Qual pai ou mãe de uma criança pequena não ficou constrangido e incomodado quando, no parquinho, seu filho(a) não quer dividir os brinquedos? A outra criança chega e pede para pegar o brinquedo e seu filho, na mesma, hora grita: NÃO, é meu! 

Outra situação é quando seu filho chega perto de um amiguinho e pega o brinquedo sem pedir. A confusão está instalada. Nessas horas não sabemos o que fazer e como lidar. Será que meu filho será uma criança egoísta e sem empatia? Como já escrevi anteriormente, precisamos aprender sobre o desenvolvimento infantil para saber exatamente o que cobrar e esperar das crianças. O que vou escrever nesse texto é algo que lido diariamente com a minha filha de 3 anos, que vive exatamente essa fase da dificuldade em compartilhar o que é dela. 

Então vamos lá! 

O primeiro ponto que gostaria que vocês entendessem é que até os 4 anos de idade as crianças brincam de forma paralela, ou seja, ainda não brincam junto de outras crianças. Isso já nos mostra muito sobre essa fase, ela ainda não compartilha o seu brincar com outra criança. Elas brincam perto das outras e não junto. Precisamos respeitar o tempo dela que logo estará interagindo com outra criança e emprestando seus brinquedos. 

Outro ponto fundamental é que o cérebro dessa criança está em desenvolvimento e vai demorar um tempo para aprender a se colocar no lugar do outro. A criança pequena está na fase de ser possessiva com suas coisas e isso não é um defeito, mas uma fase do desenvolvimento. 

Compartilhar brinquedos é um marco do desenvolvimento infantil

Pense em você, uma pessoa adulta. Você emprestaria algo que gosta muito a uma pessoa que acabou de conhecer? Porque nossos filhos devem ser forçados a entregar algo que eles gostam muito ou estão brincando atentamente, a uma criança que acabou de conhecer no parquinho? 

As crianças levam o brincar muito a sério e se concentram naquela brincadeira. Muitas vezes forçamos a criança a interromper o que está sendo muito prazeroso para entregar o brinquedo. O que ela aprenderá com isso? Que emprestar um brinquedo vai fazê-la se sentir mal, que é chato e uma obrigação. Isso pode até fazê-la ter mais dificuldade de emprestar da próxima vez. 

O que fazer então? 

Não vamos simplesmente deixar essa fase passar, mas precisamos entender tudo isso e ensinar as crianças da forma correta. No caso acima, em que a criança está brincando com um brinquedo e outra criança pede aquele objeto, você pode ensinar a outra criança e a seu filho que quando ele terminar de brincar, ele empresta, e vice-versa. Com isso, vamos demonstrar respeito com a vontade das crianças. 

Podemos sugerir também que a outra criança entre na brincadeira com o seu brinquedo e que possam dividir, sem simplesmente interromper a brincadeira do outro. Se isso também não for possível, redirecione a atenção dessa criança chateada para outro brinquedo. 

Outro ensinamento importante aos nossos filhos é que eles não podem conseguir o que querem na base do choro e protesto. Devemos acolher a criança e não ceder a tudo o que ela deseja. Os nossos filhos vão se frustrar e isso faz parte do processo. 

Pode parecer exaustivo explicar mil vezes a mesma coisa e a criança repetir o comportamento. Porém, as crianças aprendem também com essa repetição. O que você está ensinando não será em vão. 

Nessa fase os pais devem ser pacientes e usar estratégias em casa para esse ensinamento. 

Seguem algumas dicas

A primeira dica é que a criança selecione brinquedos que quer compartilhar. Quando há essa antecipação a criança ficará mais segura em compartilhar quando chegar no parquinho. 

A segunda dica é brincar em casa com bonecos, fantoches e livros ensinando sobre o assunto. 

A terceira dica é que os pais devem ser o exemplo, ensinado no dia a dia, com ações, a compartilhar. 

A quarta dica é ensinar a dizer “não” com gentileza (aproveite momentos do dia a dia para mostrar como isso pode ser feito). 

Muito amor e paciência nessa fase 

Eu sei que muitas vezes perdemos a cabeça e nos frustramos. Frustramos, pois a criança não está respondendo às nossas expectativas. Elas não estão sendo a criança “perfeita e madura” que eu espero que seja. E elas precisam ser? Nossas atitudes com as crianças dizem muito a nosso respeito. Pense nisso. Essa fase vai passar e virão novos desafios. 

Ser pai e mãe é isso: crescer junto dos filhos.