O mundo está esquentando. E isso não é uma metáfora para a sequência de problemas que temos visto entre os irmãos. O clima da Terra, de fato, está mudando. Para ser mais preciso, já vivemos num planeta 1,2 ºC mais quente que o Século XIX e, se tudo continuar como está, podemos entregá-lo com 2 ºC a mais para as próximas gerações.

Pode parecer pouco, mas entre os problemas que isso pode gerar estão marés cada vez mais altas, a extinção de espécies inteiras (terrestres e aquáticas) e o desaparecimento por completo de ilhas que podem ser submersas pela elevação dos oceanos. 

Mas o que isso tem a ver com a igreja para ganhar espaço na Revista Cristã? Simplesmente tudo. 

Logo no início da Bíblia, no primeiro capítulo do livro de Gênesis, somos apresentados à história da criação. Se prestarmos atenção, percebemos que Deus criou árvores, ervas, sementes e animais de toda sorte antes mesmo de criar o homem. 

A ordem que tudo foi criado não quer dizer que todas estas coisas e seres são mais importantes que os homens. Mas deixa claro, sim, que são relevantes aos olhos do Pai. 

De fato, a Palavra nos diz que Deus cria o homem para que ele “domine” sobre a criação (Gn 1:26). Mas precisamos observar que logo antes e imediatamente depois do termo (versos 26 e 27) há uma repetição de termos que traz perspectiva ao conceito de domínio: o homem é criado à imagem e semelhança de Deus.

Isso muda tudo. A dominação não deve ser irresponsável ou exercida da maneira que quisermos. O jeito certo de cuidar da criação é como Deus o faz: com potencial criativo, não destruidor. Sabemos bem quem veio ao mundo para matar, roubar e destruir. E não somos nós. Não podemos ser como ele.

mão masculina regando uma planta

Portanto, como vimos no início do texto, falarmos sobre o assunto de uma perspectiva cristã não é só necessário, como é urgente. E mais do que entendermos a respeito, temos que saber agir. 

Na sequência, confira algumas dicas para que você e sua igreja possam começar a contribuir de fato para que a mudança aconteça.

A hora da ação contra as mudanças climáticas, e algumas sugestões para que a igreja seja relevante na mudança

O famoso versículo de Romanos 8:22 diz que “a natureza geme como em dores de parto” como um dos resultados da queda do homem frente ao pecado.

Pouco antes, porém, no mesmo texto, Paulo afirma aos Romanos que “a natureza criada aguarda, com grande expectativa, que os filhos de Deus sejam revelados”. Essa revelação só acontecerá plenamente quando houver a redenção plena dos homens, mas a mensagem não se coloca como impedimento para que comecemos desde já a ansiar, pedir a Deus e, porque não, trabalhar pela redenção da natureza.

No livro “O Discípulo Radical”, o teólogo anglicano John Stott (1921-2011) dedica um capítulo inteiro a tratar da relação do cristão com o meio ambiente. Nele, o autor traz a citação a um outro escritor, Chris Wright, que resume os atos de  “uma multidão de cristãos que se importam com a criação e levam a sua responsabilidade ambiental a sério”. 

“Eles escolhem formas sustentáveis de energia quando é viável. Desligam aparelhos em desuso. Sempre que possível, compram alimentos, mercadorias e serviços de empresas que tenham diretrizes ambientais eticamente saudáveis. Eles se aliam a grupos de conservação. Evitam o consumo demasiado e o desperdício desnecessário e reciclam o máximo possível”. 

Além disso, também há outras formas que a igreja pode colaborar. Entre elas, estão:

• Ore a respeito. A oração do justo pode muito em seus efeitos, e precisamos tratar a questão ambiental com a importância que ela merece, inclusive com orações.

• Eduque seus membros: aproveite os momentos de culto para falar com mais frequência do que a Bíblia diz sobre a importância de termos cuidado com a criação.

• Aja com intencionalidade (na igreja, em casa, no trabalho…): implemente ações que tenham em mente a sequência de três Rs — Reduzir, Reutilizar e Reciclar, diminuindo o uso de produtos nocivos à natureza ou de recursos finitos, como a água; reutilizando materiais quando possível e reciclando quando não der mais para reusar (inclusive implementando maneiras de estímulo à reutilização, como a coleta seletiva).

• Cobrar, mobilizar e influenciar governantes e líderes da esfera civil (empresários, artistas, etc) para que tenham propostas claras para o aumento da sustentabilidade no Brasil e no mundo (independente de seu viés político) de forma holística; e estar presente, participando de votações, criando petições e todo tipo de atividades que possam auxiliar a gerar mudança em maior escala.

mudanças climáticas

Por fim, sabendo que “a quem muito foi dado, muito será exigido” (Lucas 12.48), devemos trabalhar, como diz Stott, “para a conservação do ambiente e para o desenvolvimento dos seus recursos para o bem comum”.

“Nosso trabalho é ser uma expressão de adoração, já que o cuidado com a criação refletirá o amor pelo Criador”, afirma o escritor.