Ao pensarmos na criação lembramos das árvores, mar, animais e o homem! Porém, esse componente tem uma enorme importância nessa obra de Deus: o som! Ele estava presente na criação por meio da Palavra e Deus nos deu, como criaturas feitas à Sua imagem e semelhança, a condição de usar, manipular, construir, condicionar, tocar e sermos tocados e transformados por ele.

É incrível pensar que Deus criou os ouvidos e com ele a audição, um dos primeiros sentidos a serem desenvolvidos plenamente ainda dentro da barriga da mãe, para poder apreciar, conhecer e criar afetos.

Comprovado cientificamente, o bebê, em sua vigésima primeira semana de gestação, pode ouvir e reconhecer, dentro de uma mínima dimensão de tempo devido aos picos de onda conduzidos pelos líquidos no útero, a voz da mãe que, por sinal, será a voz que lhe acalmará e lhe dará a sensação de segurança.

Quando pensamos em música, pensamos em sons que nos agradam! E é assim que muitos livros de teoria musical vão definir a música: “É a arte de organizar os sons de forma agradável aos ouvidos”. Se você parar para se atentar aos vários estímulos sonoros que recebe, vai entender o quão preciosa é essa arte, que organiza sons e que pode, em sua grandeza, trazer a consciência do que é Divino para nosso dia a dia com as mais belas melodias e harmonias.

Quando cantamos ou tocamos, estamos lidando, conscientes ou não, com quatro propriedades básicas do som: ALTURA, DURAÇÃO, INTENSIDADE E TIMBRE. Quem melhor as domina e organiza, consegue, consequentemente, um melhor resultado sonoro do que produz.

Vou apresentar essas propriedades, brevemente, com uma aplicação do contexto musical da igreja.

A primeira das propriedades do som é a altura

Essa altura não tem a ver com volume do som, e sim, com qual é a frequência produzida. Quanto maior a frequência de ondas sonoras, mais AGUDO é o som! Quanto menor a frequência, mais GRAVE é o som! É comum usar as expressões “fino” para o agudo e “grosso” para o grave.

Quando transitamos dos sons agudos para os graves, temos o movimento que nos dá a noção de altura! Use sua imaginação para lembrar de um efeito sonoro para um objeto caindo usado nos filmes – deu certo?

O som vai do agudo para o grave – o som está descendo. Agora, imagine uma moto pegando velocidade – seu som vai do grave ao agudo – o som está subindo.

As notas musicais são frequências regulares definidas (Dó – Ré – Mi – Fá – Sol – Lá – Si). Elas se repetem dispondo do GRAVE ao AGUDO. Quando juntamos essas informações, entendemos, por exemplo, o que os cantores querem dizer sobre “DESCE O TOM” OU “SOBE O TOM” – é preciso que se faça um ajuste SUBINDO (indo para o agudo) ou DESCENDO (indo para o grave).

propriedades do som - partitura
Partitura

Para quem deseja ler partitura, a noção da altura nos ajuda a entender a partitura como um gráfico, que mostra os movimentos de cada nota do grave ao agudo e vice-versa.

Vamos à segunda propriedade do som: duração

Estamos falando agora sobre o quanto esse som soa ao ser tocado ou cantado – se é LONGO ou CURTO.

Para medirmos usamos a PULSAÇÃO, uma batida constante e exata contida em toda e qualquer música. Com a pulsação, conseguimos saber se os sons duram 4, 3, 2, 1 (etc) tempos. É legal pensar que as músicas lentas tendem a utilizar sons mais longos, enquanto as músicas rápidas, sons mais curtos.

O metrônomo é um aparelho que através de pulsos (sonoros) de duração regular, indica um andamento musical.

Na escrita musical, utilizamos as figuras para demarcar qual o tamanho da duração do som. Para a comunicação na igreja, a contagem dos tempos é de extrema importância para entrosar os instrumentistas e cantores!

A terceira propriedade do som é a intensidade

É a propriedade que faz a música ter vida! Intensidade se refere à força aplicada ao instrumento para que se produza um som FORTE (f)ou PIANO (p) – do Italiano SUAVE. Quando aprendemos a trabalhar com a variação da intensidade do som, construímos a DIN MICA MUSICAL. Essa dinâmica faz cada nota soar com muito mais beleza! Vale a pena reforçar a noção de INTENSIDADE e DIN MICA nos ensaios e performances com os “crescendos” e “descrescendos” para tornar tudo mais vivo e menos robótico (sem vida).

A quarta e última propriedade é o timbre

Os métodos costumam conceituar o timbre como sendo “a cor do som”. O timbre do instrumento ou voz é formado pelo material que o produz. Se pensarmos no violão, por exemplo, podemos perceber a caixa de ressonância que possui, o tipo de encordoamento e outros vários fatores que alteram seu som. Se pensarmos na voz humana, sabemos que é constituída por um complexo conjunto de ossos, músculos e nervos e que se modifica com o tamanho da laringe, faringe, pregas vocais etc.

Exemplificando, temos timbre de guitarra, violão, teclado, saxofone, violino, timbre da voz do pai, mãe, cantor um, cantor dois e assim por diante. Alguns instrumentos requerem ainda um domínio maior no que se refere aos timbres, como é o caso dos tecladistas e guitarristas por exemplo, para saberem escolher qual melhor timbre para cada música a ser executada. Os grandes compositores, precisavam conhecer os mais diferentes timbres para usá-los da forma correta e no momento correto! É um universo infinito de possibilidades!

propriedades do som - um menino ouvindo música em um headphone

Costumo dizer que um bom músico, que possui uma boa musicalidade, sabe utilizar essas quatro propriedades do som.

E o mais importante: um bom músico cristão sabe usá-las com sensibilidade para que produzam o som que comunicará a Glória de Deus a quem escutar.

Precisamos investir na formação de nossos músicos. Se entendermos o valor e o poder que a música tem na comunicação da mensagem do Evangelho, investiremos para capacitá-los a serem instrumentos nas mãos de Deus para comunicar os preceitos do Seu Reino Eterno!