O IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) atesta: os homens têm uma expectativa de vida sete anos menor que a das mulheres. Enquanto as estatísticas indicam que eles, normalmente, têm esperança de viver até os 73,1 anos, elas podem chegar aos 80,1 anos de idade.

Tragicamente, a faixa etária na qual a distância entre o número de mortes de homens e mulheres fica maior é de 15 a 34 anos. Em entrevista concedida à Agência Brasil na época do lançamento da pesquisa, no final de 2020, o demógrafo do IBGE, Fernando Albuquerque, explica que a discrepância se dá principalmente por mortes “não naturais”. 

“Isso ocorre devido à maior incidência de óbitos por causas externas ou não naturais, como homicídios e acidentes, que atingem com maior intensidade a população masculina jovem. A expectativa de vida masculina no país poderia ser superior à que se estima atualmente, se não fosse o efeito das mortes prematuras de jovens por causas não naturais”, disse na ocasião.

Outra justificativa para isso é que os homens têm a tendência a cuidar mal da saúde. E isso não é um chavão ou lugar-comum. É relativamente fácil encontrar pesquisas que tratam do assunto, como uma realizada pela revista Saúde, a área de Inteligência de Mercado do Grupo Abril e o Instituto Lado a Lado pela Vida, que indicou que quase 40% dos homens até 39 anos e 20% daqueles com mais de 40 só vão ao médico quando se sentem mal. 

Em um estudo que se propôs a elencar os motivos que fazem com que os homens busquem menos os serviços de saúde, os pesquisadores Romeu Gomes, Elaine Ferreira do Nascimento e Fábio Carvalho de Araújo, do IFF/Fiocruz detectaram razões como o medo de descobrir uma doença grave, a vergonha da exposição do corpo diante do profissional de saúde e até fatores culturais que fazem com o que o paciente enxergue sua masculinidade sendo colocada em xeque.

homem triste em uma consulta com um médico

O livro de Efésios diz, no capítulo 5, que “ninguém jamais odiou o próprio corpo, antes o alimenta e dele cuida”, mas índices como estes aparentam demonstrar que a situação tem mudado — pelo menos entre os homens. Será que os fatores descobertos pelos pesquisadores são realmente fortes o suficiente para que deixemos de cuidar da saúde do corpo físico?

Seguindo no propósito de contribuir para que o corpo de Cristo aprenda a se cuidar, propagando informações de relevância a respeito de temas relacionados à saúde física, este texto se propõe a servir como um alerta para os homens da igreja.

O que é o Novembro Azul

É com base nos dados apresentados anteriormente que o Novembro Azul, campanha que pode ser vista como uma continuidade do Outubro Rosa, originalmente pensada para ser um período repleto de campanhas informativas a respeito do câncer de próstata, cresceu e passou a ser considerado um período de conscientização sobre a saúde masculina como um todo.

De toda forma, vamos entender um pouco mais sobre este tipo de câncer. 

médico mostrando símbolo do novembro azul em prevenção ao câncer de próstata

Câncer de Próstata não é brincadeira

Tipo mais frequente da doença entre os homens, o câncer de próstata atinge quase 70 mil homens todos os anos, segundo dados do Instituto Nacional de Câncer (INCA), sendo que 15 mil morrem anualmente por este motivo.

Uma dificuldade extra que existe é o fato de que normalmente o câncer de próstata não apresenta sintomas até que esteja em estágio avançado. Neste momento, é comum que os pacientes apresentem dores nos ossos, ao urinar, tenham mais vontade de urinar e/ou observem sangue na urina ou no sêmen.

Uma boa notícia, porém, é que, quando o diagnóstico é feito de forma precoce, as chances de cura chegam a 90%. Portanto, é importante que os homens se previnam e busquem realizar o acompanhamento de forma constante. 

Como fazer a prevenção do câncer de próstata

Aos homens que tenham fatores de risco como histórico da doença na família (principalmente se for entre o pai, irmãos e tios) e obesidade, entre outros, especialistas indicam que procurem um urologista para buscarem atendimento preventivo já a partir dos 45 anos.

Já para os demais que não tenham nenhum dos fatores relacionados anteriormente, a idade sobe para 50 anos. 

O temido exame de toque retal (que não diminui a masculinidade de ninguém) é feito pelos especialistas, e é um grande auxílio para o diagnóstico: cerca de 20% dos casos são descobertos graças a ele. 

Homens, ser bíblico é cuidar da saúde!

Talvez o versículo mais importante para concluir este texto seja o que está em 1 Coríntios 13.11: 

“Quando eu era menino, falava como menino, pensava como menino e raciocinava como menino. Quando me tornei homem, deixei para trás as coisas de menino.”

Mesmo sem falar diretamente sobre saúde masculina, o trecho dá o recado: passou da hora de as meninices serem abandonadas.  A masculinidade bíblica não veste uma capa de invulnerabilidade e dureza. Ser “macho” não impede a diligência com a própria saúde.

Homens de verdade assumem responsabilidades, ouvem as autoridades e entendem a finitude do corpo, cuidando de si e, com isso, também cuidando daqueles que dependem deles.

Portanto, um chamado aos varões de Cristo: previnam-se, cuidem da saúde, e trabalhem para que seu corpo e mente sejam sãos.