Desde o início da pandemia, a igreja, assim como as demais áreas da sociedade, tem sofrido consequências sociais com a necessidade de distanciamento e, mais do que isso, de isolamento quase que integral.

As transmissões via internet foram e estão sendo uma tentativa de resposta para a espiritualidade ao longo deste um ano de pandemia. Aqui no Brasil, por exemplo, vemos que no mês de março de 2020 a busca pelo termo “culto online” aumentou 10.000% no buscador Google.

Com a adaptação, consequentemente, os fiéis conduziram suas vidas conforme o avançar dessa realidade. Ao passo que a relação com a igreja foi reformulada à força, setores da vida comum também foram influenciados.

Para avaliar esses impactos, uma pesquisa foi realizada por um instituto cristão, nos Estados Unidos, e divulgada no dia 18 de março. O Barna Group conduz e analisa pesquisas para entender as tendências culturais relacionadas a valores, crenças, atitudes e comportamentos.

Dessa vez, a pesquisa intitulada “Um ano fora: como a Covid-19 tem impactado os cristãos praticantes” foi conduzida online de 9 a 20 de outubro de 2020. O Barna entrevistou 1.520 pessoas residentes nos Estados Unidos. Entre outras informações, o estudo buscou entender a conduta dos grupos diante das mudanças no cotidiano e perdas (de pessoas e empregos, por exemplo) neste tempo.

As análises foram feitas com pessoas acima de 18 anos, em duas classificações: americanos que se declaram cristãos (concordam fortemente que a fé é muito importante em suas vidas e frequentaram a igreja pelo menos uma vez por mês, em média, no último ano); e um segundo grupo de adultos residentes nos EUA.

Os primeiros dados revelaram que os cristãos se saíram melhor aos impactos nos quesitos de “níveis de ansiedade”, “marcos da vida” e “esperança para o futuro”. Porém, os pesquisadores concluíram que os líderes das igrejas devem se preparar para atender às necessidades desse grupo, no que eles denominaram como “novo espaço ministerial híbrido de 2021”.

 

Os cristãos se saíram melhor aos impactos nos quesitos de “níveis de ansiedade”, “marcos da vida” e “esperança para o futuro”.

 

Em relação à satisfação com a vida social e o bem-estar, os dados apontam que o grupo de adultos americanos se mostrou indiferente. Em outubro de 2020, cerca de dois em cada cinco americanos (42%) disseram que estavam tão satisfeitos com sua vida social quanto antes da pandemia (46%).

Já entre os cristãos, apesar de relatarem níveis mais altos de satisfação nessa área, 42% disseram estar menos satisfeitos com a vida social após o início das medidas de contenção do vírus. A pesquisa anterior mostrava apenas 21% de insatisfação.

Isso quer dizer que, em termos gerais, o cristão que frequentava a igreja era mais ativo socialmente enquanto estava envolvido com as atividades eclesiásticas. Por outro lado, o americano que não possuía uma congregação, já não tinha muito envolvimento social antes da pandemia.

Sendo assim, os cristãos foram os mais afetados desde o início da circulação do vírus em escala global. Enquanto 57% dos residentes americanos informaram o cancelamento de eventos que estavam esperando, 62% dos fiéis afirmaram o cancelamento ou adiamento de reuniões e eventos importantes.

As transformações na vida familiar e profissional

Como a convivência social externa se estagnou, a vida familiar e profissional tiveram mais atenção durante o período de reclusão. Em muitos casos, essas áreas se fundiram com a necessidade do home office.

Até o final de 2020, 14% dos americanos e 7% dos cristãos disseram que haviam perdido o emprego em decorrência da pandemia. Entre os adultos americanos, os que mais perderam seus empregos foram as mulheres, os entrevistados em famílias de baixa renda e aqueles de nível socioeconômico mais baixo.

Já para os adultos americanos empregados, metade deles relatou trabalhar em casa em alguma função durante a pandemia, com 33% dizendo que o faziam exclusivamente. Nesse quesito, de acordo com a pesquisa, o contentamento (ou falta dele) com a ocupação dos dois grupos não mudou muito por causa da Covid-19.

Cerca de quatro em cada 10 americanos (46%) concordaram que estavam tão satisfeitos com o equilíbrio entre trabalho e vida pessoal quanto estavam antes. Entre os cristãos, esse número diminui em 7 pontos percentuais, chegando a 39%.

Aqui é importante destacar que, entre os respondentes que se identificaram como trabalhadores essenciais, os da igreja tiveram uma resposta considerável em relação à satisfação durante a pandemia. Um total de 35% disse que estava mais satisfeito em sua vida profissional, enquanto apenas 22% dos adultos norte-americanos disseram o mesmo. Também neste grupo de trabalhadores essenciais e adultos, quase metade (47%) disse que o equilíbrio entre vida pessoal e profissional permaneceu inalterado.

Embora as consequências de uma vida reclusa tenha vindo para todos, quando o assunto é sobre as perspectivas para o futuro, novamente os cristãos relatam mais positividade. Os praticantes do cristianismo, segundo seus próprios relatos, eram mais propensos a se manter firmes ou ver alguma melhora em vários aspectos durante a pandemia.

 

Quando o assunto é sobre as perspectivas para o futuro, novamente os cristãos relatam mais positividade, sendo mais propensos a se manter firmes ou ver alguma melhora em vários aspectos durante a pandemia.

 

Mais consequências da pandemia na vida dos cristãos

Outros setores da vida social também mostraram impactos aos cristãos de acordo com a pesquisa. Veja alguns deles comparados aos americanos:

Emocional:

65% dos adultos sem igreja contra 62% dos cristãos disseram estar experimentando ansiedade moderada a alta;
15% dos adultos sem igreja contra 25% dos cristãos disseram estar mais satisfeitos com o seu emocional e bem-estar durante a pandemia.

Financeira:

32% dos adultos sem igreja contra 35% dos cristãos acreditam que a economia se recuperaria em um ano.

Por fim, a pesquisa do Barna evidenciou o importante trabalho das congregações no ambiente virtual confortando e conduzindo os cristãos. As informações destacam, principalmente, o apoio das igrejas aos mais necessitados (mulheres e afetados economicamente).
Um total de 63% dos respondentes acredita que as igrejas devem continuar a alavancar os recursos digitais para o discipulado, mesmo depois que a pandemia acabar.