Entre os cristãos mais influentes do século 20, Billy Graham ocupa um lugar de destaque. Sua pregação firme, simples e centrada nas Escrituras fez dele uma voz eloquente, que tem inspirado milhões de pessoas em todo o mundo a tomar a melhor decisão de todas: render-se a Jesus Cristo como Senhor e Salvador.

Após conviver com Billy Graham por mais de 30 anos e trabalhar no conselho de diretores do seu ministério por 25 anos, o pastor Greg Laurie lança o livro “Billy Graham: The Man I Knew”, (Billy Graham: O homem que eu conheci”).

De acordo com o pastor Laurie, líder da mega Igreja Harvest Fellowship da Califórnia, Billy Graham era um “autêntico seguidor de Jesus Cristo”.

Em uma entrevista ao site The Gospel Herald, Greg Laurie descreveu o evangelista: “Pessoalmente, ele é tudo o que você esperaria que ele fosse e mais. Ele é gracioso, está interessado em outras pessoas; ele escuta, não é crítico de outras pessoas e é um homem muito humilde. Billy Graham é o homem mais cristão que já conheci, porque estar ao seu redor me lembra o que seria estar com Jesus. Ele sempre acredita no melhor das pessoas. Às vezes, as pessoas se aproveitam dele por causa disso. Ele é um homem muito gentil, e acho que é por isso que Deus o usou com tanta força”.

 

“Ele é gracioso, está interessado em outras pessoas; ele escuta, não é crítico de outras pessoas e é um homem muito humilde. Billy Graham é o homem mais cristão que já conheci”.
Greg Laurie

 

Em seu livro, o autor entregou um relato artístico e bem íntimo, falando de um homem imperfeito que teve a ajuda de Deus para viver vitorioso a sua vida até o dia da sua morte, em 21 de fevereiro de 2018.

Embora outros livros tenham sido escritos sobre Graham a partir de uma perspectiva histórica, Laurie diz que escreveu Billy Graham: The Man I Knew para apresentar o evangelista a uma nova geração, mostrando seu lado humano: “Eu queria trazer mais de minhas percepções pessoais para isso. Minhas experiências com ele uma a uma, e também mostrar um lado mais humano dele. Portanto, há algumas coisas surpreendentes neste livro. Por exemplo, Billy Graham tinha senso de humor”, disse Laurie.

O autor do livro também descreveu como era a personalidade do pregador das multidões: “Quando ele era jovem, ele era um pouco brincalhão. Billy Graham era uma pessoa que amava se divertir. Ele era uma pessoa inteligente, uma pessoa muito humilde.

Ele era amado por sua família. Seus filhos, netos, bisnetos, eles o chamavam de ‘Papai Bill’. Ele era o mesmo homem em particular que era publicamente. Não havia dois Billy Grahams”, disse.

Segundo Greg Laurie, Graham não se impressionou com a cultura das celebridades. “Billy Graham recebia mais de 8 mil pedidos por ano para pregar e, às vezes, 10 mil cartas por dia, mas não me lembro se ele, alguma vez, cobrou uma taxa para falar. A maior parte do que ele falou, foi feito em seus próprios eventos e cruzadas. Ele nunca foi por dinheiro. Seu foco nunca foi dinheiro. Ele queria levar o Evangelho gratuitamente, como disse o apóstolo Paulo”, observou Laurie.

 

“Billy Graham era amado por sua família. Seus filhos, netos, bisnetos, eles o chamavam de ‘Papai Bill’. Ele era o mesmo homem em particular que era publicamente. Não havia dois Billy Grahams”.
Greg Laurie

 

Muitos consideravam Billy como um santo, mas ele era um homem que “conhecia bem a maldade e o pecado”. Como qualquer outro, quando jovem, ele “namorou e beijou muitas garotas, mas evitou comprometer os seus padrões cristãos”, revela Laurie.

“A regra Billy Graham”

Décadas atrás, Graham e sua equipe criaram quatro regras para manter a integridade do ministério, princípios estes que ficaram popularmente conhecidos como “a regra Billy Graham”, e tem sido amplamente discutida e examinada nos últimos anos, devido ao seu uso pelo ex-vice-presidente Mike Pence.

A primeira regra se tratava das finanças e da responsabilidade de não abusar ou fazer o evangelho por dinheiro

A segunda regra era evitar a imoralidade sexual, para isso ele não viajava, encontrava ou comia sozinho com outra mulher que não fosse sua esposa. “Decidimos que o mandato do apóstolo Paulo ao jovem pastor Timóteo seria nosso também: ‘Fuja […] dos desejos juvenis’”, escreveu certa vez o evangelista.

A terceira regra era evitar as críticas aos pastores e igrejas locais, quando estivessem fazendo um trabalho evangelístico.

A quarta e última regra era a publicidade, não mentir nos números para chamar a atenção, e assim basearam o ministério de Billy Graham.

Humildade natural

Greg Laurie acredita que o que ajudou Graham a manter os pés no chão foi sua humildade natural: “Eu diria que ele era um homem humilde. Billy costumava dizer: sou apenas um pregador rural. E pode soar como falsa humildade para alguns, mas na verdade, não era. Ele era filho de um leiteiro.

Se tivesse seguido a trajetória do pai e do irmão, ele próprio teria uma fazenda de gado leiteiro. E se ele tivesse o que sonhou quando jovem, teria sido um jogador de beisebol profissional. Mas Deus tinha outro plano para ele, que nunca esqueceu suas raízes. Billy diria: se você vir uma tartaruga no poste de uma cerca, você sabe que ela não chegou lá sozinha. Ele sabia que Deus o havia colocado no papel em que estava. E então, sempre houve uma humildade natural”, concluiu.

Greg Laurie autor do livro Billy Graham:  The Man I Knew
Greg Laurie, o autor do livro Billy Graham: The Man I Knew

Acima de tudo, cristão

Graham, que também foi considerado um defensor dos direitos civis, foi considerado radical para sua época e buscou construir pontes entre as divisões raciais e políticas nos Estados Unidos.

Se o evangelista aconselhasse a Igreja americana sobre como navegar na tensa atmosfera que gira em torno desses assuntos hoje, Laurie disse que ele aconselharia os cristãos a escolherem o amor.

“Eu diria que Billy sempre foi um construtor de pontes e nunca deixou que a raça, a política ou qualquer outra coisa assim o impedissem de construir pontes para pessoas inesperadas. Este é um homem que foi conselheiro de todos os presidentes, de Harry Truman a Barack Obama, que o visitou em sua casa na Carolina do Norte. Billy conheceu Donald Trump em sua festa de aniversário de 95 anos, antes de Trump concorrer à presidência.

Portanto, ele era amigo de presidentes de ambos os lados do corredor político. Democratas e republicanos. Ele era próximo a Eisenhower, Ronald Reagan, George W. Bush, George H. W. Bush. Mas ele também era próximo de Lyndon B. Johnson e do presidente Clinton. E o que eles lhe contaram confidencialmente, ele manteve em sigilo. Ele era confiável e estava lá para ser um conselheiro espiritual”, contextualizou.

“No que diz respeito à divisão racial … não se esqueça, Billy era do Sul, e havia uma cruzada que ele estava fazendo onde eles separaram brancos e negros. Os negros se sentavam em uma seção e os brancos em outra. Ele pediu que removessem as barreiras e ele mesmo foi removê-las. Hoje, ele nos diria para nos amarmos. Ele nos diria para não deixarmos a política nos dividir, não deixar a raça nos dividir, mas que ficássemos unidos em torno da cruz de Cristo. E que deveríamos proclamar isso, porque somos todos do mesmo sangue de acordo com as Escrituras”, encerrou Greg Laurie.