No último ano, uma produção cinematográfica tem ganhado o público cristão de todas as vertentes. Se trata da série “The Chosen” (O Escolhido) que narra o acontecimento mais importante de toda a história da humanidade: a vida e ministério de Jesus Cristo.

Mais de 1 bilhão de espectadores já acompanharam a série, que surpreendeu todo o mundo pelas marcas importantes alcançadas. Para ser produzida, The Chosen contou com uma campanha de financiamento coletivo (crowdfunding) que arrecadou mais de 11 milhões de dólares de 16 mil investidores.

O financiamento dos milhares de apoiadores garantiu à iniciativa a posição de projeto de mídia que quebrou todos os recordes de produções por meio de crowdfunding em 2018. A aceitação e classificação da produção também está batendo recordes.

The Chosen figura a lista das 250 melhores séries de todos os tempos da IMDb, uma base internacional de dados sobre cinema, músicas e séries, ao lado de gigantes do entretenimento como Netflix e HBO.

A produção cristã apresenta Jesus a partir da perspectiva daqueles que viveram com ele, Seus discípulos. A primeira temporada conta com o piloto e mais oito episódios, que retratam os primeiros milagres e ensinamentos do Mestre. Já a segunda temporada, lançada na Páscoa deste ano, busca ressaltar o relacionamento de Jesus com Seus discípulos.

A direção fica por conta do norte-americano Dallas Jenkins. Quando surgiu a ideia de criar a série, ele percebeu que não existiam tantas produções longas que retratassem a trajetória de Cristo na Terra com profundidade, ao contrário do cinema. Por meio dos filmes como “Jesus de Nazaré” (1977), dirigido pelo italiano Franco Zeffirelli, e “A Paixão de Cristo” (2004), por Mel Gibson, as passagens bíblicas mais marcantes tiveram destaque.

Dallas se preocupou em dar ao público uma experiência diferente do que estavam acostumadas. O roteiro também é feito por ele em parceria com Ryan Swanson e Tyler Thompson.

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O diretor Dallas Jenkins e o ator Jonathan Roumie (Foto: Divulgação)

Em uma declaração ao site americano Patheos, o diretor disse que a intenção era contar a história do ponto de vista humano, de Jesus e Seus escolhidos, de uma forma que o telespectador visse os personagens como pessoas tão comuns quanto eles.

“Já no primeiro episódio, quando Jesus nem apareceu ainda, já é possível perceber que não se trata mais de um projeto tradicional em que você apenas pega os versículos da Bíblia e os encena novamente”, afirmou o diretor em entrevista.

 

QUALIDADE E REALISMO

A meta de Dallas foi cumprida com sucesso! A série caiu nas graças da audiência pelo realismo utilizado nas cenas. A qualidade cinematográfica também é motivo de muitos elogios à série. As passagens são evidenciadas com riqueza de detalhes e os roteiristas adicionam elementos fictícios que contribuem para a compreensão do contexto.

Com efeitos visuais, dramaturgia e fotografia que chamam a atenção, as histórias de Simão Pedro, Nicodemos e Maria Madalena ganham a emoção e o impacto do encontro com Jesus, para que sejam melhor absorvidas pelo público.

O primeiro episódio introduz a vida dos três personagens. Maria Madalena é retratada como uma personagem de passado misterioso e um presente cheio de tormentos. Apresentada nos evangelhos apenas como a mulher que Jesus expulsou sete demônios, os roteiristas usam as especulações para compor a vida dela na trama.

Nicodemos é caracterizado como quem de fato era: um religioso líder dos fariseus e curioso para conhecer aquele de quem tanto a multidão relatava. Na narrativa, ele se vê cheio de dúvidas a respeito de Deus e sua religião ao tentar, sem sucesso, livrar Maria Madalena. 

Simão Pedro também teve sua personalidade impressa no personagem desde o início. Impulsivo e simples, antes de se tornar apóstolo, o pescador foi ganhado e transformado pelas palavras do Cristo.

Jesus é interpretado por Jonathan Roumie, um cristão dos Estados Unidos que, apesar de ter se aproximado mais de Cristo ao dar vida a ele, disse se identificar mais com a personalidade de Pedro.

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O ator Jonathan Roumie é quem interpreta Jesus (Foto: Divulgação)

“Pedro era teimoso. Demorou algum tempo na vida para chegar ao ponto em que se humilhava, desistia. Mesmo assim, depois de dois anos e meio ou três, ele ainda o nega”, afirmou Roumie ao site Patheos. “Só pela graça de Deus nos levantamos de novo, como Pedro fez. Nisso é o que a fé em Jesus Cristo realmente consiste”, completa ele.

 

PREMIAÇÃO 2021

A mais recente conquista de The Chosen ocorreu neste mês de junho com o prêmio de Impacto no Cinema e na Televisão. A 8ª edição da premiação do K-Love Fan Awards 2021, que homenageou artistas da música gospel, produções literárias e cinematográficas cristãs, aconteceu em Nashville, Texas (EUA). 

Na categoria vencida, a série concorreu com os filmes “A Semana da Minha Vida”, “Church People”, “Eu sou Patrick” e “Enquanto Estivermos Juntos”. O público foi quem escolheu o grande vencedor e Jenkins, ao lado de Roumie, receberam o troféu durante a cerimônia.

“Nós ganhamos! Isso é tudo por vocês votarem, então, obrigado! A multidão era incrível. Aplausos de pé, grandes fãs de Chosen em todos os lugares e quase todos os cantores disseram que adoraram a série”, escreveu o diretor em uma publicação no Instagram.

 

INVESTIMENTO EM CONTEÚDO PARA A FAMÍLIA

The Chosen é uma produção independente lançada pela plataforma de streaming norte-americana VidAngel. Com o sucesso da série, a meta atual é se tornar uma alternativa às produções de Hollywood com a justificativa de que eles não possuem conteúdos baseados em princípios cristãos.

Agora com o nome “Angel Studio”, a empresa está criando sua própria companhia de cinema para gerar entretenimento saudável para a família. Neal Harmon, o CEO, informou que a estruturação desse sonho foi confirmada com a resposta do público ao primeiro empreendimento da produtora.

“A série certamente acelerou o que sempre quisemos fazer. Queríamos construir um estúdio alternativo para Hollywood. Aconteceu que ‘The Chosen’ foi um sucesso estrondoso e além do que esperávamos. E estamos muito gratos”, disse ele ao portal Christian Headlines.

A inauguração, realizada em março, aconteceu também a partir de financiamento coletivo. Foram arrecadados mais de 4 milhões de dólares de cerca de 4700 investidores.

Essa forma de trabalho garante à Angel peculiaridades que são um diferencial em relação às concorrentes devido a dois motivos: por usar o crowdfunding e dar o poder de escolha das produções cinematográficas ao seu público.

Três projetos já estão sendo anunciados no site e Harmon garante que a intenção é inspirar e enriquecer os espectadores. Dentre eles estão uma série infantil chamada “Tuttle Twins” e o filme “The Shift” que aguardam financiamento para aprovação e produção. O terceiro em avaliação é um stand-up de classificação livre, o “Dry Bar Comedy”.

“Nossos criadores estão trabalhando mais e com mais paixão do que nunca, porque estão respondendo ao público e não à Hollywood. Portanto, haverá essa elevação na qualidade do conteúdo no Angel Studios. Seja ensinando os princípios da liberdade com os ‘Tuttle Twins’ ou o Mandamento de Ouro com ‘The Chosen’, confirmou Harmon.

“A missão do Angel Studios é ajudar os criadores e suas comunidades a amplificar histórias de luz”, concluiu o CEO.