Logo após ensinar a oração do Pai Nosso, Jesus, no livro de Mateus, continua sua fala com ensinamentos a respeito do perdão:

“Porque, se perdoardes aos homens as suas ofensas, também vosso Pai celestial vos perdoará a vós; Se, porém, não perdoardes aos homens as suas ofensas, também vosso Pai vos não perdoará as vossas ofensas”. (Mateus 6:14,15)

Dentre todas as coisas que nos ensinou na oração, Ele escolheu deliberadamente enfatizar este tópico, demonstrando a importância que ele tem para Deus: inclusive afirmando que nós receberemos de Deus a mesma medida de perdão que concedemos aos outros.

Nesta época do ano, em que as pessoas se tornam mais contemplativas e a necessidade de perdoar se torna um assunto mais forte entre as pessoas, trouxemos alguns motivos que podem te dar aquele “empurrãozinho” que falta na hora de conceder essa graça a alguém.

Perdão é algo que se concede de graça

Em determinado momento de sua caminhada, Jesus reúne os apóstolos para anunciar a chegada do Reino dos Céus. No relato, presente em Mateus 10, ele os ensina a fazer uma série de coisas, como curar enfermos, limpar leprosos, ressuscitar mortos e expulsar demônios, sempre de graça: “de graça receberdes, de graça dai”.

Fazendo um salto e olhando para tudo o que aprendemos ao ler os livros bíblicos, é seguro considerarmos que perdoar também está nessa lista de atitudes que devemos ter de maneira graciosa. Afinal, somos ensinados em Efésios 2 que a salvação é dom de Deus, concedido a nós por meio da graça.

Com isso queremos dizer que o perdão não precisa necessariamente de um elemento provocador para acontecer, como uma pessoa vir até você e assumir que errou. Claro, isso é ótimo, mas nós devemos perdoar mesmo que uma atitude como essa nunca ocorra. 

Perdoar faz bem para a saúde

matéria perdão - duas pessoas se sentindo bem

Indo mais além da compreensão bíblica sobre o perdão, temos também o fator físico envolvido no ato de perdoar. Deus não deixa pontas soltas e, para que nós percebamos como é necessário absolver quem nos ofendeu, nosso próprio corpo sente o impacto de uma vida de rancores acumulados. 

Uma reportagem da revista Galileu, especializada em ciências, por exemplo, elenca oito razões pelas quais o perdão faz bem para a saúde. São eles:

  • Pode te fazer viver mais;
  • Te deixa menos nervoso;
  • Melhora sua saúde (inclusive o sono);
  • Auxilia no processo de autoperdão;
  • É capaz de diminuir a pressão arterial (faz bem para o coração);
  • Pode beneficiar o sistema imunológico;
  • É capaz de fortalecer relacionamentos;
  • Ajuda a proteger do stress a longo prazo;

É possível perceber que nossos corpos se beneficiam muito com uma rotina de perdão, e pesquisas de diferentes campos da ciência cada vez mais corroboram isso. Então, como trazer isso para a nossa rotina?

Os tipos de perdão

Uma boa forma de adicionarmos o perdão ao nosso dia a dia é entender melhor sobre ele. 

Famoso por seu livro sobre “as cinco linguagens do amor”, o escritor Gary Chapman aplicou a mesma fórmula ao ato de perdoar e traz alguns insights interessantes na obra “As Cinco Linguagens do Perdão”, escrito a quatro mãos com a autora Jennifer Thomas.

Segundo eles, estas são as principais maneiras por meio das quais manifestamos (e compreendemos/recebemos) o perdão, com uma breve ilustração de cada uma:

1 – Manifestação de arrependimento

“Manifestar o arrependimento é o aspecto emocional do pedido de perdão. É uma forma de alguém mostrar à pessoa ofendida que tem consciência da culpa, da vergonha e da dor causadas pelo comportamento inadequado”, explicam os autores, que completam em outro momento: “Essa identificação com a dor do outro cria um ambiente mais favorável ao perdão”.

2 – Aceitação da responsabilidade

“Reconhecer o erro pode dar a impressão de fraqueza. […] A verdade é que todos somos pecadores; não existe adulto perfeito. As pessoas maduras aprendem a quebrar esses padrões nocivos da infância e a aceitar a responsabilidade pelos erros cometidos. O adulto imaturo sempre tenta justificar seu comportamento impróprio”, escrevem.

3 – Compensação do prejuízo

“A disposição de fazer alguma coisa para compensar a dor que causamos é uma evidência de que estamos arrependidos”, explicam.

4 – Arrependimento genuíno

“É bem melhor quando a pessoa é capaz de reconhecer seu erro o mais rápido possível, de preferência antes da parte ofendida procurá-lo para tirar satisfações”, dizem os autores, que complementam: “Por causa da vergonha e do constrangimento, geralmente deixamos de admitir nossos fracassos, mas é muito melhor fazê-lo por antecipação”.

5 – Pedido de perdão.

Gary e Jennifer também escrevem acerca daqueles cuja linguagem de perdão consiste em ouvir o outro lado reconhecer que errou: “A iniciativa de pedir desculpas fortalece a autoestima. O homem e a mulher capazes de assumir a responsabilidade pelos erros que cometem são respeitados e admirados”.

duas mulheres se abraçando e chorando

São ensinamentos valiosos, e vale ler o livro para entender a fundo o que cada uma destas linguagens representa para cada um de nós, partindo sempre do pressuposto que é ensinado pelos próprios autores de que a nossa capacidade de perdoar vem do próprio Deus. 

“Perdão gera reconciliação. Isso não quer dizer que a confiança seja restaurada de uma hora para outra. Reconciliação significa que as duas partes deixam aquele problema para trás e olham juntas para o futuro”, afirmam Gary e Jennifer.