Com mais de 7 milhões de seguidores nas redes sociais, o Eu Escolhi Esperar não se define como “ministério”, e sim como uma “campanha”. Além disso, a organização fundada em 2011 na cidade de Vila Velha (ES), considera-se interdenominacional e possui foco de atuação em duas áreas: a preservação sexual e a integridade emocional. 

Os objetivos, explica o site do movimento, são “encorajar, fortalecer e orientar os solteiros cristãos a esperarem até o casamento para viverem suas experiências sexuais”, além de “ajudar as pessoas a desenvolverem relacionamentos amorosos saudáveis e duradouros”.

À frente do fenômeno que já promoveu suas ideias em todos os estados do Brasil e outros 7 países pelas Américas e Europa está o casal Ângela Cristina e Nelson Junior. Ele, formado em teologia e pastor desde 1998, possui larga experiência no trabalho com jovens, já que colabora em ministérios com adolescentes há 30 anos.

Às vésperas do Dia dos Namorados, celebrado no Brasil no dia 12 de junho, Nelson conversou com a Revista Cristã a respeito de um tema que mexe bastante com todas as faixas etárias dentro da igreja: o namoro. Confira o resultado deste bate papo.

nelson junior
Nelson Junior e sua esposa Ângela Cristina – Foto: Divulgação

Revista Cristã: Para começarmos falando de Namoro, seria interessante entendermos o que você considera sendo como “namoro”. Os “deveres”, responsabilidades e limites dos envolvidos, por exemplo. 

Nelson Junior: Entendo que o romance cristão antes do casamento, denominado como namoro, tem basicamente dois propósitos específicos: primeiro, um tempo para que o casal se conheça melhor, emocionalmente falando, para discernir se os propósitos de vida, personalidades, valores e outros detalhes para a construção de uma vida a dois combinam ou não. E o segundo propósito, a partir do momento que o casal entende e visualizam que possuem um futuro juntos como marido e mulher, é se organizarem — principalmente financeiramente — para o enlace matrimonial.

RC: Dentro dessa definição, o que seria um namoro santo seguindo os princípios bíblicos? Qual a(s) diferença(s) principal(is) para um relacionamento que não segue estes princípios? 

Nelson Junior: A Bíblia nos traz princípios e padrões para todas as áreas das nossas vidas, inclusive para a maneira que os cristãos devem se comportar, no tempo de solteiro e na vida de casado. O namoro santo é aquele em que há pureza sexual, onde o casal guarda o seu corpo e do(a) companheiro(a) para experimentarem da intimidade sexual apenas dentro do casamento e não fora dele. A diferença entre os casais que desenvolvem um romance antes do casamento em pureza e santidade é muito diferente do casal que usufrui da intimidade sexual antecipadamente. Guardar-se para o casamento nos protege de consequências a que casais não casados com intimidade sexual se expõem. Alguns exemplos: existem estudos apontando que casais que esperam até o casamento e guardam-se sexualmente para ele constroem relacionamentos mais saudáveis e duradouros daqueles que não se guardam. Outro dado interessante é que o maior número de divórcios acontecem entre os casais que não se guardam. Emocionalmente falando, as consequências também são sérias, como, por exemplo, a comparação. Você traz para dentro do casamento as marcas e experiências de parceiros sexuais anteriores.

RC: Quais são os maiores desafios para um casal de namorados cristãos? Quais danos esses desafios podem gerar na vida dos envolvidos? 

NJ: Os maiores desafios são entender que o padrão de Deus não mudou, apesar da modernidade. Que mesmo vivendo numa sociedade cada vez mais liberal, permissiva e a favor da libertinagem sexual, os valores bíblicos continuam os mesmos. A régua dos padrões divinos continua alta. Deus não baixou o padrão de pureza e santidade. Os valores da sociedade atual estão se perdendo, e o maior desafio do casal é crer que se guardar em pureza e santidade não é algo ultrapassado e existem promessas bíblicas para aqueles que continuam sendo fiéis e perseveram nos princípios bíblicos.

namoro cristão

RC: Ainda em relação à pergunta anterior, esses desafios mudam conforme a idade dos namorados? 

NJ: Imagino que pessoas que vem de uma vida sexualmente ativa encontram mais lutas que aquelas que nunca tiveram nenhuma experiência sexual. É igualmente difícil para os dois, porém a maneira como cada um reage às tentações sexuais, pode ser diferente.

RC: Há um tempo “mínimo” ou “máximo” de namoro? Como saber que “já deu” o tempo de casar – ou de terminar? 

NJ: Biblicamente falando, não há uma idade específica. Mas, minha prática ministerial como pastor e alguns dados apontam que o tempo ideal, um tempo saudável, é entre 1 e 3 anos. Menos que um ano pode ser perigoso, pois o casal não tem tempo suficiente de convívio para se conhecer melhor e há um alto nível de divórcio entre casais que se casam repentinamente. E mais que 3 anos pode tornar desafiador para o casal lidar com a intimidade física, além do relacionamento poder estacionar emocionalmente.

RC: Pensando na pergunta anterior, quais são as características “básicas” que a pessoa deveria procurar em um(a) namorado(a) cristã(o)? 

NJ: Não existe uma fórmula mágica. Acredito que existem alguns critérios imprescindíveis como: saber se compartilham da mesma fé, o que pensam sobre o futuro, sobre finanças, criação de filhos, propósitos de vida, debater sobre o papel de cada um no casamento… conhecer bem a família do outro também pode revelar muita coisa sobre o comportamento do seu futuro cônjuge dentro de casa e no futuro matrimônio. Amizade, companheirismo, empatia, flexibilidade, paciência e saber abrir mão são elementos imprescindíveis para o sucesso da vida a dois.

RC: Para fechar, o que você pensa a respeito do namoro “recreativo” (só para passar o tempo) entre os cristãos? 

NJ: Pecado! Fere o propósito de Deus para o relacionamento. Não foi para isso que Deus nos criou e essa prática não é saudável para a formação do indivíduo e compromete a construção do nosso caráter como um futuro cônjuge.