Um achado recente em Israel trouxe à tona uma evidência da Canaã bíblica. Na última quinta-feira (15), um estudo falando de uma escrita datada de 3.500 anos foi publicado pela revista acadêmica Antiquity.

Trata-se de um fragmento de cerâmica encontrado na região Shephelah, no centro-sul do país, durante uma escavação do Instituto Arqueológico Austríaco junto com o de Arqueologia da Universidade Hebraica de Jerusalém, em Tel Lachish. Este é um dos sítios arqueológicos mais importantes de Israel e essa expedição aconteceu no ano de 2018.

Da época em que os escritos pertence, o local fazia parte de um centro cananeu, e é considerado o mais antigo já descoberto até o momento. Ele tem servido como apoio de estudiosos para compreenderem melhor os primórdios alfabéticos. Isso porque o artefato apresenta uma combinação de seis letras e duas linhas, o que pode ser uma parte inicial do processo que levou ao alfabeto.

Para Felix Höflmayer, co-diretor da escavação na cidade antiga, a história do alfabeto ao longo dos séculos poderá ser preenchida a partir desse achado. Também será possível relacionar esses escritos com outros indícios já encontrados, dentre eles os alfabetos semíticos e outros no Monte Sinai.

 

O artefato apresenta uma combinação de seis letras e duas linhas,

o que pode ser uma parte inicial do processo que levou ao alfabeto.

 

“Sabemos que o alfabeto primitivo foi inventado no Sinai aproximadamente no século 19 a.C. Ele ressurgiu no sul do Levante (dias modernos de Israel e Jordânia) muito mais tarde, apenas por volta dos séculos 12 e 13, mas não tínhamos pistas sobre o que aconteceu entre esses dois períodos”, explicou ele.

Mencionada no livro de Josué, a cidade de Tel Lachish, também chamada de Laquis, é citada várias vezes na Bíblia Sagrada. Em um dos relatos da conquista de Canaã pelos israelenses, Laquis é vencida durante as batalhas. Posteriormente, ela se torna uma cidade importante para os judeus, mas é destruída novamente pelos assírios no século 7 a.C.