A Covid-19 já é uma incógnita de forma geral, mas quando o assunto é nas crianças e adolescentes, as dúvidas pioram. Inicialmente, esse grupo estaria imune à infecção por coronavírus, no entanto, desde março de 2020, mais de mil pessoas entre 0 e 19 anos morreram por causa da doença.

Essa informação da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) e do Ministério da Saúde, apesar da pequena taxa de mortalidade, acendeu a preocupação de muitos pais.

Segundo declarações de especialistas em entrevista à CNN, a maioria das crianças infectadas com o vírus são assintomáticas ou apresentam sintomas leves. “Em bebês abaixo de um ano, são comuns dificuldades na alimentação e febre. Nas crianças até nove anos, a tosse seca e a febre são mais recorrentes”, explicou o médico Werther Brunow de Carvalho.

“Já entre 10 e 19 anos, somam-se dores musculares, falta de ar, diarreia, falta de olfato e paladar, além de coriza”, acrescenta o professor titular de Terapia Intensiva e Neonatologia do Departamento de Pediatria da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo.

Apesar de incerto, o infectologista Marco Aurélio Sáfadi explica que o motivo da manifestação da Covid-19 dessa forma entre esse grupo se deve ao fato de que eles possuem uma menor quantidade de receptores do vírus e uma maior exposição recente a outros coronavírus comuns. Isso causa, segundo Marco, uma proteção cruzada e imunidade inata mais desenvolvida neles.

O médico do Hospital Infantil Sabará e presidente do Departamento Científico de Infectologia da Sociedade Brasileira de Pediatria, também é coautor de um recente estudo sobre a ação do vírus nessas faixas etárias.

Os especialistas também observaram que a Síndrome Inflamatória Multissistêmica Pediátrica (SIM-P) tem sido uma doença que aparece em crianças infectadas, causando maior risco de mortes. Os casos de SIM-P tem se manifestado em até 4 semanas depois da contaminação.

Sintomas como febre persistente e inflamação em diversos órgãos (como o coração, o intestino e pulmões) surgem com a enfermidade, podendo causar também dores abdominais, insuficiência cardíaca e convulsões.

 

Dados da Covid-19 em crianças e adolescentes

 

Considerando a faixa etária de 0 a 19 anos, os dados epidemiológicos oferecidos pela Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) e o Ministério da Saúde, mostram que 14.638 pessoas foram hospitalizadas com a doença no ano passado.

Já em 2021, 2.057 jovens contraíram o vírus. Somando os dois anos até aqui, 1.324 crianças e adolescentes morreram em decorrência da Síndrome Respiratória Aguda Grave relacionada à Covid-19.

 

Prevenção

 

Entre as medidas mais simples e eficazes, segundo os médicos, está o uso de máscaras pelas crianças e adolescentes. De acordo com o pediatra da SBP, Paulo Telles, a proteção aliada ao distanciamento social e a higiene das mãos, continuam sendo a melhor forma de prevenir a contaminação.

“É importante esclarecer dúvidas comuns sobre o uso da máscara por crianças, principalmente por causa da altíssima quantidade de fake news que chega aos pais e cuidadores”, afirma ele à CNN.

 

Fonte: Com informações da CNN Brasil