Um dos requisitos para que o universitário cristão tenha um período frutífero na universidade é reconhecer que ali é seu campo missionário. Não é apenas um lugar de adquirir conhecimento e, ao final, receber um diploma. Existe uma missão a ser cumprida durante o tempo da graduação.

Mas que missão é essa? O que o cristão precisa fazer? Qual é seu papel? O que Deus espera dele? São perguntas que vão aparecer, inevitavelmente, na mente de todo cristão que, verdadeiramente, quer fazer a diferença na sua universidade. Compreender bem essa missão é essencial.

Sempre que pensamos num missionário, logo vem à mente aquelas pessoas que viajam para o outro lado do mundo, a fim de pregar o Evangelho em diferentes culturas. Vamos usar essa figura para entender melhor as características de um missionário.

Em primeiro lugar, o missionário precisa falar a língua do povo a ser evangelizado. Não adianta querer impor uma língua nova, ou pregar na própria língua. É dever do missionário aprender, entender a língua nativa e falar nesse idioma. Da mesma forma, na faculdade, o cristão precisa falar a língua dos universitários. Não adianta levar seu “dialeto gospel” para o meio acadêmico, pois assim, não será ouvido. Antes, ele deve falar na língua dos estudantes, como fez o apóstolo Paulo no Areópago, onde apresentou a salvação em Jesus a partir dos filósofos e pensadores gregos.

Em segundo lugar, o missionário precisa traduzir a Bíblia para o idioma do povo que quer evangelizar. Uma Bíblia no idioma do missionário é a mesma coisa que Bíblia nenhuma para os nativos. Da mesma forma, o cristão universitário precisa pegar sua Bíblia e “traduzir” para a língua dos universitários, num contexto e aplicação que eles entendam. Mas o missionário tem o compromisso de não adulterar, de forma alguma, a versão original da tradução. O universitário também tem esse compromisso. Ele fala da realidade da academia, mas não altera o que a Palavra diz.

“O cristão precisa falar a língua dos universitários. Não adianta levar seu ‘dialeto gospel’ para o meio acadêmico, pois assim, não será ouvido.”

Em terceiro lugar, o missionário precisa entender quais são os problemas daquele povo, qual é a realidade dos nativos e mostrar que Jesus é o pão que alimenta e preenche a fome e a sede da alma. O cristão tem que reconhecer como o meio acadêmico busca, longe de Deus, suprir essa sede, e apresentar a única água viva que sacia verdadeiramente (João 4:10).

Em quarto e último lugar, o missionário precisa se envolver com a cultura e os costumes daquele povo. Mas isso não significa que ele vai negociar com o pecado. Ele tem que se envolver, se misturar, viver a realidade local. Muitos universitários se fecham num clubinho e não influenciam a faculdade. São como o sal guardado no saleiro: não salgam, não fazem diferença. O envolvimento sadio permite entender a mente e o pensamento da universidade, identificar as falhas em sua cosmovisão, para então mostrar que só a fé cristã é a resposta para todos os homens.

“O cristão universitário precisa pegar sua Bíblia e ‘traduzir’ para a língua dos universitários, num contexto e aplicação que eles entendam.”

A missão do cristão universitário não é fácil. Muitos se perderam nesse processo, seduzidos pelo prazer ilusório do pecado ou afogados pelo relativismo e pelo humanismo que dominam o meio acadêmico. Em um ou outro caso, a falta de foco na missão e a ausência da preparação específica são sempre fatores decisivos.

Como dizia Abraham Kuyper, “não há um único centímetro quadrado, em todos os domínios de nossa existência, sobre os quais Cristo, que é soberano sobre tudo, não clame: ‘É meu!’”.

A universidade não está fora dessa realidade. E o cristão precisa entender seu chamado e trabalhar para resgatar não apenas os perdidos, mas toda a academia para o Reino de Deus.