Com o crescente declínio do cristianismo nos Estados Unidos, as consequências do esfriamento espiritual vão chegando ao longo dos anos. Uma delas é a descredibilidade que os americanos estão dando à Bíblia.

Apenas 6% das pessoas declararam acreditar verdadeiramente nas Escrituras no país que já foi uma referência de fé para todo o mundo. O fator que chama a atenção é que esse dado se refere aos cristãos.

A informação é de uma pesquisa realizada pelo grupo Barna em parceria com a Family Research Council (Conselho de Pesquisa da Família, em portugês). Divulgado recentemente, o estudo constatou a falta da “cosmovisão bíblica” entre os respondentes.

A colaboração entre essas instituições protestantes gerou o projeto “Center Biblical Worldview” (CBW) que tem por objetivo engajar os cristãos na cultura bíblica.

“Todo cristão pode e deve obter uma cosmovisão bíblica – que só é alcançada quando uma pessoa acredita que a Bíblia é verdadeira, autorizada e, então, ensina como ela se aplica a todas as áreas da vida, o que os capacita a viver de acordo com essas crenças”, disse o presidente da Family Research, Tony Perkins, em um comunicado.

Com a parceria também foi possível analisar as respostas dadas à pesquisa pelos cristãos. Isso porque, apesar de 51% deles afirmarem ter uma visão de mundo a partir da Palavra, somente os 6% a possuem verdadeiramente.

Entre as inconsistências bíblicas, o relatório apontou que, dentre os 1000 adultos que participaram do questionário, 49% acreditavam em reencarnação após a morte. Em contrapartida, um número bem abaixo (33%) afirmou que o homem nasce com a natureza pecaminosa e necessita ser salvo por Jesus.

Igrejas protestantes americanas mais fecham do que abrem

Outra informação preocupa lideranças protestantes nos EUA. Atualmente, menos de 50% dos americanos são membros formais de congregações. O número é o menor dos últimos 80 anos, o que obriga as igrejas a fecharem suas portas.

Em 2019, cerca de 3.000 delas deram início aos trabalhos, enquanto outras 4.500 desistiram. As estimativas são da organização Lifeway Research, feitas antes mesmo do distanciamento social forçado devido à pandemia do coronavírus em 2020.

A análise foi feita a partir de dados coletados em 34 denominações e grupos que representam cerca de 60% das igrejas protestantes nos Estados Unidos. 

Dentre as justificativas para a atual realidade, Scott McConnell, diretor executivo da Lifeway Research, disse que o foco das congregações era manter aquelas que já estavam funcionando.

“Na última década, a maioria das denominações aumentou a atenção que estão dando para reavivar as congregações existentes que estão lutando”, disse ele. “Isso tem sido mais do que uma moda passageira. Esta tem sido uma resposta a uma necessidade real e crescente de revitalizar congregações prejudiciais”, afirmou McConnell.

Anos antes, em 2014, o saldo do crescimento das igrejas protestantes era positivo: cerca de 4.000 haviam sido plantadas e 3.700 fechadas.