Quem precisa passar por algum procedimento hospitalar, principalmente na Unidade de Terapia Intensiva (UTI), teme os riscos de infecções causadas por fungos, bactérias ou vírus.

Infecção hospitalar ou Infecção Relacionada à Assistência em Saúde (IRAS) é a contraída após o ingresso do paciente no hospital ou depois de sua alta, desde que esteja relacionada à sua internação ou passagem pelo estabelecimento.

O Ministério da Saúde estima que a taxa de infecção hospitalar no Brasil é de 15%. Nos países da Europa e nos Estados Unidos, o índice chega a 10%. Referência na área, o Centro Europeu de Controle e Prevenção de Doenças (ECDC, na sigla em inglês) afirma, que entre 20% e 30% das infecções poderiam ser prevenidas com higienização e programas de controle.

Segundo a Associação Nacional de Biossegurança (ANBio), quanto maior o tempo de permanência nas unidades de saúde, maiores serão as chances de riscos de contaminação, principalmente em hospitais que tratam de doenças crônicas.

Pesquisa do Instituto Latino-Americano de Sepse (ILAS) aponta que, a cada segundo no mundo um paciente morre por sepse: são 30 milhões de pessoas acometidas a cada ano no planeta, com mais de seis milhões de casos neonatal e na primeira infância, e mais de 100 mil casos de sepse materna. Atualmente, a sepse é a principal causa de mortes nas Unidades de Terapia Intensiva (UTIs), chegando a fazer mais vítimas do que o infarto do miocárdio e alguns tipos de câncer. Ainda segundo o instituto, em algumas regiões brasileiras, o índice de mortalidade por Sepse pode chegar a 70%. Estima-se que 400 mil novos casos são diagnosticados por ano e 240 mil pessoas morrem, anualmente, nas UTIs brasileiras após terem seus quadros de infecção agravados.

Os principais fatores que influenciam a aquisição de uma infecção são o status imunológico, a idade (recém-nascidos e idosos são mais vulneráveis), o uso abusivo de antibióticos, os procedimentos médicos, em particular os invasivos e falhas nos procedimentos de controle de infecção.

A realidade é que a infecção hospitalar representa um dos maiores problemas nos hospitais e clínicas, pois um surto de infecção provoca altos custos nos hospitais, além do custo por perda da vida humana ser algo imensurável

Entre as principais causas de infecção hospitalar estão a falta de higienização das mãos (um dos principais canais de transmissão de doenças), doenças preexistentes, uso de determinados medicamentos, principalmente antibióticos (que podem causar desequilíbrio da flora bacteriana do organismo e da pele, além de comprometer o sistema imunológico do paciente), pouca disponibilidade de funcionários (muitas vezes, um único enfermeiro dedica-se a cuidar de diversos leitos, dificultando a adequada preparação entre um atendimento e outro) e instrumentos não esterilizados ou esterilizados de forma incorreta.

Os maiores culpados

Porém, os maiores culpados não poderiam ser mais mundanos: pijamas, lençóis, fronhas, toalhas e cortinas. Acontece que os têxteis estão entre os transmissores mais comuns de bactérias que causam infecções hospitalares, que entram no corpo por meio de feridas, incisões e corpos estranhos, como cateteres ou tubos.

Eliminar totalmente infecções hospitalares, no momento, é uma utopia, mas após descobrir que lençóis, pijamas e outros tecidos são um dos grandes malfeitores da infecção, poderemos certamente trabalhar junto à Comissão de Controle de Infecção Hospitalar (CCIH), de forma a coibir a transmissão e propagação de doenças no ambiente, além de elaborar normas para a limpeza e a desinfecção das dependências do hospital, como tipos de produtos a serem utilizados, a fim de que os microrganismos sejam eliminados das superfícies e das roupas utilizadas dentro do ambiente hospitalar.

Descoberta surpreendente

De acordo com o Professor Aharon Gedanken, um químico inovador e diretor do Laboratório Kanbar para Nanomateriais e do Instituto de Nanotecnologia e Materiais Avançados na Universidade Bar-Ilan, em Israel, “a visão geral sobre este problema é que o hospital do futuro deve ser tão antibacteriano quanto humanamente possível. E eu desenvolvi uma tecnologia que pode nos levar em direção a esse objetivo agora”.

O Professor Aharon Gedanken

O professor Gedanken desenvolveu um método para fazer tecidos antibacterianos que ele acredita, irão reduzir drasticamente a incidência de infecções hospitalares e salvar milhares de vidas em todo o Mundo. A tecnologia desenvolvida por ele representa um grande passo à frente para eliminar um problema sobre o qual a maioria das pessoas nem mesmo está ciente. Os tecidos são os maiores vilões.

E tudo começou com meias fedorentas

Em 2003, o professor Gedanken estava envolvido em um projeto para fazer meias que os soldados israelenses poderiam usar por uma semana ou mais entre lavagens. Gedanken percebeu que o odor ofensivo de meias sujas vem das bactérias que prosperam no calor, mundo úmido dentro da bota de um soldado. Ele chegou à seguinte conclusão: elimine as bactérias e você elimina o cheiro.

infecções hospitalares meia suja

O Professor desenvolveu um método revolucionário de passagem de ondas ultrassônicas através de uma solução de óxido de zinco, formando micro jatos que explodem nanopartículas de óxido de zinco antibacterianas em substrato introduzido na solução.

Em suma, se você enterrar uma meia na solução, ela sai impregnado com um “revestimento” antibacteriano que, na verdade, faz parte do próprio tecido da meia.

Do projeto da meia, o Professor Gedanken e seus colegas passaram para o desafio de criar um curativo antibacteriano, o que o levou a considerar, naturalmente, o problema dos têxteis hospitalares.

“Mostramos que este é um revestimento muito eficiente”, diz o Prof. Gedanken. “Revestimento é, na verdade, um termo enganoso. Este processo força o revestimento a penetrar em tudo o que você está tratando. Metal, polímero, cerâmica, papel. Nós o testamos em vidro e podemos mostrar que realmente penetra no vidro”.

Essa qualidade de penetração é a chave para os resultados de Gedanken com tecidos hospitalares. “Quando falamos com grandes hospitais e empresas de saúde, eles nos dizem ‘Olha, Professor Gedanken, temos vinte empresas como você vindo para nos mostrar têxteis revestidos, e eles simplesmente não resolveram o problema”.

Isso porque os hospitais são implacáveis ​​na forma como tratam as vestimentas dos médicos, assim como roupas de cama e banho, usando, para a sua higienização, o maior inimigo do tecido: a máquina de lavar.

Hospitais operam lavagens em temperaturas de até 92 graus Celsius – isso é 197 graus Fahrenheit, ou cerca de 15 graus abaixo da temperatura da água fervente.

“Outras empresas produzem materiais revestidos”, diz o Professor Gedanken, “mas quando você os lava assim, o revestimento é neutralizado”. O revestimento de Gedanken não.

Atualmente Aharon Gedanken e seus sócios podem, eficientemente, produzir o tipo de material que os hospitais exigiriam para itens como fronhas e pijamas. O próximo desafio é criar uma máquina que pode produzir materiais revestidos que irão satisfazer as necessidades do hospital por lençóis, toalhas e cortinas.

A equipe do Professor Gedanken fez parceria com um consórcio de dezessete grupos acadêmicos e industriais de onze países europeus, para produzir tal máquina, porque, de acordo com o Professor, “Embora possamos demonstrar a eficácia do nosso processo, e mostrar que podemos produzi-lo com sucesso na extremidade menor da escala, aqueles em posição de colocar nossos materiais para trabalhar pelas pessoas não podem confiar em sua imaginação. Eles precisam ver com seus próprios olhos”. O consórcio dá ao trabalho de Aharon Gedanken uma base ampla e credibilidade internacional, que deve pesar frente àqueles que podem colocar seus materiais para trabalhar em favor de pacientes em todo o mundo.

E com o problema de infecções transmitidas por tecidos ganhando reconhecimento dentro das comunidades médicas e industriais, é apenas uma questão de tempo até que os materiais antibacterianos se tornem o padrão em hospitais em todos os EUA e, eventualmente, em todo o mundo.

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