Nem sempre separamos um tempo para pensar nas crianças e no quanto esta situação de isolamento social em que estamos vivendo pode ser difícil para elas. A forma como uma criança reage às adversidades pode variar de acordo com a idade e experiência de vida, mas especialistas alertam que essa quebra na rotina pode deixá-las estressadas e ansiosas. Elas estão longe dos seus amigos, impossibilitadas de brincar ao ar livre, de fazer longas corridas pelo pátio da escola ou de se esconder no recreio.

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Muitas crianças sentem os reflexos do que está acontecendo na família, até mesmo as de menos idade, por isso, é importante ser honesto e apaziguador. É necessário conversar com elas sobre a situação. Afinal, elas são muito mais espertas e observadoras do que aparentam e estão sentindo e sofrendo junto conosco, não menos ou de maneira desinteressada. Estão lidando como podem, do jeito que sabem e, muitas vezes, sem um olhar apropriado de um adulto que as entenda e acompanhe no luto de ter perdido tantas coisas até aqui.

É difícil pensar no próximo quando nem nós mesmos estamos com certezas sobre o futuro, mas o primeiro passo é se lembrar diariamente de que esta situação atípica irá passar e que é importante manter uma rotina calma e constante.

Falamos muito em perdas, mas sinto que também tivemos ganhos, e ganhos preciosos dentro das nossas casas: esse tempo que não tínhamos para brincar com eles, para ouvi-los com profunda atenção. Se mudarmos um pouco o foco e fizermos uma lista das coisas que ganhamos, sentiremos um alívio e saberemos que este tempo, por determinação da vida, se transformou em novas descobertas.

É importante que as crianças se sintam contempladas na rotina diária dos pais e que, mesmo longe da escola, tenham experiências que estimulem o desenvolvimento de suas habilidades, principalmente a imaginação.

É preciso ter um cuidado redobrado com o que vamos falar ou fazer perto delas, pois as memórias que as crianças terão sobre este período serão bem diferentes das nossas.

As crianças não estão alheias a este processo, elas fazem parte dele e precisam se sentir incluídas, na medida do entendimento delas, sobre o que está acontecendo, para que possam processar e produzir algo bom de tudo o que passou no final.

Por Antonella Bongarra Nunes
Membro do Conselho Diretivo da Escola Cristã Reverendo Olavo Nunes