Nova legislação no País de Gales obriga ensino sobre ateísmo

 

A partir de 2022, o currículo de “Religião, Valores e Ética” (RVE) deverá ser aplicado para todas as crianças e adolescentes no País de Gales. A lei que estabelece a nova grade de ensino sobre ateísmo, humanismo e aumento de conteúdos sobre educação sexual foi aprovada pelo Senado do país.

A medida tem gerado preocupação entre os cristãos da área da advocacia. Tendo em vista que as escolas cristãs também precisarão se adequar, as cosmovisões a serem aplicadas entram em conflito com os valores da religião.

Uma oficial jurídica de um grupo de direitos humanos, a Alliance Defending Freedom, do Reino Unido também se manifestou com a decisão. Elizabeth Francis escreveu, em um artigo de opinião para o The Conservative Woman, que a lei equivale a “transferir o direito dos pais de decidirem os melhores interesses de seus filhos sobre sexo e educação religiosa para o Estado”.

A Lei de Currículo e Avaliação mudaria o termo “educação religiosa” para “religião, valor e ética”, como informa o site The Christian Post . A partir daí, permitiria que outras crenças e visões não religiosas fossem ministradas em equivalência com o cristianismo.

Outra crítica ao projeto de lei é o fato de que o último censo realizado no País de Gales aponta apenas 815 pessoas que se identificam como humanistas. Para Gareth Edwards, oficial do Instituto Cristão no país, “o governo galês ignorou duas consultas públicas que claramente se opunham a essas mudanças”. Sendo assim, a pouca influência dessa vertente não seria capaz de validar tantas medidas.

Gareth observa ainda outra preocupação. Segundo ele, humanistas e ateus, a partir da lei, tornariam-se membros do conselho educacional responsável por supervisionar e desenvolver o novo currículo. 

Os humanistas, porém, se mostraram contentes com a reforma. Kathy Riddick, que faz parte do grupo em favor da aprovação da lei, disse em um comunicado oficial que “após muitos anos de campanha pelos humanistas do País de Gales, o humanismo será colocado em pé de igualdade com as religiões em todo o currículo”.

Gareth acredita que, mesmo com essa derrota inicial, “os cristãos ainda serão capazes de ter uma influência positiva nas escolas respondendo à consulta pública sobre o código RSE no devido tempo, e os pais também devem esperar ser consultados por suas escolas antes que as mudanças sejam trazidas”.

O projeto agora será discutido em outros estágios do debate político antes de ser totalmente aprovado.

 

Fonte: Com informações do site The Christian Post