Praticamente todas as vezes que converso com universitários sobre a importância do estudo e do conhecimento bíblico e secular para o cristão universitário, deparo-me com a seguinte afirmação: “mas Deus não precisa do nosso conhecimento para fazer a Sua obra. Só precisamos orar pelas faculdades e dar bom testemunho. O resto, Deus vai fazer”. Será que é assim mesmo?

Longe de mim sequer imaginar que Deus dependa de alguma capacidade nossa para cumprir Seus propósitos. Ele é Soberano, Todo Poderoso e cumpre Sua própria vontade quando e como quer. Contudo, desprezar a importância da erudição para um impacto no ambiente acadêmico é um grande erro.

O apóstolo Paulo foi um homem que entendeu essa verdade. Ele sabia que o Evangelho, e não a habilidade humana, é o poder de Deus para salvação. Contudo, nunca se esquivou de usar razão, lógica e todo seu conhecimento a favor daquilo que pregava.

Assim, “segundo o seu costume, Paulo foi à sinagoga e por três sábados discutiu com eles com base nas Escrituras, explicando e provando que o Cristo deveria sofrer e ressuscitar dentre os mortos”, (Atos 17:2 e 3). 

Paulo não se limitava a orar pelos ouvintes e entregar uma mensagem padronizada. Ele demonstrava, explicava e provava a veracidade da fé para um público que demandava esse conhecimento.

Isso porque a erudição, a boa fundamentação, a utilização de argumentos coerentes e lógicos amparados por conhecimento consistente são fundamentais para se estabelecer um diálogo a respeito da fé em meios intelectualizados.

A fé cristã é vista, nestes locais, como superficial e pouco relevante, devido à superficialidade e pouca relevância dos argumentos apresentados por muitos cristãos.

Em outro momento, “Paulo entrou na sinagoga e ali falou com liberdade durante três meses, argumentando convincentemente acerca do Reino de Deus”, (Atos 19:8). 

Ainda mais notável é a passagem do apóstolo por Atenas (Atos 17). Pelo relato de Lucas, vemos que ele se empenhava não apenas por apresentar conteúdo bíblico consistente de forma inteligente, lógica e racional. Mas, com a mesma naturalidade, dialogava sobre aspectos culturais e seculares dos atenienses.

No Areópago ele foi capaz de falar a não cristãos com a mesma habilidade que falava com judeus, partindo da cultura local, passando pelo conhecimento dos filósofos gregos até apresentar o Evangelho com harmonia e lógica.

Que exemplo para os universitários de hoje! Paulo era um erudito que usava seu conhecimento para alcançar públicos específicos, bem como para levar a mensagem do Reino de Deus cada vez mais longe.

Como bem disse Oswald Sanders, “tem-se sugerido que um paralelo dos dias atuais com o apóstolo Paulo resultaria num homem capaz de falar chinês em Pequim, citando Confúcio e Mêncio; escrever teologia intimamente arrazoada em inglês e expô-la em Oxford; defender sua causa em russo perante a Academia Soviética de Ciências”.

Estudar e crescer em conhecimento é trabalhoso. Mas faz parte do chamado de Deus para quem quer impactar o meio acadêmico. Os crentes não podem se omitir dessa responsabilidade. 

Que Deus levante eruditos que impactarão de fato a universidade, como William Lane Craig, que disse: “Tipicamente sou convidado aos campi para debater com algum professor que tem a reputação de ser especialmente abusivo para com estudantes cristãos em suas aulas (…) Repetidas vezes tenho visto que embora a maioria desses homens seja ótima em destruir intelectualmente um jovem de 18 anos em uma de suas aulas, eles não conseguem nem ficar em pé quando a disputa é cara a cara com um de seus pares”.

Sim, a erudição cristã tem seu lugar e precisa ser fomentada. Já pensou que talvez esse seja seu chamado?