No último artigo falamos sobre dois grandes desafios experimentados pelo cristão na universidade: o desafio de manter a fé no ambiente acadêmico e o desafio de suportar a ridicularização por causa da fé.

Estes obstáculos podem até mesmo paralisar o cristão em sua missão, mas, se tratados da maneira correta, podem ser vencidos e transformados em amadurecimento e crescimento pessoal e espiritual.

Há, ainda, outros desafios que demandam atenção e vigilância por parte do cristão universitário. 

O desafio de conciliar o conhecimento acadêmico com as Escrituras

Quero abordar, inicialmente, o desafio de conciliar o conhecimento acadêmico com as Escrituras. Logo nos primeiros dias de aula todo cristão percebe que o conhecimento acadêmico é, aparentemente, dissociado da fé. O ensino universitário hoje parece projetado para caminhar em uma direção totalmente oposta à Palavra de Deus e seus princípios. 

Já tive a oportunidade de falar mais profundamente sobre o erro de pensar que academia e fé cristã são incompatíveis (artigo “Peixe fora d’água?”). Hoje eu quero destacar a importância de o crente não acreditar nessa mentira, bem como a necessidade de se esforçar para enxergar todo conhecimento à luz das Escrituras. Nesse ponto a universidade não vai ajudar. É um objetivo alcançado apenas através de uma vida devocional constante, muito estudo bíblico e muita conversa com irmãos maduros. Nunca permita que esse pensamento enganoso influencie sua visão de mundo, pois todo conhecimento só é completo se caminhar ao lado da Revelação do Criador. Pois nele (em Cristo) estão escondidos todos os tesouros da sabedoria e do conhecimento, (Colossenses 2.3). 

O desafio do evangelismo eficiente

Em segundo lugar quero abordar o desafio do evangelismo eficiente. Todo cristão na universidade deseja pregar o evangelho de forma poderosa, arrebatando dezenas de pecadores em cada reunião de clubinho e causando um verdadeiro alvoroço no meio acadêmico, assim como os discípulos fizeram em Atos 17.6. Esse desejo é legítimo. Já vimos acontecer na história e o nome de Jesus é glorificado. 

Contudo, é um erro pensar que uma resposta grandiosa é o único resultado possível se o crente pregar eficazmente o evangelho. Quando evangelizamos na universidade precisamos nos lembrar de dois pontos fundamentais: 

1º. Evangelismo é caminhada. 

Não se resume a um anúncio da mensagem e “missão cumprida”. Pelo contrário, o evangelismo eficiente é aquele que gasta tempo, aconselha, explica, ora junto, dá testemunho. É assim que a maioria das pessoas chega a Cristo. Não se preocupe com grandes resultados. Evangelismo está mais para trabalho manual, considerando cada pessoa individualmente, do que para linha de produção, onde queremos arrebatar milhares de uma vez só. 

2º. Os resultados pertencem a Deus. 

Eu plantei, Apolo regou, mas Deus é quem fazia crescer; de modo que nem o que planta nem o que rega são alguma coisa, mas unicamente Deus, que efetua o crescimento, (I Coríntios 3.6-7). Preocupe-se apenas em ser fiel na pregação da Palavra e viver de acordo com o que prega. Deixe os resultados com Deus, sabendo que, no fim das contas, sempre estiveram totalmente nas mãos dele.

Por fim, o desafio de resistir à sedução do pecado. 

O ambiente acadêmico apresenta ao cristão várias “possibilidades de queda”. Em nome da juventude, da liberdade e da curtição, muitos cristãos têm caído nas bebidas, drogas e no sexo livre. Mas os cristãos são chamados a ser puros e irrepreensíveis, filhos de Deus inculpáveis no meio de uma geração corrompida e depravada, na qual vocês brilham como estrelas no universo, retendo firmemente a palavra da vida, conforme Filipenses  2.15-16.

Desafios como estes sempre fizeram parte da caminhada cristã na universidade. Vencê-los é uma decisão do cristão, mediante a capacitação do Espírito Santo, com frutos permanentes para o Reino de Deus.