A internet chegou ao Brasil em 1981 e nesses 40 anos ela tem sido responsável por avanços em diversos setores da sociedade. Como ferramenta de acesso à informação, a internet traz tudo até nós. Basta estar online e você é impactado por informações de temáticas diversas.

Hoje, mesmo com os mecanismos de bloqueio, ainda existe o risco de termos contato com o que não queremos. Por isso, em 2020, quando fomos surpreendidos pela pandemia, não apenas o vírus e o isolamento geraram pânico nas famílias. Para alguns, um outro problema também era motivo de preocupação: agora as crianças estavam dentro de casa totalmente reféns do digital. O passatempo durante alguns meses seria apenas a tela. Para os adolescentes, que vivem um momento bem significativo, esse “estar on o tempo todo” pode significar uma mudança de hábitos, conceitos e escolhas.

Como pais, podemos colocar limites e devemos ficar de olho. No entanto, o excesso de zelo pode tornar os adolescentes mais propensos a furar a vigilância. Desta forma, o ideal é ficar de olhos atentos, mas abrir um espaço para que seu filho compartilhe o dia a dia e que seja possível criar um ambiente de confiança. Pais que vigiam em excesso e não respeitam o espaço e momento do adolescente, criam dificuldades para o diálogo familiar e dão o espaço ideal para a mentira.

Aula online

Esse, sem dúvida, é o principal desafio dos pais. Da noite para o dia, as aulas passaram a ser totalmente online. Isso significa pelo menos 5 horas seguidas em frente às telas. Além de passarem pelo processo de aprendizagem à força, já que ninguém teve tempo de se adaptar aos poucos, os adolescentes ficam à mercê de diversos mecanismos que podem levá-los a perder o foco nos estudos. Web Whatsapp, páginas de vídeos, jogos online, entre outros canais de “fuga” podem tirar os alunos das aulas, mesmo estando presentes para os professores. As câmeras fechadas maquiam o que os alunos estão fazendo na verdade.

Vivendo por likes

Com mais tempo online, os adolescentes acabam por se render às redes sociais para poderem se comunicar e interagir socialmente. Até certa medida, isso pode ser bom para que não haja um isolamento completo, por outro lado, os adolescentes podem estar na mira de um dos vícios das redes sociais: os likes.

A fase da adolescência é importante para a autoestima e construção de sua identidade. Nesse período, os adolescentes ficam mais preocupados em serem aceitos, agradarem aos outros e serem “populares”. É comum que eles busquem conseguir isso também através das redes sociais.

adolescente em frente ao celular - família cristã

Por isso, muitos aguardam ansiosamente as reações após um post, por exemplo. O número de likes funciona para eles como uma medida de aceitação. E há quem viva em busca disso. Especialmente adolescentes que não estão felizes com seu corpo, se sentem ainda piores por publicarem algo e não receberem a aprovação como desejavam.

Risco de morte

A agência Nova/SB apresentou, em 2020, o resultado de um monitoramento virtual onde foram analisadas 1.230.197 menções à palavra suicídio nas redes sociais no Brasil.

A série da Netflix “13 Reasons Why”, que conta a história de uma adolescente que se mata, e também o jogo Baleia Azul, que motivava a automutilação entre jovens, totalizaram 84% das publicações analisadas.

adolescente em frente ao computador - família cristã

Esses números são assustadores e geram consequências graves. Na Rússia, uma garota de 12 anos se matou ao se jogar de um edifício. A mãe descobriu que a adolescente havia se envolvido em uma subcultura de suicídio generalizado que ocorre nas redes sociais, apresentando imagens de autoflageção, games alternativos entre outros mecanismos motivadores. Já na Malásia, uma garota de 16 anos se matou após postar uma enquete em seu Instagram perguntando aos seguidores se ela deveria morrer ou não. 69% das pessoas votaram “sim” e ela se matou.

Pornografia

Basta uma simples busca pela palavra “sexo” no Google e é possível ter acesso a inúmeros conteúdos: corpos nus, posições sexuais, preferências, fetiches e muito mais.

A questão aqui merece bastante atenção porque além da pornografia estimular os adolescentes, faz com que eles passem a ver o sexo de forma incorreta, banalizando e criando traumas que vão afetar sua vida sexual e relacional. Eles começam a idealizar o sexo de forma pervertida e sem limites e, com a repetição no consumo da pornografia, se tornam viciados na estimulação a todo instante.

Vício digital

A Organização Mundial da Saúde já considera o vício digital como doença fruto das mudanças sociais e avanço da tecnologia. A nomofobia é o medo de ficar longe do celular ou dos eletrônicos em geral, doença reconhecida no Código Internacional de Doenças (CID). Hoje são quase 200 milhões de pessoas que sofrem dela.

Uma orientação

A Palavra de Deus nos diz, “Tudo me é permitido, mas nem tudo convém. Tudo me é permitido, mas eu não deixarei que nada me domine”, (I Coríntios 6:12). É papel dos pais orientar os filhos quanto ao uso da internet e a inculcar na mente deles os riscos dos atalhos que ela traz para assuntos que não convém aos adolescentes.

Em Efésios 6:4, o Senhor dá uma orientação: “Pais, não irritem seus filhos; antes criem-nos segundo a instrução e o conselho do Senhor”. É preciso que os pais tenham sabedoria para instruir os filhos, com amor e sem desrespeitar a fase que eles estão. A adolescência é uma fase desafiadora para pais e filhos. Os pais, como mais sábios, devem saber como indicar o melhor caminho para seus filhos diante da internet, dos vícios e dos prazeres que ela traz.

Um adolescente entregue a si mesmo é vergonha para a mãe e desonra para seu pai. Por isso, cabe aos pais ensinarem a ele o melhor caminho, um caminho de fé, obediência e amor, para que ele nunca mais se desvie.