Recordar-te-ás de todo o caminho pelo qual o Senhor, teu Deus, te guiou no deserto estes quarenta anos, para te humilhar, para te provar, para saber o que estava no teu coração, se guardarias ou não os seus mandamentos”, (Deuteronômio 8:2).

Desertos podem ser literais ou figurados. Os desertos fazem o que os desertos devem fazer, nas mãos de Deus, se nós os deixarmos trabalhar o propósito que Deus deseja realizar em nossa vida.

Todos são levados ao deserto uma e outra vez na vida. Uma doença, a perda de um emprego, uma separação conjugal, uma luta familiar, lutos variados, a perda da pessoa amada, escândalos e problemas na igreja, e a lista segue.

Às vezes, nós mesmos escolhemos, como fez o Senhor Jesus, ter um tempo de recolhimento. Um tempo de solitude, um tempo de isolamento. Escolhemos ir a algum lugar deserto. Decidimos fugir das luzes para ficar mais na solidão de nossa alma com o Deus vivo. A fama ou ausência dela, o ativismo, a grande visibilidade (ou a falta dela) nos ilude e nos engana muitas vezes.

O deserto é um lugar solitário e que pode nos estruturar ou desestruturar. Desertos não são parques de diversões, lugares convenientes, confortáveis ou ambientes de show e lazer. Eles esmagam o poder e a fraqueza humana. No deserto nossa teimosia, vaidade e soberba do coração são altamente provadas. No deserto somos expelidos de nossa zona de conforto e convocados a deixar de ser ego centrados.

No deserto nos sentimos frustrados. Todo esforço e luta dá um resultado pífio. A sensação de incompetência é horrível. Sentimo-nos abandonados e infrutíferos. Muita coisa pode estar acontecendo em nossa alma e ainda não percebemos, mas os resultados visíveis são desanimadores.

No deserto temos que abandonar as soluções fast-food, simplistas e rápidas. Aprender a esperar de fato e de verdade no Senhor. No deserto, muitas vezes, nem ouvimos a voz de Deus. Outras vezes nosso ouvido é afinado aos sussurros do Eterno.

Para sobreviver no deserto é preciso dedicação, esforço, esmurrar o próprio corpo, o apoio de várias pessoas e ter comunhão com o Eterno, se não a gente não aguenta. É preciso muita energia e empenho para realizar o mínimo.

O deserto pode domar nossa alma, se permitirmos. Pode nos modelar em um ser humano semelhante a Cristo. Descobrimos no deserto que não podemos controlar nada. No deserto a escala de valores muda. Brinquedos como consumismo, acumulação, fama, carros, roupas, aparência física, orgulho e egocentrismo perdem seu valor.

deixe o deserto moldar você -pastor jeremias pereira

O deserto pode nos ajudar a desenvolver uma pele mais grossa (somos hipersensíveis) e um coração mais quebrantado. No deserto descobrimos o quanto precisamos dos outros. E aprendemos que Jesus Cristo é quem está no controle e não nós, por mais ansiosos, tensos, preocupados e chateados que estejamos. Leia e medite no Salmo 78.

No deserto é muito importante ter bom mentores. Conselheiros e conselheiras sábias e experientes. Os mentores conseguem ajustar nossa visão, calibrar emoções, nos ajudar a propor caminhos e boas soluções e não desanimar na jornada. Os mentores podem nos indicar leituras, disciplinas, treinamento e acima de tudo, ouvir nossas confissões e no coração que precisa sempre de algum ajuste.

Se você permitir… o Senhor Jesus usará o deserto ou desertos da vida para tirar entulhos de seu coração, moldar sua alma de glória em glória, trazer novas capacidades que liberarão novos frutos e conexões em sua vida. Quem vai sendo moldado no deserto, aprende a suportar os Você, os altos e baixos da vida com fé, esperança e amor.

Há bênçãos que só nos são dadas no deserto. Estas bênçãos também alcançarão a sua família e impactarão o reino de Deus.

Por favor, faça essa escolha. Deixe o deserto moldar você. Fale com o Espírito Santo para lhe ensinar nos desertos que sua vida já passou, está passando e passará.
Poderá Deus preparar uma mesa no deserto?

Pastor Jeremias Pereira
Pastor titular da Oitava Igreja Presbiteriana de Belo Horizonte