Entre os dias 6 e 21 de maio o mundo viu, mais uma vez, Israel e Palestina se atacarem. Milhares de foguetes dos dois lados foram lançados durante o período.

Como resultado, centenas de pessoas foram mortas e feridas nesses quinze dias de conflito. Pouco tempo depois, numa época que serviu como pano de fundo inclusive, um filme sobre a rivalidade entre os povos foi lançado no cinema internacional.

“Oslo” é o nome da nova produção da HBO que faz um recorte da história da eterna guerra entre Israel e Palestina. Situado em 1993, o roteiro do longa-metragem conta os acontecimentos reais em que autoridades da Noruega realizaram negociações entre os inimigos para a declaração da paz.

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É todo esse cenário que “Oslo” monta. O filme apresenta detalhes das reuniões de um dos maiores momentos históricos entre os povos. Adaptado da peça homônima ganhadora do Tony Award, o maior prêmio do teatro dos Estados Unidos, a obra foi produzida em parceria entre a DreamWorks Pictures, Marc Platt Productions e Bold Films.

Estrelado por Ruth Wilson e Andrew Scott, o filme estreou no dia 29 de maio na HBO e está disponível via streaming na HBO GO. Outro nome envolvido e conhecido do público é o de Steven Spielberg que atua na produção executiva junto com Marc Platt e Kristie Macosko Krieger.

O longa inclui em seu roteiro a construção de amizades improváveis e o comprometimento de um grupo de israelenses, palestinos e noruegueses que trabalharam arduamente para garantir o acordo.

Os atores principais interpretam o casal Mona Juul e Terje Rød-Larsen, diplomatas da Noruega que resolveram organizar conversas secretas iniciais com personalidades e líderes israelitas e palestinos.

Apesar do filme não ter a pretensão de contar a história de Mona e Terje, eles são personagens fundamentais nas conversações. Fora de qualquer decisão governamental, um dos diálogos fortes presente no roteiro representa a insatisfação e revolta daqueles que buscavam a harmonia entre os povos.

“Vocês lutam e matam-se uns aos outros há 50 anos. As vossas mães, filhas e filhos morreram e nada mudou. O mundo tem lavado as mãos desse conflito, porque não acredita que vocês possam mudar. Ninguém vem mais para vos ajudar. Portanto isso está nas vossas mãos”, são as palavras ditas por Mona Juul.

As negociações ‘não oficiais’ recontadas aconteceram de forma oculta nos arredores da capital norueguesa que dá nome à obra, num ambiente neutro, longe dos holofotes e das autoridades dos EUA, inicialmente. Mais tarde o papel dos americanos foi apenas consolidar e legitimar oficialmente o acordo entre os respectivos líderes por meio do presidente Clinton.

O drama conseguiu demonstrar, ao longo dos 124 minutos, que nessa história não há pessoas boas, nem más, mas pessoas reais, humanas. A questão evidenciada é que suas crenças diversas e cosmovisões os obrigavam a defender suas ideias com afinco.

Embora este tratado tenha durado apenas dois anos devido ao assassinato do primeiro-ministro de Israel, o principal ensinamento que “Oslo” provoca pode ser observado para os tempos atuais para qualquer nação. Quando as partes envolvidas em um conflito se reúnem e conversam, é possível encontrar uma solução que seja interessante para todas as partes.

O que aconteceu em 1993?

Em 13 de setembro de 1993, por meio de conversações secretas, a Noruega conseguiu fazer o que nem a ONU (Organização das Nações Unidas) realizou em dois anos. O que ficaria conhecido como “Acordo de Oslo” cessou, ainda que por tempo determinado, os conflitos entre Israel e Palestina.

Apesar da região, até então, ser conhecida como uma das mais turbulentas do mundo, pouco esforço internacional havia sido feito pela situação. Desde 1948, quando a ONU aprovou a criação do Estado de Israel, a população árabe que também vivia na região, e que não aceitou a partilha feita pela ONU, ficou sem a oficialização do próprio Estado.

Quatro décadas depois, os conflitos se arrastavam sem a perspectiva de paz. Com o tratado, porém, na medida do possível, Israel abriu mão de algumas situações para selar a harmonia entre os territórios.

Uma delas era conceder aos palestinos autonomia relativa na Faixa de Gaza e em Jericó, na Cisjordânia. Esses territórios haviam sido conquistados por Israel na Guerra dos Seis Dias, em 1967.

Em 1993, Israel era representado pelo primeiro-ministro Yitzhak Rabin. A outra liderança envolvida nas conversas era o presidente da Organização para a Libertação da Palestina (OLP), Yasser Arafat.

Arafat, assim como o adversário israelense, precisou realizar concessões. No caso do líder da OLP, fundador do movimento terrorista Al Fatah, retirou de sua carta o parágrafo que pregava a destruição do Estado judeu.

Ainda que algumas questões importantes ficaram sem solução, principalmente a respeito da divisão de Jerusalém, considerada por Israel sua capital e local de maior importância histórica, os esforços dos líderes surtiram grandes efeitos.

Yitzhak Rabin e Yasser Arafat ganharam o Prêmio Nobel da Paz em 1994. Ao lado dos dois estava também o israelense Shimon Peres. Ele havia sido premier (entre 1984 e 1986) pelo partido trabalhista, uma das peças-chave no Acordo de Oslo, e, futuramente, presidente da nação.

Poucos anos depois, em 1995, Rabin acabou morto a tiros por um jovem judeu contrário ao acordo de paz. Já Yasser Arafat morreu no dia 11 de novembro de 2004, aos 75 anos, em Paris.