao escrever, deixo claro o exagero, para refletirmos. Afinal, sei que existem pessoas e igrejas que buscam conciliar e amenizar essas distâncias. 

E tudo é questão do tempo em que vivemos. E é desse tempo que precisamos desenvolver uma boa leitura, para que consigamos encontrar o equilíbrio na escolha de músicas que ouviremos, cantaremos e tocaremos. 

Em minha adolescência por exemplo, o que gostávamos de tocar e cantar, eram músicas mais animadas, cheias de arranjos de guitarra e uma bateria vibrante. A geração de hoje parece gostar de músicas mais calmas, com os efeitos de pads, os reverbs e delays da guitarra. 

Tive contato com uma geração que achava que o rock era “coisa do inimigo”, outra que vibrava e só queria usar o gênero, e ainda outra que não fazia muita questão, pois já havia deixado de ser popular. 

Tive contato com irmãos que desprezavam completamente as músicas mais agitadas, mas amavam as canções de estilos como o caipira, sertanejo, samba etc (só não podia falar que esses estilos musicais eram “mundanos”). Uns que detestam o worship com muito preconceito, enquanto outros não conseguem tocar ou cantar músicas que saem desse padrão de ritmo e sonoridade. 

Trouxe todos esses exemplos para deixar bem claro que o que existe é o problema com o tempo, com a época, com a geração. Não podemos nos limitar a isso! O problema não é ter uma preferência musical, mas sim, não dialogar, não aceitar, não experimentar as diferentes sonoridades, timbres, arranjos, gêneros e estilos que surgem inevitavelmente no decorrer do tempo. 

Se tem algo que não podemos negociar é o compromisso com a verdade da Palavra de Deus. Sejam músicas antigas ou novas, animadas ou calmas, com muitos instrumentos ou poucos. O que temos que ouvir e cantar são músicas que tem um compromisso com a Bíblia. Canções que não sejam louvor ao homem, às riquezas, à fama e à toda vaidade humana. Que sejam canções que exaltem o nome de Deus, preguem o Cristo Ressurreto e o agir do Espírito Santo, nos levando a vida de entrega, humildade e arrependimento diante de Deus. 

homem lendo a bíblia próximo a um violão

No demais, no quesito estilo, é ter uma boa leitura do perfil da igreja, do tempo em que se vive e tentar mesclar os estilos, dinâmicas e grupos instrumentais que se usam para que irmãos de diferentes idades e culturas possam sentir o prazer de cantar em louvor a Deus. O jovem precisa aprender os hinos antigos e o ancião precisa aprender que o worship (estilo do momento) tem muito a contribuir com a liturgia da igreja. Sem pré-conceitos! E sem perder os valores! 

Na Bíblia, encontramos um jovem que não quis dar ouvidos a uma geração mais experiente (2º Crônicas 10:8 – Roboão) e um ancião que não se preocupou em se relacionar, educar e promover a nova geração formando um líder sucessor (Josué). Em ambos os casos, quem sofre é o povo de Deus! 

Temos muito a ganhar se entendemos que Deus agiu e age em todo o tempo de existência do Seu povo. E em todo tempo inspirou, desde os primeiros cânticos compostos na história da igreja até a última leva de composições contemporâneas, os Seus filhos a criarem, e usarem seu talento e habilidades para Seu louvor. Imagina quanta riqueza tem guardada em todo esse tempo? Quantas músicas maravilhosas já foram compostas e quantas ainda serão? 

Se tivermos discernimento para encontrar e escolher, desfrutaremos do que Deus – que não é um Deus de ontem, hoje ou amanhã, mas de sempre e sempre – inspirou homens e mulheres a compor!