É muito comum hoje em dia encontrarmos cristãos na universidade que se sentem exatamente assim: um peixe fora d’água. Parece que o ambiente acadêmico não foi feito para pessoas que têm fé em Jesus e muitos se sentem extremamente constrangidos em anunciar publicamente esse fato.

O constrangimento, de alguma forma, também é fomentado pelos estudantes não cristãos. Muitos deles também pensam que universidade e fé cristã são completamente incompatíveis.

Esse ambiente que é gerado em torno da fé na universidade tem consequências muito graves, como por exemplo, a falta de ousadia na pregação do Evangelho. Enquanto falta ousadia, sobra esforço para justificar o fato de ser universitário e ao mesmo tempo acreditar em Deus e em Sua Palavra. Às vezes o cristão quase tem que pedir desculpas por tamanha desproporção. Além disso, quando o cristão se sente num ambiente que não é seu, fica vulnerável e propenso a negar a fé para se manter coerente com o pensamento secular que domina a universidade.

Contudo, nada poderia estar mais errado. Nenhum cristão deve se sentir peixe fora d’água no ambiente acadêmico. Pelo contrário, ali é seu habitat natural, é um local que tem muito mais relação e coerência com suas crenças do que com a cosmovisão daqueles que não tem fé em Jesus.

Isso porque as universidades surgiram a partir do desejo de cristãos piedosos de conhecer mais a Deus e sua criação. Como diz Vishal Mangalwadi, “nem o colonialismo nem o comércio disseminaram a educação moderna ao redor do mundo. Soldados e comerciantes não educam. A educação foi uma empreitada missionária cristã. Foi parte integral das missões cristãs, porque a educação moderna é um fruto da Bíblia. A reforma bíblica, nascida em universidades europeias, tirou a educação dos mosteiros e a disseminou por todo o mundo”.

Foram nossos irmãos na fé que deram início às universidades e reconheceram a importância de adquirir e disseminar o conhecimento, sempre com o firme propósito de glorificar a Deus e crescer no conhecimento de quem Ele é e o que Ele faz.

As principais universidades do mundo foram criadas exatamente com essa finalidade. Isso é bem demonstrado em artigo publicado pelo Reverendo Augustus Nicodemus, onde ele nos mostra, por exemplo, que a importante Universidade de Princeton, nos Estados Unidos, foi fundada em 1746 a pedido de irmãos presbiterianos que queriam promover a educação juntamente com a religião reformada.

Da mesma forma, a Universidade Livre de Amsterdam, uma das melhores do mundo, foi fundada em 1881 pelo cristão e Primeiro-Ministro da Holanda Abraão Kuyper, baseada em princípios e valores reformados.

A conhecida Universidade de Havard, fundada em 1643 tem redigida a seguinte declaração de missão e propósito da educação: “Cada estudante deve ser simplesmente instruído e intensamente impelido a considerar corretamente que o propósito principal de sua vida e de seus estudos é conhecer a Deus e a Jesus Cristo, que é a vida eterna, (João 17.3); consequentemente, colocar a Cristo na base é o único alicerce do conhecimento sadio e do aprendizado”.

Portanto, se você é um cristão na universidade, sinta-se em casa. Pregue a Palavra com alegria e disposição, certo de que você faz parte de uma instituição criada por irmãos na fé. E vá além: cumpra o propósito de Deus ao criar as universidades. Quer você seja um estudante de Biologia, Psicologia, Teologia, Direito, Medicina, Engenharia ou qualquer outro curso, estude não apenas para ganhar um diploma ou ficar rico, mas para glorificar a Deus através do conhecimento de quem ele é e daquilo que ele faz.