Escrevendo aos Coríntios acerca da imoralidade sexual, o apóstolo Paulo deixa uma mensagem que transcende para outras áreas de nossa vida cristã: “Acaso não sabem que o corpo de vocês é santuário do Espírito Santo que habita em vocês, que lhes foi dado por Deus, e que vocês não são de vocês mesmos?“ (1 Coríntios 6:19).

Extrapolando o contexto e o objetivo primário da mensagem, podemos extrair muitas observações valiosas deste versículo, e uma delas diz respeito à saúde. É responsabilidade do cristão cuidar do corpo terreno que recebemos do Senhor da mesma maneira que devemos zelar por nosso espírito.

E é aí que entra a importância de iniciativas como o Outubro Rosa, movimento internacional de conscientização para o controle do câncer de mama, o tipo que mais atinge mulheres de no mundo. 

outubro rosa

O que é o Outubro Rosa

Criado no início da década de 1990 pela fundação norte-americana Susan G. Komen for the Cure, o Outubro Rosa pretende voltar os olhos da comunidade para a doença e promovendo  conscientização, compartilhando informações úteis, dando maior acesso a serviços de diagnóstico e de tratamento e contribuindo para a redução da mortalidade, que hoje gira em torno de 16,4%, de acordo com o Instituto Nacional do Câncer (INCA).

A data ganha ainda mais relevância quando colocada em perspectiva. Segundo dados do INCA, órgão ligado ao Governo Federal, o câncer de mama foi o tipo de câncer mais comum entre as mulheres brasileiras em 2020, com 66.280 casos novos, 29,7% do total.

A doença também pode atingir os homens, mas em escala menor. No Brasil, cerca de 1% deles — em relação à quantidade de mulheres — pode vir a ter câncer de mama.

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Câncer de mama tem cura

A engenheira Beatriz Bernardes é uma das mulheres que entraram para a estatística de atingidas pelo câncer de mama em 2017. Casada, com três filhos e duas netas, ela conta que a descoberta se deu por acaso, graças a um sintoma que, de maneira geral, não seria interpretado como algo ligado a câncer: dores nas costas.

“Fui diagnosticada em 2017, quando comecei a sentir fortes dores na coluna. A ressonância magnética acusou microfissuras em algumas vértebras, e a investigação mais apurada derivou no câncer de mama com metástase óssea”, explica.

O tratamento de Beatriz incluiu sessões de radioterapia, quimioterapia e uma mastectomia, que é o nome que se dá para a retirada cirúrgica de toda a mama. Ela afirma que o apoio da família e amigos foi fundamental.

“O que mais [me] marcou foi viver de perto a experiência da finitude da vida. O quanto somos frágeis. Podemos nos deparar com situações e vivências que nos mostram que não estamos no controle. Sou católica. Acredito que a vivência da espiritualidade permitiu que eu fizesse a travessia de forma mais suave. Fui conduzida por Deus durante todo o processo. [Me] senti imensamente amada por Ele”, continua a engenheira.

Agora curada, aos 54 anos, Beatriz fala sobre a importância do Outubro Rosa. “É sempre uma oportunidade de retomar os propósitos dos cuidados com a saúde, a efetivação dos exames regulares. A procura de fazer uma caminhada, um percurso mais equilibrado”, comentou.

O exame periódico é um aliado da mulher contra o câncer de mama

Organizações que atuam no combate ao câncer explicam que, quanto antes o tratamento for iniciado, melhor, já que os índices de cura chegam a 95% quando o tumor é detectado ainda em estágio inicial (com menos de 1 centímetro).

Por isso é importante que mulheres acima de 40 anos de idade ou que possuam histórico da doença na família façam acompanhamento médico constantemente, realizando o exame de mamografia anualmente.

Além disso, em casa, as mulheres de todas as idades podem sempre se cuidar, com autoexames e busca ativa por sinais, que podem incluir caroços perceptíveis ao toque na mama ou na axila, e ainda:

  1. Deformações na mama, como inchaços e outras alterações no tamanho ou formato;
  2. Secreção líquida (que não seja leite de amamentação) saindo pelos mamilos;
  3. Vermelhidão, coceira ou ardência ao redor do mamilo, causando irritação;
  4. Pequenas feridas, lesões, dores ou alterações na textura da mama e região das axilas;
  5. “Afundamento” ou retração do bico do seio;
  6. Veia dilatada ou aumentando de tamanho na mama;

Porquê cristãos devem se preocupar com isso?

Como vimos no início deste texto, a Palavra de Deus nos estimula a cuidar do templo, que é nosso corpo, mas podemos ir além. Vários dos ensinamentos transmitidos por Deus e registrados no livro sagrado têm como objetivo contribuir com a saúde de seu povo. Com a nossa saúde.

outubro rosa - mulheres com roupa rosa orando

É importante que as igrejas conversem sobre temas ligados à qualidade de vida e o equilíbrio na rotina. Que falem sobre maneiras de se alimentar melhor, que tragam conscientização sobre doenças, que realizem programas de incentivo a exercícios físicos, enfim. Todos esses tópicos fazem parte de uma jornada que alegra o Senhor e devem ser abordados.