Enquanto a vida começa a retornar a níveis de normalidade e, cada vez mais, membros de igrejas de todos os tamanhos regressam a atividades eclesiásticas presenciais, certos desafios que datam de muito tempo começam a ganhar corpo novamente.

Um deles, talvez dos mais importantes, é a capacidade das igrejas em estimular a comunhão entre seus membros. A atividade, que foi ainda mais dificultada pela pandemia de Covid-19, é essencial para a saúde do corpo de Cristo e deve ter uma atenção especial dedicada pela liderança.

Para ajudar, trouxemos, na última edição da Revista, algumas ideias para igrejas pequenas e, nesta edição, damos sequência à Série Comunhão com sugestões para instituições de tamanho médio e grande. 

Como é o cenário nas igrejas maiores?

Obviamente, sempre existirão exceções, mas, de maneira geral, é possível dizer que igrejas médias e grandes (em números de membros, estrutura etc) lutam contra problemas similares quando o assunto é a comunhão dos membros. Alguns deles, são:

Distanciamento dos irmãos e formação de panelas

Uma pesquisa realizada no final do Século XX pelo antropólogo britânico Robert Dunbar propôs que uma pessoa conseguiria manter, em média, uma rede de relacionamentos de até cerca de 150 pessoas (incluindo trabalho, família, igreja etc). Este valor, inclusive, ficou conhecido como “número de Dunbar”. 

Segundo o pesquisador, se um grupo ultrapassar este tamanho, é improvável que se mantenha coeso ou dure por muito tempo. Há correntes que propõem outros números e as ciências sociais continuam trabalhando em busca da definição de um “número mágico” neste sentido. De toda forma, é possível falarmos, com alguma segurança, que há um limite para a quantidade de relacionamentos que nós conseguimos administrar simultaneamente.

Tendo isso em mente, entendemos as dificuldades de qualquer um que mergulhe em uma igreja de grandes proporções. Naturalmente, fazer com que todos se conheçam pode se tornar uma tarefa impossível, e a tendência é a formação de grupos que não interagem entre si e são fechados para a entrada de outros, as famigeradas “panelas”. 

Falhas na comunicação

O cenário tem mudado gradativamente, mas, infelizmente, ainda é uma situação muito comum em estruturas muito grandes que as informações que saem do núcleo central (liderança) se percam (ou sejam deturpadas) antes de chegar às orlas mais “afastadas” da igreja. Isso faz com que muitos membros sejam alijados das atividades pelo simples fato de que nunca ficaram sabendo ou foram informados tarde demais a respeito das mesmas. 

comunhão mulher confusa

“Paralisação” dos membros devido à quantidade de atividades

Pode parecer paradoxal, mas, quando nos deparamos com muitas opções, muitas pessoas têm a tendência a não conseguir se movimentar ou tomar uma decisão sobre a melhor escolha ou forma de agir. Isso tem até nome: “Paralisia por Análise” ou “Parálise”.

No dia a dia é possível experimentar esse tipo de sentimento ao tentar escolher um filme no streaming, ou uma marca de molho de tomate no supermercado, por exemplo. Talvez por isso serviços e sites que fazem curadoria e análises ganham cada vez mais espaço. 

Observando o cenário das igrejas, podemos compreender, então, que, diante de tantas oportunidades de envolvimento, muitos membros simplesmente não conseguem decidir onde se envolver e acabam desistindo de contribuir — o que é um erro. 

Dicas para melhorar a comunhão em igrejas grandes

Se olharmos somente para os problemas descritos no tópico anterior, o cenário pode parecer desanimador. Entretanto, Jesus nos ensina, na parábola do Mordomo Fiel (narrada no livro de Lucas, capítulo 12) que “a quem muito foi dado, muito será exigido; e a quem muito foi confiado, muito mais será pedido”.

Ou seja, se há dinheiro, estrutura e “material humano”, há potencial para que muito seja feito em prol do Reino. Além disso, onde há muitas pessoas, há vários talentos, e uma boa dose de criatividade pode fazer com que chamas de comunhão sejam acesas e cultivadas em toda a comunidade. 

Crie oportunidades de interação entre grupos

Pensando nas organizações formais de grupos (como células/GCs) e informais, como as “panelas” mencionadas acima, igrejas maiores podem virar o jogo em relação à promoção de comunhão entre seus membros se agirem com inteligência e propuserem trocas entre esses grupos de pessoas. Gincanas, desafios, chás, piqueniques, encontros de profissionais e outras atividades do gênero são propostas bem interessantes neste sentido.

pessoas lendo a bíblia

Estimule o “sentimento de dono”

É possível aprender algo com este jargão corporativo que já virou até piada em alguns círculos. Em muitas igrejas, os membros se sentem uma parte tão pequena do todo, ou estão tão desconectados da liderança central, que acabam não participando tanto quanto deveriam. Ao estimular que se vejam não apenas como consumidoras do que está acontecendo ali, mas como parte integrante e fundamental do Corpo de Cristo, certamente essas instituições verão os níveis de comunhão decolarem.

Investimento em estratégias de comunicação efetivas

Como dito anteriormente, as falhas de comunicação são um problema. Mas não adianta criar um perfil no instagram e considerar que aquilo vai resolver. Você precisa entender onde o seu público está. Muito provavelmente, todos eles estão no WhatsApp, posto que a grande parte da população brasileira utiliza o aplicativo, mas poucas igrejas utilizam a ferramenta a sério como canal de comunicação.

Um site ativo e sempre atualizado também é uma boa pedida, pois pode servir como o mural de recados do século XXI. Planos de disparos de mensagens SMS para celulares e até a boa e velha carta para aquelas regiões onde as pessoas não costumam ter acesso à internet. Tudo isso pode ser usado como recurso para aprimorar a maneira como as pessoas são envolvidas na rotina da comunidade de fé.

Use a estrutura a seu favor

Esta última dica pode parecer simples, mas ela é realmente sonegada por muitos. Procure usar a estrutura disponível de maneiras criativas. Não é raro vermos igrejas grandes que passam a semana inteira fechadas, sendo que suas instalações poderiam ser utilizadas para receber práticas esportivas, grupos de estudos para jovens com dificuldades na escola ou que querem passar no vestibular, classes de alfabetização de adultos e tantas outras possibilidades. 

Centros de convivência são inacessíveis para muitos de nossos irmãos que, invariavelmente, às vezes só têm a televisão como companhia, e poderiam estar desfrutando de momentos ao lado de outros companheiros na jornada da fé e não o fazem, porque ainda nos falta criatividade (ou ousadia) para implementar projetos diferentes. Não tenha medo de usar a estrutura que Deus te deu.

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