A prática da fé é o motivo de vários cristãos estarem presos em contêineres na Eritreia. A falta de humanidade aumenta ainda mais ao saber que muitos desses seguidores de Cristo estão nessas condições no meio do deserto.

É possível que, atualmente, existam entre 600 e 1200 cristãos encarcerados no país, de acordo com o monitoramento sobre perseguição da Portas Abertas. Dados do último mês de maio registraram mais dois presos na capital, Asmara.

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Por causa das constantes violações da liberdade religiosa, a Organização das Nações Unidas precisou se manifestar em relação à situação da Eritreia. Através do relator especial do órgão para os Direitos Humanos, a ONU solicitou que o governo libertasse os presos por questões religiosas “imediata e incondicionalmente”.

“Esta última onda de prisões é prova de que não houve mudança na política repressiva do governo em relação à liberdade religiosa no país”, disse Mohamed Abdelsalam Babiker.

Informações do relatório da Portas Abertas destacam que a nação só permite que os cristãos frequentem igrejas registradas pelo governo. Aqueles que descumprem essa regra correm o risco de serem jogados dentro de contêineres em condições subumanas. Este pode ter sido o motivo da prisão dos dois fiéis, dizem as fontes da instituição missionária.

“No país, só é permitido ser [membro] da ortodoxa, católica ou luterana. Qualquer outra denominação não tem permissão de existir e ter atividades religiosas”, descreve o documento.

Nenhum seguidor de Cristo, independentemente da classe social, está isento de sofrer por causa da fé. Aqueles que não se encaixam nas leis estabelecidas pelo Estado são monitorados, têm suas casas invadidas e são detidos. Muitos também são socialmente perseguidos, gerando grandes dificuldades pela exclusão.

Além disso, os prisioneiros, que são submetidos a altas temperaturas, recebem ofertas de alistamento militar em troca da liberdade. Ainda assim, os que aceitam vivem sem salários e em uma vida precária. Em análise dessa situação, o texto diz que os cristãos “continuam a ser considerados instrumentos de governos estrangeiros”. 

Na Eritreia é comum a prisão de irmãos. Só em março de 2021, uma invasão das cidades de Asmara e Assab, no sudeste do país, resultou em 40 detenções.

“Apesar de alguns terem sido libertados nos últimos 12 meses, a situação no país ainda é preocupante e precisa de uma resposta imediata do governo eritreu”, informou o comunicado da Portas Abertas. A nação figura a 6ª posição no ranking anual de perseguição.

“Desde 2020, o governo começou a libertar cristãos presos, aumentando as esperanças de que estava relaxando suas políticas repressivas”, continua. E é por todas estas questões que os eritreus buscam fugir do país, necessitando de intervenções internacionais.

“A Portas Abertas continua a apelar à comunidade internacional para exortar o governo da Eritreia a respeitar totalmente a liberdade de religião, e impedir a prisão arbitrária e detenção por tempo indeterminado de centenas de cristãos que nunca se beneficiaram do devido processo legal”, declarou um porta-voz da organização na África Subsaariana.