A missão urbana é a dinâmica de evangelização integral na cidade, seja de curta, média ou longa duração, com foco na divulgação do Evangelho de Cristo por toda a Terra, estabelecendo o Reino de Deus.

Em meio a um tempo onde problemas como corrupção, injustiça social, dilemas sexuais, fragilidade dos laços sociais, futilidade do ambiente online, excesso de informações, dissoluções de famílias, pobreza e muito mais, a sociedade precisa de uma resposta esperançosa de algum lugar.

Em Romanos 8:19 lemos: “Por isso, a criação aguarda ansiosamente a manifestação dos filhos de Deus”. Aqueles que não conhecem a verdade de Deus, gemem as dores do terror deste mundo, sem saber que em Deus podem encontrar refúgio. Fomos escolhidos por Deus para essa missão honrosa de levar essa esperança. Temos a missão de cultivar um jardim no meio do caos, trazer um espírito de paz em meio a tempos de desavenças.

Características importantes de uma missão urbana:

1 – O foco deve ser as cidades: evangelizar o vizinho ou amigo de escola, às vezes, pode ser fácil. Mas ter uma voz ativa na sociedade para alcançar um número maior de pessoas é mais desafiador. Falar com um médico amigo é um passo, falar com o sindicato dos médicos de sua cidade é outro grande passo.

2 – Os moradores urbanos de cidades maiores são muito mais abertos ao diálogo do que moradores de cidades menores: isso porque cidades menores têm hábitos mais enraizados, e a população tem um modo mais tradicional de ser. Nas grandes cidades, há pessoas e culturas muito diferentes em um mesmo local, e assim torna- se mais fácil falar do Evangelho, pois os moradores urbanos estão mais abertos à assuntos diversos.

3 – Nas grandes cidades, se tem muitos “sem-teto”: a igreja virou um centro de apoio para algumas regiões. Ações como doação de roupas, cobertores, alimentos entre outras, são uma excelente ponte para abordar essas pessoas. Viúvas e órfãos também devem ser alvo das missões, pois aprendemos isso ao lermos a Bíblia em Tiago 1:27, onde está escrito: “A religião pura e imaculada para com Deus e Pai, é esta: Visitar os órfãos e as viúvas nas suas tribulações, e guardar-se da corrupção do mundo”. É grande o número de instituições que acolhem crianças nas mais diversas situações de vulnerabilidade e, muitas vezes, as viúvas escolhem dar a vida para instituições assim, sempre trabalhando e dando amor, mas ao mesmo tempo, elas também precisam ser acolhidas.

missões urbanas - um homem segurando uma bíblia

4 – Os cristãos precisam se preparar para viverem em um cenário pluralista, secular e culturalmente envolvente: não é tão simples pegar uma Bíblia e ir à uma festa de Carnaval pregar ou até mesmo pregar em um prostíbulo. A igreja precisa preparar, capacitar biblicamente e emocionalmente esses missionários urbanos. A vida daqueles que vão e daqueles que serão alcançados é valiosa demais para não atuar com excelência e deixar à mercê dos riscos deste mundo.

5 – O Evangelho de Cristo precisa ser apresentado e comunicado de uma maneira compreensível para as pessoas que ainda não conhecem a Cristo: não adianta usar um discurso “evangeliquês”. É preciso pensar em uma forma de abordar um jovem em um festival de música e, ao mesmo tempo, um idoso que joga xadrez na praça do centro da cidade. São pessoas diferentes que precisam de linguagem específica para que a mensagem alcance o coração deles, essa diferença deve ser considerada, inclusive, culturalmente. Temos muitos povos dentro do nosso Brasil, e é preciso respeitar a cultura das pessoas, assim a igreja precisa “traduzir” a Palavra da melhor forma possível, para que seja compreensível e alcance a todos.

6 – Procure apoio de agências evangelísticas: existem agências especializadas em alcançar povos e culturas específicas, e não se pode medir esforços em se aprimorar e receber apoio de pessoas que têm mais experiência.

Sinais de alerta

1 – Os líderes das igrejas que mobilizam as missões urbanas precisam estar sensíveis aos diferentes grupos étnicos, religiosos, de classes e raciais: é fundamental serem cuidadosos ao abordarem algumas questões. A igreja precisa se preparar para tratar de temas diversos, pois apenas assim a igreja conseguirá alcançar todas as línguas, tribos e raças.

2 – Algumas igrejas não estão abertas à atuação de seus membros fora das paredes da igreja: isso pode prejudicar o crescimento destes cristãos no conhecimento de Deus e cumprimento da missão para a qual eles foram chamados.

3 – A maioria dos membros das igrejas evangélicas no Brasil, segundo o Censo, são mais reservados, gostam de segurança, controle e até comodismo: observa-se que a cidade está cheia de pessoas irônicas, raivosas e que amam a desordem. É preciso sair desse lugar reservado e ir para as ruas preparados para lidar com esses dilemas.

4 – Levar novos convertidos para a igreja, é uma consequência da missão urbana, mas o aumento do número de membros não pode ser o alvo principal: se esses novos membros, assim como os antigos, não forem sensíveis ao direcionamento de Deus, bem como entenderem como a missão irá mudar aquela cidade, há um grande risco desta igreja se tornar fria, com missões frias e que em breve vai parar de dar frutos.

Em Salmos 96:3 lemos: “Anunciem a sua glória entre as nações, seus feitos maravilhosos entre todos os povos!”. Esse é o caminho que se deve tomar, em prol da grande missão da igreja. Falar das ações de Deus em sua vida, na sua família, na sua igreja, na sua cidade. Não se sinta intimidado. Sempre haverá o que contar. As pessoas amam ouvir histórias. Conte-as!

Além disso, na internet é possível encontrar bastante conteúdo sobre missões urbanas. Há disponíveis cursos de treinamentos para missões urbanas e transculturais, ideias de missões, missões abertas a membros de outras igrejas e muito mais. Estude o assunto, envolva sua igreja e vá para as ruas. Sempre terá alguém precisando ouvir o Evangelho.