C.S. Lewis escreveu, em sua autobiografia, que todas as pessoas deveriam ter coragem de escrever sua própria história. Histórias de vida têm muito a ensinar, o que inclui a Igreja e a música.

Ao olhar para essas experiências, aprendemos com seus erros e somos inspirados por seus acertos. Ao usar esse “retrovisor”, podemos refletir sobre quem somos, o que somos e por que somos.

Nossa conversa aqui é sobre música! A música que deve exaltar a glória e honra de Deus e que, ao mesmo tempo, deve comunicar dessa glória ao coração do homem, promovendo o deleite de sua alma.

Em nossas igrejas, dentro de nossos ministérios, temos o desafio de escolher boas músicas para compor o repertório dos cultos semanais. Afinal, somos bombardeados dia após dia com diversos novos singles lançados nas plataformas de streaming. Artistas de todos os tipos e estilos musicais que dominam por algum tempo os primeiros lugares das buscas são parte do nosso ambiente musical cristão.

É sempre bom tecer críticas positivas à produção musical evangélica. Manter constante a reflexão sobre os padrões de composições de letras e arranjos é uma necessidade dos líderes e pastores para que nossas igrejas cantem o que é sadio e promovam uma vida devocional de intimidade com Deus e fiel a Sua Palavra.

Fato é que Deus nos dá presentes vindos de homens e mulheres de Deus que se tornam referência na composição musical! Cantores e cantoras, grupos e bandas que marcaram a vida da Igreja com suas obras que, por sua profundidade e excelência, influenciaram gerações.

“Que a nossa música seja excelente! Que ela comunique os altos padrões do Reino de Deus e quem Ele é!”

Nesta coluna quero dar um salto na história e ir longe, na procura de uma grande referência musical que marcou não só o ambiente de dentro da igreja, mas toda humanidade com suas composições que em sua maioria foram seladas com uma assinatura incomum: SDG – Soli Deo Glória – A Deus toda glória!

Essa referência é Johann Sebastian Bach, o autor da frase: “O objetivo e finalidade maior de toda música não deveria ser nenhum outro além da Glória de Deus e a renovação da alma”. Bach é reconhecido por grande parte da comunidade musical, cristã e não cristã, como o maior nome da música de todos os tempos. Ele elevou a produção musical a uma nova dimensão em grau de complexidade e beleza. E o que o inspirava era sua fé em Deus.

Johann Sebastian Bach nasceu no ano de 1685, na cidade de Eisenach, Alemanha. Sua família era cheia de músicos profissionais que o incentivaram e influenciaram a seguir a carreira. Frequentou a mesma igreja que Martinho Lutero frequentava 200 anos antes, onde também cantou e se formou.

O grande compositor protestante muito se empenhou para estudar música. Tocou violino e se tornou um grande organista. Viajou muitos quilômetros a pé para aprimorar seus conhecimentos musicais e expandir sua carreira. Ele se casou uma primeira vez, teve sete filhos, uma segunda vez e teve mais treze e alguns relatos afirmam que se dedicou à educação dos filhos e filhas. O fato dele ter composto peças para sua esposa e filhos, mostram sua dedicação à sua família.

Bach lutou pela boa educação e formação de músicos na igreja. Certa vez, ele saiu da igreja por se decepcionar com o pouco caso que os líderes faziam da música. Sua carreira alavancou, chegou a ser prestigiada, ter cargos reconhecidos, e ganhar bem pelos seus serviços. Neste meio tempo fez o que nenhum outro compositor fez: compor cantatas semanalmente para três igrejas da época por longos anos, com criatividade sem fim.

Suas composições, que marcaram o estilo barroco, foram comparadas aos cálculos de Isaac Newton por sua complexidade e simetria. “Mas seu domínio não era uma obsessão matemática ou meramente técnica. Ele acreditava que sua música deveria representar o Plano Divino que era organizado, belo, complexo e harmônico. Nós devíamos chegar até a música e jamais deixar a música descer até nós”(A Primeira Arte – 2º Episódio – BP.). A música deveria tocar o que é divino.

“O objetivo e finalidade maior de toda música não deveria ser nenhum outro além da Glória de Deus e a renovação da alma”.
Sebastian Bach

Bach morreu sem glória, quase desconhecido, pois suas músicas foram consideradas inadequadas pela sociedade da época. Somente cem anos após sua morte, seu legado foi redescoberto por Felix Mendelssohn, que resgatou sua maior composição: “A Paixão Segundo São Mateus”, e assim, o mundo o reconheceu como um gênio musical. Hoje os estudiosos ainda dedicam toda sua vida para estudar as obras desse homem, que compôs para a glória de Deus.

revista cristã coluna músico cristão - edição 176
Representação de Sebastian Bach por Hadi Karimi

A linguagem musical usada por Bach infelizmente não comunica muito com a nossa linguagem dentro das nossas igrejas, pela distância de estilo, mas ele pode e deve, ser uma referência pela EXCELÊNCIA de seu trabalho e por enxergar a música como um presente de Deus e valorizá-la por isso. Bach nos deixa seu legado musical, que foi descoberto anos depois por causa da sua assinatura: Soli Deo Glória!

Que a nossa música seja excelente! Que ela comunique os altos padrões do Reino de Deus e quem Ele é! Que ela não seja moldada pelo mercado gospel! Que os compositores não se limitem a produzir para cumprir agenda e manter o status. Que as canções falem da graça de Deus por Seu Filho Jesus. E por fim, que nossas músicas sejam Para a Glória de Deus!

“Pois dele, por ele e para ele são todas as coisas. A ele seja a glória para sempre! Amém.” (Rm 11:36)