A palavra Missão não é encontrada na Bíblia. Ela vem do latim “missio” e significa “enviando”. Missão, no contexto cristão, trata da ação de enviar pessoas para falar da Palavra de Deus fora das paredes da igreja. Cristo deixou uma missão para os cristãos: “Ide e pregai o Evangelho”. Ir = sair de onde está. As cidades são os campos missionários a serem explorados. Muitos são os grupos não alcançados pelo Evangelho.

No entanto, para que seja possível fazer missões e cumprir o objetivo é preciso compreender o que está fazendo. Não se faz uma missão decorando alguns versículos. Uma missão urbana é um trabalho que precisa de organização, foco e periodicidade. Isso porque cada grupo urbano tem sua própria forma de expressão, sua ideologia político-social, seu estilo musical, seu modelos de roupas, suas gírias e linguagem e, alguns, são até anti-religiosos e, para que a missão dê resultados transformadores, é preciso que essas comunidades sejam estudadas e as ações sejam pensadas de forma personalizada.

Para fazer missão com excelência é preciso mergulhar na realidade local. “Fiz-me como fraco para os fracos, para ganhar os fracos. Fiz-me tudo para todos, para por todos os meios chegar a salvar alguns”, disse o apóstolo Paulo (registrado em I Coríntios 9:22). É preciso estudar e adentrar com respeito na região onde pretende se fazer missões urbanas. É preciso “falar a mesma língua” e mostrar compreensão para ser recebido e assim, encontrar espaço para falar do Evangelho e conhecer as demandas locais.

pregando o evangelho - missões urbanas

Não se chega em um aglomerado, por exemplo, para falar da Palavra de Deus de qualquer forma. Ali existe uma hierarquia e ela precisa ser respeitada. O papel do cristão é ir e pregar, fazer a diferença e ajudar, Deus se encarregará do restante. Cristo não mandou que seus seguidores forçassem ou insistissem até a “conversão”, quando eles fossem pregar o Evangelho ou estender a mão.

É preciso amar as pessoas que precisam do Evangelho para que, com o coração cheio de paz e benevolência, um cristão possa ser canal de Deus na vida delas. Além disso, a missão deixada para o cristão é uma resposta humana à divina comissão. Não apenas as ações de evangelismo, mas o senso de responsabilidade social deve permear as ações de um cristão frente à sociedade.

O problema da fome, do frio, do abandono, entre outros encontrados nas comunidades mais carentes devem estar na pauta do cristão. Inclusive, o apoio a essas necessidades pode abrir caminho para que o Evangelho os alcance por meio de uma palavra de conforto e acolhimento.

Do mesmo modo, apenas fazer ação social, entregar pão e agasalho, não é missão. É preciso ter seriedade nessas ações. Algumas pessoas precisam de ajuda, mas todas precisam de Cristo mais do que qualquer bem.

Alguns grupos que podem ser alvo das missões urbanas de sua igreja (dados Agência Soma):

• Povos indígenas: existem mais de 106 etnias não alcançadas por missões urbanas.
• Comunidades ribeirinhas: existem mais de 10 mil pequenas comunidades na Bacia Amazônica sem igreja.
• Ciganos: apenas 1% dos mais de 700 mil ciganos espalhados pelo Brasil professam a fé cristã.
• Comunidades quilombolas: há cerca de 600 comunidades quilombolas sem presença evangélica.
• Imigrantes: cerca de 300 mil pessoas que vieram de 100 países aproximadamente estão no Brasil, desses países, 27 não têm liberdade para pregação do Evangelho.
• Portadores de deficiência auditiva: são 9 milhões de pessoas e apenas 1% são cristãos.

Um chamado à responsabilidade

O Pacto de Lausanne é bastante conhecido como um dos maiores ajuntamentos de lideranças focadas em missões e evangelismo. Ele nasceu na década de 70 quando o evangelista Billy Graham percebeu que diversos líderes cristãos mundiais importantes caminhavam desconectados uns dos outros. Ele entendeu que era preciso realizar um congresso mundial para unir esses líderes, com o foco de reestruturar a missão mundial.

Este pacto foi esboçado por um comitê internacional dirigido por John Stott e se tornou um dos documentos mais importantes da história moderna da igreja. O Movimento Lausanne tem mais de 30 redes temáticas diferentes, cada uma focada em uma oportunidade ou desafio missionais. Estes grupos menores de influenciadores têm o foco em tópicos críticos de missões como Evangelho e Cultura, Crianças em Risco, e Negócios como Missão.

Em 2010, foi realizado o congresso mundial de Lausanne na Cidade do Cabo que identificou mais de 30 desafios missionais urgentes, correspondendo a maioria com uma rede temática, incluindo comunicação oral, comunidades em diáspora, no mundo de ideias, e em cada esfera da sociedade, inclusive no ambiente de trabalho, educação e praças públicas.

O Compromisso de Lausanne III (Cidade do Cabo) é embasado na convicção de que “na missão cristã, devemos responder às realidades de nossa geração”. A missão da Igreja deve levar a sério tanto a natureza imutável da Palavra de Deus quanto as transformações da realidade do nosso mundo. O documento reflete a convocação de Lausanne para a Igreja inteira levar o evangelho ao mundo inteiro; é moldado pela linguagem do amor – amor pelo Evangelho,  a Igreja inteira e o mundo todo. O compromisso tem duas partes: uma confissão de fé e um chamado à ação.

Lausanne reúne essas pessoas para conectá-las entre si e gerar conexões catalisadoras dentro e por meio de regiões, gerações, interesses e ideias compartilhadas em prol da missão mundial.

Citamos o Pacto de Lausanne para mostrar a você, leitor, a importância das missões urbanas. A temática é séria e não é um chamado apenas para alguns cristãos. Todos são chamados. E o principal, cristãos juntos e unidos por um propósito maior podem fazer muito mais. O que você pode fazer em seu bairro e em sua cidade?