As igrejas não são empresas, e nem devem ser tratadas como tais. Sua razão de ser e seus objetivos são muito diferentes de uma corporação que visa somente lucro. Responsabilidade de cuidar dos órfãos, viúvas e necessitados, alimentar os famintos, levar consolo aos que choram e espalhar uma mensagem de esperança sobre a Terra são apenas algumas das missões nobres partilhadas pelo corpo de Cristo.

Para que isso seja feito da melhor maneira, é possível progredirmos do ponto de vista organizacional, com aprendizados que o meio empresarial pode fornecer para que haja a melhoria da gestão das igrejas.

Neste novo ano que começa, queremos incentivá-lo, líder, a dedicar atenção especial para isso, a fim de que as instituições que representam o Reino de Deus aqui na Terra sejam fonte de bom testemunho.

Porque investir na gestão é tão importante para as igrejas?

A Igreja (com “I” maiúsculo, significando o povo) é uma bússola moral para a sociedade, principalmente com o crescimento da população evangélica em números — é possível que esta seja a religião majoritária no Brasil até 2032 — e influência política. O mesmo vale para as correntes católicas, que atualmente correspondem à maioria dos brasileiros. 

Até por saberem tudo o que a Bíblia nos ensina, todas as decisões tomadas no meio eclesiástico, são analisadas com bastante rigor pelas pessoas que, de fora, compõem os outros setores da sociedade. Mesmo que muitas críticas sejam pesadas, é para a igreja que as pessoas olham quando têm dúvidas.

A Palavra de Deus nos ensina a sermos honestos, a fugir da corrupção e a termos domínio próprio, entre outras coisas. O capítulo de 1 Timóteo 3 é claríssimo ao definir como os líderes da igreja devem se portar, com destaque para:

“[o bispo] Também deve ter boa reputação perante os de fora, para que não caia em descrédito nem na cilada do diabo. Os diáconos igualmente devem ser dignos, homens de palavra, não amigos de muito vinho nem de lucros desonestos. Devem apegar-se ao mistério da fé com a consciência limpa”. (Versos 7 a 9)

Portanto, é essencial que as igrejas prezem por ter uma gestão irrepreensível do ponto de vista administrativo. Confira abaixo algumas dicas que podem ajudar a estabelecer um nível mais alto nesta área.

1. Transparência em primeiro lugar. Sempre

gestão igreja - homem prestando contas

A instituição “igreja” é a comunidade dos santos, e as coisas devem ser feitas de forma aberta. É sabido que, onde há menos transparência, há mais espaço para que a corrupção frutifique.

Um estudo realizado por pesquisadores das Universidades Federais de Juiz de Fora e Viçosa, por exemplo, sobre a transparência na administração pública, pode ser transportado para nossa análise quando diz:

“A redução do nível de corrupção depende de avanços no controle social e na construção de mecanismos de accountability (controle, fiscalização) que deve ser realizado por meio do aumento da transparência e melhorias na estrutura de governança”.

Pastores e gestores eclesiásticos também devem se sentir estimulados a prestar contas para a comunidade. Afinal, é o que a Bíblia ensina:

Jesus disse aos seus discípulos: “O administrador de um homem rico foi acusado de estar desperdiçando os seus bens. Então ele o chamou e lhe perguntou: ‘Que é isso que estou ouvindo a seu respeito? Preste contas da sua administração, porque você não pode continuar sendo o administrador” (Lucas 16.1-2).

Por fim, ainda falando de transparência e bom testemunho, não perca o rumo do pagamento dos impostos devidos pela organização. Jesus mesmo disse: “dai a César o que é de César, e a Deus o que é de Deus” (Mateus 22).

2. Conte com o apoio de pessoas capacitadas

homem mostrando gráficos para outro homem

Nem sempre o pastor será o melhor gestor, e está tudo bem. Buscar o amparo de profissionais capacitados para isso (administradores, contadores, advogados) não é demérito. Pelo contrário, é uma grande demonstração de sabedoria por parte da liderança da igreja. 

Como diz o livro de Provérbios, no capítulo 11, verso 14: “Não havendo sábios conselhos, o povo cai, mas na multidão de conselhos há segurança”. Busque aconselhar-se com pessoas que tenham bagagem para dizer coisas úteis.

3. Planeje-se e aja com estratégia

homem usando calculadora

Planejamento estratégico é essencial. A direção do Espírito Santo ainda é nosso primeiro guia, e é claro que temos que ter fé que Deus proverá o sustento em todas as circunstâncias, porém nada nos impede de planejar as ações, tomar decisões baseadas em dados e trabalhar para maximizar os frutos para a glória de Deus.

O estímulo ao trabalho neste sentido fica evidente na parábola dos talentos (Mateus 25), na qual os servos recebem uma determinada quantidade de um recurso (Talento, uma unidade de massa que também se confundia com um conceito monetário, podendo significar grande quantidade de ouro ou prata) e depois são cobrados pelo senhor a respeito do que fizeram com ele. 

Aqueles servos que investiram os talentos que receberam e fizeram com que eles se multiplicassem, foram chamados bons e fiéis, tendo acesso a ainda mais recursos. Uma das várias coisas que podemos compreender do texto é que um investimento assim não é feito de qualquer forma. Ou seja, estes servos tinham conhecimento e agiram estrategicamente.

4. Tenha mordomia: gerencie bem as pessoas, cuide do patrimônio

três mãos se cumprimentando com os punhos fechados

Dependendo da tradução que usamos para ler o trecho de Lucas citado anteriormente neste texto, o termo “administrador” se transforma em “mordomo”. 

Temos a visão imediata de um mordomo como um funcionário que cuida de tarefas domésticas, mas o dicionário nos lembra que o termo também corresponde a uma pessoa que administra bens de alguma instituição.

Na sequência do texto, o homem assim chamado age de tal forma que a Bíblia o chama de “desonesto”, pois ele resolve a situação dando um famoso “jeitinho”. No nosso caso, temos o dever de sermos mordomos zelosos, que realmente cuidam dos bens que nos foram confiados por Deus.

E o maior de todos estes bens são as pessoas. De longe, este é o ponto mais importante de tudo o que falamos aqui. Garanta que os trabalhadores recebam um salário justo, pois todos são dignos disso (1 Timóteo 5) e que sejam tratados de boa maneira, pois a Palavra diz que devemos amar o próximo como a nós mesmos (Mateus 22).

Sobre as coisas, administre bem o patrimônio que foi concedido por Deus à igreja. Há algumas coisas que podemos observar neste ponto:

  • Procure conseguir bons negócios, com fornecedores idôneos que forneçam produtos de qualidade (assim quebrarão menos, trazendo mais benefícios à congregação);
  • Garanta que sejam sempre bem manejados e contabilizados, a fim de que não se desviem (é importante, inclusive, fornecer treinamentos sobre como fazer isso para colaboradores e voluntários);

5. Invista em tecnologia 

gestão igreja - mulher vendo gráficos na tela do computador

Apesar de estarmos no Século XXI, vivendo a Era da Informação e com as empresas discutindo os próximos passos após a Transformação Digital (que já tem ocorrido em larga escala), a maioria das igrejas ainda vivem e são administradas como acontecia 50 ou até 100 anos atrás.

Para quem deseja mudar este cenário, atualmente existem sistemas de gestão especializados em igrejas, permitindo a centralização da coordenação de atividades como:

  • Cadastro e gerenciamento de membros;
  • Administração financeira;
  • Coordenação de atividades de ensino;
  • Cadastro para eventos;
  • Organização de células;
  • Gestão de patrimônio e mais.

Estes são apenas alguns dos benefícios, inclusive sendo fornecidos gratuitamente em alguns casos, que podem tornar a administração da sua congregação muito mais fácil. 

Por fim, irmãos, um lembrete: este texto é apenas um guia inicial com tópicos importantes para a gestão, mas ainda há muitas outras atividades que podem ajudar a melhorar a gestão da sua igreja. 

Portanto, não se furte a retornar ao tópico dois, contando com o apoio de pessoas capacitadas que poderão ajudar a dar novos rumos e auxiliar a sua igreja a ser exemplo para toda a comunidade. Que Deus os abençoe!