Há muito a ser explorado e refletido para que hoje eu e você, querido leitor, possamos usufruir da bênção da arte em suas várias dimensões. Especificamente falando da música, existem muitas discussões, dúvidas, limitações e má compreensão, que afetam nossa forma de entender o que se pode ou não fazer, tocar, apreciar, ouvir ou cantar.

Certamente você já ouviu ou fez perguntas do tipo: “Cristão pode ouvir música do mundo?”, “É pecado ouvir música secular?”, ou “pode ter determinado instrumento na igreja?”, “Podemos tocar qualquer estilo de música dentro da igreja?”. 

Gostaria de refletir um pouco sobre essas e outras perguntas e, sem a pretensão de dar uma resposta final a toda discussão, sugerir algumas compreensões bíblicas para ampliarmos nossa noção do que Deus nos inspira a compreender, ser e fazer. 

O universo da arte é fascinante e intrigante! Quanto mais contemplamos, mais admiramos e somos impactados. Essa admiração alinhada com a perspectiva divina da Criação, onde Deus é o maior artista do Universo, nos eleva e nos inspira a buscar e criar artes de padrões que comuniquem cada vez mais quem Deus é, com toda Sua beleza, amor, justiça e santidade.  

Sabemos que o pecado manchou a criação de Deus. Contudo, Deus planejou um meio de redimir Sua Criação! Deus também banhou a humanidade com bênçãos incontáveis para que fosse possível viver neste mundo. É o que se chama na Teologia de “Graça Comum”, destinada a espalhar a bondade, o cuidado, a justiça, a inteligência e a capacidade de criar, a todo ser humano como forma de revelar quem Deus é! 

A bondade de Deus se estende a todos: “O Senhor é bom para todos; a sua compaixão alcança todas as suas criaturas”, (Salmos 145:9). Uma outra referência maravilhosa neste sentido é a que se encontra em Tiago 1:17: “Toda a boa dádiva e todo o dom perfeito vem do alto, descendo do Pai das luzes, em quem não há mudança nem sombra de variação”.

O fazer musical, assim como todas as demais expressões artísticas de qualidade, foram e são regidas pela “Graça Comum”. Um fato interessante é que o primeiro relato bíblico de alguém enchido pelo Espírito de Deus, foi de um artista! Isso é incrível! Veja o que diz em Êxodo 31:2: “e o enchi do Espírito de Deus, dando-lhe destreza, habilidade e plena capacidade artística”. Na ocasião, Deus assim o fez para que pudesse executar as obras artesanais do Tabernáculo com excelência e beleza! 

Quando começamos a entender que toda obra que representa o que é bom, justo, honesto, belo e outras várias virtudes, é reflexo de quem Deus é, pois Ele mesmo inspira e capacita, temos um desafio: como lidar com a divisão entre música (e toda arte) que “é de Deus” e a que “é do mundo”, a famosa dicotomia do que é sagrado e o que é profano? Qual deve ser o critério para escutar música gospel e não gospel? Creio que a resposta está em Filipenses 4:8: “Finalmente, irmãos, tudo o que for verdadeiro, tudo o que for nobre, tudo o que for correto, tudo o que for puro, tudo o que for amável, tudo o que for de boa fama, se houver algo de excelente ou digno de louvor, pensem nessas coisas”. 

música secular é pecado

Essa divisão, principalmente irrefletida, nos impede de apreciar em grande potencial as expressões artísticas que acontecem por todo lugar. Quando precisamos de algum serviço, seja qual for – relacionado à alimentação, vestimenta ou saúde – ou até mesmo os de entretenimento e lazer, não costumamos rotular de cristãos ou não cristãos. O critério é se o serviço é bom, funcional e prático. 

Nós Cristãos, servos de Deus e expectadores da Eternidade, podemos expandir nosso campo de alcance não só como agentes passivos, mas ativos do Reino de Deus por meio da arte! Para isso, precisamos conhecer quem Deus é, o que Ele fez por meio do Seu filho Jesus e como Ele age por meio do Espírito Santo. 

Assim, nossas experiências serão marcadas pela grandeza de Deus, que nos transformará e assim, poderemos compartilhar dessa transformação com o mundo a partir de sons, melodias, harmonias, poesias, cores, texturas e formas.