“Pois recebi do Senhor o que também entreguei a vocês: Que o Senhor Jesus, na noite em que foi traído, tomou o pão e, tendo dado graças, partiu-o e disse: “Isto é o meu corpo, que é dado em favor de vocês; façam isto em memória de mim. Da mesma forma, depois da ceia ele tomou o cálice e disse: “Este cálice é a nova aliança no meu sangue; façam isto sempre que o beberem em memória de mim”. Porque, sempre que comerem deste pão e beberem deste cálice, vocês anunciam a morte do Senhor até que ele venha. Portanto, todo aquele que comer o pão ou beber o cálice do

Senhor indignamente será culpado de pecar contra o corpo e o sangue do Senhor.” I Coríntios 11: 23 – 27
Na nossa última coluna falamos sobre a páscoa, e quando estudamos sobre o assunto vemos o apóstolo Paulo falando a respeito da festa do amor, a qual em grego, o nome que se dava era Ágape. Os cristãos seguiram fazendo essa confraternização, imitando o que aconteceu na noite em que Jesus foi traído, onde durante a festa da páscoa, Ele estabeleceu a ceia do senhor, e assim a igreja apostólica seguiu o mesmo padrão e os cristãos se reuniam com o objetivo de celebrarem juntos, onde teriam uma refeição, e em seguida, ministravam a ceia do senhor.

Mas infelizmente, nessas reuniões aconteciam muitas injustiças, cada um trazia seu próprio alimento e também um alimento para dividir com os pobres da igreja, mas alguns comiam antes dos pobres, e assim, eles acabavam ficando sem comer. Havia então uma frustração e todo tipo de sentimento ruim, e em algumas dessas situações, aconteciam divisões e até disputas, que marcaram essas reuniões da igreja de Corinto. Paulo, então, lhe ensina, e diz que aquilo que eles estavam celebrando não era a Ceia do Senhor, e que aquelas reuniões, na verdade, estavam fazendo mais mal do que bem. A partir disso, ele dá algumas orientações para a igreja de Cristo. Veremos então o princípio teológico que ele emprega para resolver de vez aquela situação.

O princípio fundamental e único é que Cristo é o centro da ceia, e era exatamente isso que estava sendo perdido, pois eles estavam focados em comer e beber, focados nas discussões e ignorando uns aos outros. Assim, Cristo já não era mais o centro da ceia, e ela não fazia o menor sentido como o apóstolo Paulo nos ensina.

Ao lermos a passagem, percebemos uma orientação de Paulo, onde ele diz que recebeu do Senhor a doutrina da ceia, como está escrito no verso 23: “Pois recebi do Senhor o que também entreguei a vocês”. Aqui, é um padrão de receber e entregar, Paulo usa esses termos para deixar muito claro que não foi ele que inventou o que ele iria dizer, mas que o que ele entregaria aos Coríntios, era algo que ele recebeu do Senhor Jesus, por revelação direta ou por meio do ensino dos cristãos que já existiam antes de Paulo. O que importa é que Paulo, como apóstolo de Cristo, era o canal de transmissão da verdade de Deus para a igreja.

E assim ele diz: “E eu recebi o que entreguei”, eu não editei, eu não aumentei, e não diminui, como fiel despenseiro, eu passei apenas aquilo que eu ouvi. Essa era a função dos apóstolos, estabelecer fielmente a verdade que eles tinham recebido do Senhor Jesus Cristo para o bem da igreja.

E assim o texto continua no final do verso 23: “Que o Senhor Jesus, na noite em que foi traído, tomou o pão…”. O fato de que Jesus foi traído, já aponta que Ele é o centro da celebração, e que a traição de Judas deve ser lembrada, como o fato de que Jesus foi entregue por meio de uma atitude carnal daquele que era filho do Diabo. Temos que ter tudo isso em mente, mas o mais importante é que os elementos apontam para a pessoa de Cristo e para a Sua obra.

No verso 24 vemos: “e, tendo dado graças, partiu-o e disse: “Isto é o meu corpo, que é dado em favor de vocês; façam isto em memória de mim”. O pão, portanto, representa o corpo de Cristo, nada mais do que isso, mas também nada menos. Quando Cristo diz: “isto é o meu corpo”, essa expressão causou muita polêmica na igreja, e a interpretação dela causou ainda mais polêmica, especialmente depois da reforma protestante. Os reformadores estavam de acordo com muitas coisas, na verdade com quase todas, mas na questão da ceia é que houve a primeira grande discussão e a primeira grande divisão em torno da interpretação dessa expressão de Cristo.

Aqui, Paulo finalmente está transmitindo, “e isto é o meu corpo”. Lutero entendia que isso deveria ser interpretado literalmente, que o pão é o corpo de Cristo, não no sentido da Igreja Católica Apostólica Romana, pois todos os reformadores rejeitaram a doutrina Católica da transubstanciação, onde o pão e os elementos se transformavam, verdadeiramente, no corpo e no sangue de Cristo, mas Lutero entendia que não se podia espiritualizar essa passagem, então, ele chegou a doutrina que a gente chama de consubstanciação, onde Cristo estava fisicamente presente nos elementos, mas não a ponto de que os elementos se transformavam, como na doutrina Católica.

Temos na declaração de Jesus, no verso 24 ainda, que nos diz: “Isto é o meu corpo, que é dado em favor de vocês”, parafraseando Jesus, o meu corpo que é entregue como sacrifício e como oferta a Deus no lugar de vocês. Vocês que deveriam morrer naquela cruz, vocês que deveriam ser sacrificados, porque vocês são os pecadores. Assim, Cristo nos substituiu e morreu na cruz em nosso lugar, e é isso que o pão representa.

Ao final do verso 24 Ele diz: “façam isto em memória de mim”, e com isso, Cristo instituiu essa celebração como permanente na igreja. Devemos celebrar a ceia em memória de Cristo, para nos lembrarmos constantemente daquilo que Ele fez na cruz. E podemos nos perguntar: mas qual a necessidade disso? Deus conhece a nossa fraqueza, e Ele sabe que nós somos muito visuais, e que o visual nos ajuda a memorizar as coisas. E por isso, Deus estabeleceu para a igreja duas ordenanças, dois sacramentos que são uma espécie de ajuda visual para a nossa fé. A primeira é o batismo, que vem com água, que significa um novo nascimento, uma regeneração, e o segundo é a Ceia do Senhor.

No verso 25 temos: “Da mesma forma, depois da ceia ele tomou o cálice e disse: “Este cálice é a nova aliança no meu sangue; façam isto sempre que o beberem em memória de mim”. Alguns pontos são importantes aqui. Primeiro: Cristo disse que o cálice que Ele repartiu entre os discípulos como parte da celebração da Ceia do Senhor, era a nova aliança, um sinal da nova aliança, e assim, um selo dessa aliança.

O ponto fundamental do que Paulo ensinava a igreja de Corinto, era como a Ceia aponta para o sacrifício de Cristo, para a Sua morte. E porque isso é importante? Porque os coríntios estavam perdidos, quando eles se reuniam e se banqueteavam e brigavam entre si e desprezavam uns aos outros, eles não tinham condições espirituais apropriadas para tomarem o pão e o cálice, pensando na obra de Cristo e discernindo a presença de Cristo ali.

E para concluirmos, temos o verso 26 e 27 que diz: “Porque, sempre que comerem deste pão e beberem deste cálice, vocês anunciam a morte do Senhor até que ele venha. Portanto, todo aquele que comer o pão ou beber o cálice do Senhor indignamente será culpado de pecar contra o corpo e o sangue do Senhor”. Assim, vemos que a Ceia não somente fala da morte de Cristo, mas fala também da Sua ressurreição e da Sua segunda vinda, por isso, ela é um momento de alegria, de celebração e, principalmente, um momento de gratidão.

Temos muito que aprender com esse texto, mas o mais importante, é nunca nos deixarmos ser como o povo de corinto, que se esqueceu da importância da celebração da Ceia, e qual era seu foco principal.
Temos sempre que olhar para Cristo e termos Ele como nosso foco!