Howard Dayton, em seu livro “O Seu Dinheiro” (Bless Editora) declara que, na Bíblia, há mais de dois mil e trezentos versículos sobre dinheiro, bens e posses. A Bíblia é a Palavra de Deus viva para os cristãos e temas como oração e fé são citados em cerca de 500 versículos. Avaliando por esses números, o tema dinheiro mereceu destaque por algum motivo importante.

As menções sobre o dinheiro não são apenas negativas, mas há um alerta importante para os seguidores de Cristo em I Timóteo 6:10: “Porque o amor do dinheiro é a raiz de todos os males…”. Esse amor às riquezas é conectado ao mal. E mal é o inverso de Deus. Seguindo nesta linha, poderíamos pensar que ser apegado ao dinheiro afasta a pessoa de Deus.

Especialmente no Antigo Testamento, é possível ler diversos relatos de homens que receberam riquezas incalculáveis de Deus. Ser rico não é um pecado. Mas as riquezas podem lentamente se tornar o centro da nossa vida ocupando o lugar de Deus e assim, elas se tornariam um pecado em nossa vida.

Em Jeremias 9:23-24 lemos: “Assim diz o Senhor: Não se glorie o sábio na sua sabedoria, nem se glorie o forte na sua força; não se glorie o rico nas suas riquezas; mas o que se gloriar, glorie-se nisto: em entender, e em me conhecer, que eu sou o Senhor, que faço benevolência, juízo e justiça na terra; porque destas coisas me agrado, diz o Senhor”.

Algumas pessoas ricas sentem-se poderosas e começam a se tornar independentes de Deus. A cobiça começa a dirigir as decisões dos mais abastados e estes começam a se esquecer do próximo e do exemplo de Cristo. Além disso, aqueles que têm pouco recurso, muitas vezes se tornam reféns do dinheiro, colocando nele toda a confiança e vivendo a vida direcionados pelo trabalho e pela busca em ter mais e mais.

Mas qual o pano de fundo desses problemas? A falta de confiança em Deus. Em Deuteronômio 8:17 e 18 lemos: “Não digas, pois, no teu coração: A minha força e o poder do meu braço me adquiriram estas riquezas. Antes, te lembrarás do Senhor, teu Deus, porque é Ele o que te dá força para adquirires riquezas; para confirmar a sua aliança, que, sob juramento, prometeu a teus pais, como hoje se vê”.

Ou seja, Deus não é contra as riquezas. Ele nos capacitará para recebê-las, conforme Seus propósitos. Deus nos inspira a uma vida melhor, mas encontrada antes Nele e na capacitação que vem Dele. 

Deus não é contra as riquezas. Ele nos capacitará para recebê-las, conforme Seus propósitos. Deus nos inspira a uma vida melhor, mas encontrada antes Nele e na capacitação que vem Dele.

 

Ainda em I Timóteo 6 lemos: “Os que querem ficar ricos caem em tentação, em armadilhas e em muitos desejos descontrolados e nocivos, que levam os homens a mergulharem na ruína e na destruição, pois o amor ao dinheiro é a raiz de todos os males. Algumas pessoas, por cobiçarem o dinheiro, desviaram-se da fé e se atormentaram com muitos sofrimentos”. 

Ou seja, esse amor incontrolável pelo dinheiro, afasta o homem de Deus e de Seus propósitos. E é justamente o afastamento desse propósito maior, que nos leva a nos perdermos nas coisas deste mundo. Deixamos de confiar em Deus para confiar totalmente no dinheiro.  

Quando confiamos em Deus, servimos a Deus com tudo o que é nosso, entendendo assim o propósito real de ser próspero e o dinheiro servirá à nossa família, igreja e ao próximo. Quando invertemos essa ordem, deixamos Deus de lado e colocamos nossa vida na rota de fazer tudo para ter mais dinheiro. 

O amor ao dinheiro nos atrapalha a ter um relacionamento com Deus. Em Mateus 19:21, lemos a história do jovem rico que perguntou a Jesus o que mais ele poderia fazer para alcançar a vida eterna, já que ele se considerava uma pessoa que cumpria todos os mandamentos. Jesus respondeu: “Se queres ser perfeito, vai, vende os teus bens, dá o dinheiro aos pobres, e terás um tesouro no céu. Depois, vem e segue-me”. Jesus completou dizendo aos seus discípulos: “Com toda a certeza vos afirmo que dificilmente um rico entrará no Reino dos céus. E lhes digo mais: É mais fácil passar um camelo pelo fundo de uma agulha do que um rico entrar no Reino dos céus”. 

Ao ouvir a orientação de Jesus, o jovem foi embora triste, já que tinha muitas riquezas. O pedido pareceu grande demais para ele. Jesus tocou diretamente no problema do jovem: o amor ao dinheiro. Para o jovem, esse amor foi maior do que o que ele achava que sentia por Deus.

 

Jesus tocou diretamente no problema do jovem: o amor ao dinheiro. Para o jovem, esse amor foi maior do que o que ele achava que sentia por Deus.

 

A ganância é essa conexão forte que desenvolvemos com o dinheiro, onde ele se torna prioridade acima de tudo: Deus, família, saúde etc. Nosso alvo deve ser servir a Deus e amar as riquezas do Céu, como lemos em Mateus 6:19 a 24: “Não acumuleis para vós outros tesouros sobre a terra, onde a traça e a ferrugem corroem e onde ladrões escavam e roubam…Não podeis servir a Deus e às riquezas”. É preciso, sim, fazer uma escolha. É fundamental sondar o coração e avaliar de que forma temos nos colocado diante do dinheiro. Os sonhos mais profundos do seu coração apontam para o Céu ou para as suas aquisições aqui da Terra? 

Com o dinheiro trabalhando a nosso favor, ele cumpre seu papel:

• Suprir nossas necessidades – o dinheiro realmente é necessário para adquirir coisas para a sobrevivência e sustento da família.

• Servir aos outros – quando gerimos o dinheiro com sabedoria, podemos ajudar nosso próximo quando ele precisa para alguma urgência ou necessidade.

• Apoiar a obra de Deus – se o dinheiro está no lugar certo em seu coração, você certamente vai desejar fazer parte da grande obra de Deus, assim como os apóstolos e cristãos antigos, que repartiam valores entre si, sustentando as viagens missionários e necessidades daqueles que pregavam o Evangelho. A obra de Deus continua e precisa ser sustentada.

Qual a escolha você faz hoje? Não é possível servir a dois senhores. A quem você deseja servir?