O termo em inglês “fake news” é usado para “notícia falsa”. A palavra originou-se nos meios de comunicação e espalhou-se pela internet, ganhando velocidade e trazendo sérios prejuízos para a sociedade.

O termo começou a ser mais usado, inicialmente pela imprensa internacional durante a eleição de 2016 nos Estados Unidos. Donald Trump tornou-se presidente e acreditava-se que alguns eleitores haviam sido manipulados por notícias falsas sobre seu oponente.

Na época, algumas empresas especializadas identificaram conteúdos duvidosos distribuídos na internet, especialmente aqueles com tom sensacionalistas.

Esclarecendo:

Linguisticamente, a expressão “fake news” é incoerente.

Quando pensamos nas palavras inglesas fake, que quer dizer falsa e news, que quer dizer notícia, a expressão “fake news” é um paradoxo, porque a tradução da expressão seria notícia falsa.

A origem etimológica da palavra notícias está ligada a novidade, mas houve uma releitura da palavra notícia e os dicionários Houaiss e Aurélio tratam a palavra notícia como um acontecimento, um fato, o que significa dizer que, se é um acontecimento, um fato, e não uma narrativa, todo fato mentiroso não é um fato.

Portanto, quando se diz fake news, notícia falsa, há um paradoxo, uma contradição, pois se fosse uma notícia, não poderia ser mentirosa.

cristão fake news - mulher com lupa em frente ao computador

E no Brasil?

Por aqui não foi diferente. As fake news chegaram e encontraram bastante espaço. O agravamento na produção dessas informações falsas é bastante notado hoje em dia. Isso porque, há pouco mais de um ano, os brasileiros estão vivendo em regime de isolamento devido a pandemia do Covid-19.

A doença chegou sem alarde e matou mais de 500 mil pessoas em todo o país. O isolamento nos condicionou a permanecer em casa por mais tempo.

Há pessoas que passaram a trabalhar e estudar exclusivamente em casa, ficando horas focadas em sua atuação online.

Existem também aqueles que nunca estiveram oficialmente na internet e passaram a ter perfis em redes sociais e opinar publicamente sobre diversos assuntos.

O que, por um lado, era um ponto positivo, já que sem a internet o isolamento seria mais monótono e sofrido, por outro lado, emergiram em meio aos muitos acontecimentos, os “especialistas” de internet. Pessoas comuns que acreditam ter algum conhecimento a respeito de um tema, e a partir de seus pressupostos, decidem emitir opinião e amplificar a divulgação de alguns fatos.

cristão fake news - jornal escrito fake news

Nasceram aí os pseudoespecialistas, mestres em divulgar informações sem a certeza de suas fontes, e que dedicam bastante tempo a capturar informações na internet para corroborar sua opinião. E eles não se limitam apenas ao tema política, em alta nos dias de hoje, eles usam de seus julgamentos para entrar na casa das pessoas, e todos aqueles que, de alguma forma, abrem sua vida na internet, ficam à mercê dos opinadores.

No que diz respeito ao tema Covid, por exemplo, são centenas de milhares de notícias espalhadas pela internet. O número de canais no YouTube cresceu assustadoramente, sendo os principais canais de alguns desses “especialistas”. Diariamente, eles se dedicam a produzir conteúdo sem apurar os fatos, apenas replicam notícias de destaque sem averiguar as fontes, emitindo sua opinião própria sobre elas.

Além disso, no livro: Direitos políticos, liberdade de expressão e discurso de ódio, de Rodolfo Viana Pereira, o jurista António Manuel Hespanha comenta que os ocidentais, cada vez mais, estão habituados a estímulos visuais. Segundo ele, o pensamento “raciocinante” (raciocínios dedutivos e a classificação de dados), vem sendo substituído por um pensamento associativo e, assim, nascem as narrativas que se utilizam de estereótipos sociais.

A fake news ganha ainda mais força quando abrange conteúdos de inverdades, estas claramente criadas, disseminando julgamentos ou pensamentos acerca de um assunto, através do uso de montagens como memes, gifs, textos com tom humorístico ou qualquer outro tipo de conteúdo que fomente a distribuição de conteúdo mentiroso.

cristão fake news - homem com olhar maligno em frente a um computador

Um outro ponto relevante acerca das fake news é a cultura do cancelamento, quando uma pessoa é excluída de uma posição de influência devido a atitudes consideradas questionáveis para a sociedade. As pessoas alvos desta cultura, têm visto suas vidas serem destruídas pelas notícias falsas e que fomentam o ódio, as quais, muitas vezes, trazem dados equivocados sobre o acontecimento de fato.

A questão tornou-se tão séria que há órgãos especializados em averiguar essas informações distribuídas online, e a Polícia Federal e o Ministério Público tratam o assunto com bastante atenção, especialmente, sobre as temáticas política e saúde.

No site do Conselho Nacional de Justiça, há uma página com parceiros que auxiliam a população a ter acesso a informações verdadeiras. Veja um trecho da página: “Para alertar e conscientizar a população dos perigos do compartilhamento de informações falsas, em 1º de abril de 2019, representantes do CNJ, das associações da magistratura e dos tribunais superiores e da imprensa lançaram o Painel de Checagem de Fake News.

Os parceiros do Painel contribuem para o projeto dentro de sua área de atuação, e com as ferramentas que dispõem para checar dados e realizar ações de alerta à sociedade sobre o perigo da informação falsa”.

Qual a responsabilidade do cristão?

Quando você recebe uma informação que não tem certeza de que é verídica e você comenta, curte e compartilha, automaticamente você está fortalecendo a publicação, que chegará até seus amigos e contatos. Se cada amigo seu, no Facebook por exemplo, tiver 1000 novos amigos, a informação vai se alastrar sem que você consiga medir.

Além disso, existe um valor econômico por trás da sua permanência nesses canais. Ainda no livro: Direitos políticos, liberdade de expressão e discurso de ódio, lemos sobre a dinâmica onde alguns sites ou perfis em redes sociais conseguem concentrar a atenção dos usuários, e assim, veiculam anúncios e ganham com isso, através do aumento de audiência de uma página específica, ou seja, a própria internet se encarrega de agilizar a distribuição do conteúdo para que você seja atraído para essa página raiz.

Outro ponto importante a ser lembrado é que a grande maioria das fake news estão em torno de temáticas polarizadas e controversas. Notícias em defesa de dois lados distintos são distribuídas pelos produtores de conteúdos falsos, para fomentar o envolvimento das pessoas em defesa daquilo que elas acreditam, sejam elas a favor ou contra. E assim a intolerância prosperou na indústria das fake news, afinal muitas pessoas não gostam de assumir a existência de opiniões distintas ou conflitantes às suas, e estão em busca de conteúdos que reafirmam suas concepções, sempre culpando o lado oposto.

cristão fake news - homem desconfiado do que vê no celular

Infelizmente, nós cristãos também cometemos esse engano. Já vivemos do lado oposto de muitas questões, pregamos a verdade em um país onde a mentira é um hábito, pregamos a família onde o sexo sem limites ganha espaço, pregamos um só Deus em um país com diversas crenças. Somos tendenciosos a nos posicionar porque em todo tempo, temos que fazer a escolha como Cristo, nosso exemplo, escolheria.

Há quem emita opinião ou divulgue algo com boas intenções, se preocupando realmente em ampliar o conhecimento de um fato, mas há aqueles que apenas compartilham para reforço da própria imagem. A Palavra de Deus nos alerta acerca da mentira, sabemos que ela aborrece a Deus, assim, a escolha pela verdade não deve acontecer apenas em relação a algumas questões.

Versículos de referência:

“Seis coisas aborrecem Deus, e a sétima a sua alma abomina: olhos altivos, língua mentirosa, mãos que derramam sangue inocente, coração que trama projetos iníquos, pés que se apressam a correr para o mal, testemunha falsa que profere mentiras e o que semeia contendas entre irmãos”, (Provérbios 6:16 a 19).

“Portanto, cada um de vocês deve abandonar a mentira e falar a verdade ao seu próximo, pois todos somos membros de um mesmo corpo”, (Efésios 4:25).

“Não mintam uns aos outros, visto que vocês já se despiram do velho homem com suas práticas e se revestiram do novo, o qual está sendo renovado em conhecimento, à imagem do seu Criador”, (Colossenses 3:9 e 10).

“E conhecerão a verdade, e a verdade os libertará”, (João 8:32).

Se já é de conhecimento amplo, que diversas notícias podem ser manipuladas, cabe a nós cristãos, um cuidado maior antes de contribuir para a divulgação das mesmas. Podemos ter a nossa opinião acerca de diversos assuntos, mas em todo tempo devemos sondar nosso coração, mesmo na mais simples curtida.