De acordo com a medicina, o que é depressão?

Depressão é um Transtorno Afetivo (ou do Humor), caracterizada por uma alteração psíquica e orgânica global, com consequentes alterações na maneira de valorizar a realidade e a vida. É uma doença “do organismo como um todo”, que compromete o físico, o humor e, em consequência, o pensamento. De um modo geral afeta a parte mais nobre da mente humana, como a memória, o raciocínio, a criatividade, a vontade, o amor e o sexo, além da forma como a pessoa se alimenta e dorme.

A depressão surge nas pessoas predispostas, vulneráveis, devido às suas histórias e a todos os fatores estressantes no seu dia – a – dia e na sua vida.

Os principais sintomas são o isolamento, humor deprimido, choro frequente, perda de energia ou interesse, lentidão das atividades físicas e mentais, dificuldade de concentração, sentimento de pesar ou fracasso, alterações do apetite e do sono, desconforto no batimento cardíaco, dores de cabeça e dificuldades digestivas.

A pessoa deprimida não tem ânimo para os prazeres e para quase nada na vida, de pouco adiantam os conselhos para que se divirtam, para que encontrem pessoas diferentes, para que frequentem grupos religiosos ou pratiquem atividades, que são de extrema importância como auxiliares no tratamento. Os sentimentos depressivos vêm do interior da pessoa e não de fora dela, e é por isso que as coisas do mundo, as quais normalmente são agradáveis para quem não está deprimido, parecem aborrecidas e sem sentido para o deprimido.

O tratamento adequado, entretanto, pode ajudar a maioria das pessoas que sofrem de depressão. A contribuição médica é bastante importante, por meio dos psiquiatras, pois o indivíduo que se apresenta depressivo também apresenta um mau funcionamento cerebral, além do tratamento com psicólogos por meio da psicoterapia e exercícios físicos como a caminhada.

Portanto, as doenças depressivas se manifestam de diversas maneiras, com diversas causas. Assim deve ser tratada de forma subjetiva conforme a história e vida de cada indivíduo.

 

Sintomas Depressivos

Psicológicos: Tristeza persistente, ansiedade ou sensação de vazio, pessimismo, sentimento de culpa, inutilidade, desamparo, insônia ou sonolência excessiva, perda do prazer em passatempos, perda ou excesso de apetite e/ou peso, fadiga, desânimo, ideia de morte ou suicídio, irritabilidade, inquietação, dificuldade em concentrar-se e tomar decisões, medos ou fobias, perfeccionismo, tendência a comportamentos ritualísticos (mania de limpeza, de conferir as coisas), autopunição.

Físicos: Não responder a tratamentos convencionais: dor de cabeça, distúrbios digestivos, dor crônica, tonturas, palpitações, falta de ar, azias e gastrites, sensação de calor ou frio excessivo, boca seca, náuseas, tremores, formigamento ou sensação de anestesia, fincadas na cabeça, micção frequente, aperto no peito, inchaço etc.

Manias: euforia e irritabilidade inadequadas, insônia grave, idéias de grandeza, tagarelice, pensamentos desconexos, aumento acentuado de energia, redução do senso crítico, comportamento social inadequado.

 

Doutor Uriel Heckert

De acordo com Uriel Heckert, Médico Psiquiatra (UFJF/UFRJ), Mestre em Filosofia (UFJF). Doutor em Psiquiatria (USP), Professor de Psiquiatria e de Antropologia Médica (UFJF) e Membro Pleno do Corpo de Psicólogos e Psiquiatras Cristãos (CPPC), depressão é um estado de sofrimento psíquico caracterizado fundamentalmente por rebaixamento do humor (isto é, do estado afetivo básico apresentado pela pessoa), acompanhado por diminuição significativa do interesse, prazer e energia. Depressão deve ser diferenciada de tristeza, que é uma experiência humana universal e esperada diante de experiências desfavoráveis, como o luto, por exemplo. O diagnóstico de depressão implica na correta avaliação das características e intensidade dos sintomas, bem como o tempo de evolução e suas repercussões. Ele também respondeu a algumas perguntas sobre o assunto.

 

Qual a diferença entre depressão e distimia?

Uriel: As duas formas reconhecidas de depressão são a depressão maior e a distimia. Na primeira, os sintomas são pronunciados, de instalação rápida, com quadro clínico mais expressivo e definido. Já na distimia os sintomas são mais discretos e nem sempre claramente percebidos, porém arrastam-se por tempo prolongado. Em ambas as formas há grande sofrimento emocional, com repercussões físicas, sociais e possíveis prejuízos em várias áreas da vida pessoal. Outra classificação distingue episódios depressivos e transtorno depressivo recorrente. Neste último, há tendência a recidivas, após períodos variáveis de remissão dos sintomas. Na verdade, o campo dos transtornos do humor recebe grandes investimentos em pesquisas, atualmente. Assim, é de se esperar que ocorram mudanças nas tipologias, visando maior precisão no diagnóstico e terapêutica.

 

A depressão é mais comum no homem ou na mulher? Há uma faixa etária mais vulnerável?

Uriel: Ela é significativamente mais frequente em mulheres do que em homens, na razão de dois para um. Em períodos como puerpério, menopausa e idade avançada, a depressão tem maior incidência. Adultos descasados apresentam-na numa proporção de duas vezes e meia maior que os casados.

 

A depressão pode ser prevenida?

Uriel: As pessoas que têm uma predisposição familiar e, ou aquelas com perfil de personalidade favorável ao desenvolvimento da depressão, podem ter alguns cuidados preventivos. A ajuda psicológica pode ser muito útil em todas as circunstâncias. Além disso, hábitos de vida saudáveis são sempre recomendados. Sabe-se que exercícios físicos, principalmente ao ar livre, em contato com raios solares, estimulam a produção pelo organismo de neuro-hormônios responsáveis pela sensação de bem estar. Eles favorecem a manutenção do humor. O respeito aos ritmos biológicos é também indicado, principalmente o sono. Quanto às crenças e práticas religiosas, dados empíricos apontam que podem ter papel preventivo. Entretanto, não bastam meras formalidades e hábitos rotineiros. Importância tem sido dada à chamada religiosidade intrínseca, relacionada a convicções bem estabelecidas, que sejam doadoras de sentido à existência e tragam forte envolvimento pessoal. Mesmo uma fé assim nem sempre é suficiente para evitar que o cristão sofra de depressão. Em ocorrendo, contudo, há evidências que sustentam a expectativa de uma evolução mais favorável.

 

Qual a relação da depressão com o estresse?

Uriel: Estresse refere-se à condição do organismo que está submetido a uma pressão exagerada, acima das suas possibilidades saudáveis de adaptação. Diferentes enfermidades físicas e psíquicas podem surgir em decorrência de um estresse prolongado. A depressão é uma consequência das mais comuns em nossos dias.

 

Quem deve cuidar do deprimido: um neurologista, um psicólogo ou um psiquiatra?

Uriel: Atualmente, tem sido muito enfatizado o tratamento com medicamentos específicos, os chamados antidepressivos. Eles agem no nível das sinapses do sistema nervoso central, ativando a ação dos neurotransmissores (serotonina e noradrenalina, principalmente). Os resultados do uso dessas substâncias têm sido animadores. Entretanto, deve-se lembrar que a depressão é uma experiência vivencial profunda, das mais perturbadoras para o ser humano. Como tal, ela implica sempre numa reconsideração existencial, que leva a reavaliação de atividades, compromissos, relacionamentos, valores e crenças. Sabe-se mesmo que a sua superação está relacionada à elaboração do significado que a experiência passa a ter na história de vida pessoal. Assim sendo, é indispensável que se propicie espaços terapêuticos em que a expressão dos sentimentos seja valorizada e estimulada, com vistas à sua adequada integração. Algumas competências são específicas dos profissionais da saúde, como o ato de diagnosticar, medicar, exercer a psicoterapia, orientar sobre atitudes e riscos. Outras medidas de suporte podem ser supridas por familiares e amigos habilidosos, especialmente aqueles que já passaram por experiência semelhante, bem como por pastores e conselheiros capacitados. Papel destacado pode ocupar a igreja, desde que seja uma comunidade de acolhimento e estímulo aos que sofrem e às suas famílias. 

 

Como Vencer A Depressão

A melhor forma de vencer a depressão é ocupar a mente com pensamentos bíblicos, conforme está escrito em Josué capítulo 1:8. Neste trecho, Deus ensina o caminho do sucesso: meditar dia e noite em Sua palavra e fazer tudo quanto Ele nos ordena. Por este e outros motivos, é que precisamos confiar a Deus todos os momentos da nossa vida.

Hoje, a depressão é um dos males que afeta milhões de pessoas. Várias são as causas deste mal, mas a maior delas foi a entrada do pecado no mundo. Esta foi, sem dúvida, a origem de todos os males de cunho emocional, espiritual e físico. Caso a depressão já tenha tomado conta de sua vida, um poderoso remédio é a Bíblia. 

Geralmente, as causas da depressão são o ressentimento, a mágoa, a ira e a ação maligna. Esta sequência de sentimentos leva à ação maligna.

Porém, a depressão tem cura imediata. 

Como? 

Se usarmos o Salmo 37.

Verso 1: “Não te indignes por causa dos malfeitores”

Quantas vezes muitos de nós ficamos desanimados e até com sentimento de inveja ao vermos a aparente prosperidade dos ímpios? Devemos repelir a inveja, pois ela é um dos caminhos que levam à depressão.

Verso 2: “Confia no Senhor”

A perda da confiança em Deus leva o homem ao fracasso, à rejeição, ao complexo de inferioridade, à lamentação e consequentemente, à depressão. Mas, os que confiam em um Deus vivo encontram consolo nas horas amargas (Salmo 125:1). 

Verso 3: “Faze o bem”

Uma das manifestações do fruto do Espírito Santo consiste em praticar a benignidade (Gálatas 5:22). Fazendo o bem, alcançaremos o viver pleno nesta terra, teremos todas as nossas necessidades supridas e anularemos o espaço para a depressão.

Verso 4: “Deleita-te também no Senhor, e ele concederá os desejos do seu coração”

O Diabo é o pai da depressão. Porém, o nosso Deus criou contra ela o deleite. A condição de descansar no Senhor é, sem dúvida nenhuma, a maior vacina contra este terrível mal. Deleite-se e busque a alegria de Deus! (Salmo 16:11).

Verso 5:” Entrega os teus caminhos ao Senhor”

Ocorrem casos em que o cristão se encontra tão deprimido que nem consegue orar. Mas, está escrito na Palavra de Deus que, se entregarmos nossos caminhos a Ele, com certeza tudo Ele fará. Isto significa colocar nas mãos de Deus os problemas. É lançar sobre Ele todas as nossas ansiedades porque Ele tem cuidado de nós (I Pedro 5:7). 

Verso 7: “Descansa no Senhor e espera Nele”.

Descansar verdadeiramente no Senhor, às vezes pelas confusões do dia a dia, pode não ser tão fácil como se pensa. Às vezes, entregamos tudo a Deus e ficamos segurando fortemente a corda da falta de fé. Descansar no Senhor é ter a certeza de que, apesar de todos os acontecimentos e circunstâncias o nosso Redentor vive (Jó 19:25-27). Se descansarmos no Senhor, conseguiremos vencer a depressão, pois Ele sustenta os passos dos justos.

Enfim, aquele que adota as orientações do Salmo 37, aprende a desenvolver atitudes mentais elevadas e jamais será dominado por qualquer tipo de depressão. 

Afinal, o Eterno de Israel, por meio do envio de Jesus Cristo, nos prometeu vida, e vida em abundância. 

 

Doutor Uriel Heckert – Juiz de Fora, MG

Médico Psiquiatra (UFJF/UFRJ). Mestre em Filosofia (UFJF). Doutor em Psiquiatria (USP). Prof. de Psiquiatria e de Antropologia Médica (UFJF/Aposentado). Membro Pleno do Corpo de Psicólogos e Psiquiatras Cristãos (CPPC).