Nas últimas edições, publicamos uma série de estudos, completos e detalhados, sobre o conflito Israel X Palestina para ajudar a você, nosso amado leitor, a entender as raízes, motivos e motivações desse conflito e tirar suas próprias conclusões. Não temos a pretensão de esgotar um assunto tão amplo e profundo, mas esperamos que tenhamos conseguido ao menos esclarecer as dúvidas mais frequentes sobre ele.

Nessa edição, trazemos outra abordagem importante sobre o árduo e doloroso caminho percorrido pelo povo judeu até chegar ao tão sonhado Estado de Israel: a dominação que sofreram por sucessivas potências estrangeiras. Durante séculos, bizantinos, árabes, cruzados, mamelucos, otomanos e britânicos dominaram a região e os privaram de suas terras, seus bens, sua liberdade e seu direito de culto.

Para que você possa se localizar sobre o que acontecia na época do início de nosso estudo, vou escrever sobre alguns fatos que lhe são familiares:

Domínio romano (63 AEC a 4 EC)
Herodes, rei vassalo romano, governa a Terra de Israel. Templo de Jerusalém é reformado

(EC – Era Comum)
Ministério de Jesus de Nazaré (c. 20 a 33)
Revolta judaica contra os romanos (66)
Destruição de Jerusalém e do Segundo Templo (70)
Última fortaleza de judeus em Massada (73)
Revolta de Bar Kochba contra Roma (132 a 135)
Codificação da Lei Oral judaica (Misná) concluída (c. 210)

Domínio bizantino (313 a 636)

Ao final do século IV, após o Imperador Constantino fundar o Império Bizantino (313), a Terra de Israel havia se tornado um país predominantemente cristão. Igrejas foram construídas em locais sagrados em Jerusalém, Belém e Galileia, e fundaram-se mosteiros em muitas regiões do país.

Os judeus foram privados da autonomia relativa que tinham anteriormente, do direito de ocupar cargos públicos e foram proibidos de entrar em Jerusalém, exceto em um dia do ano (Tisha B’Av – nove de Av) para lamentar a destruição do Templo.

A invasão persa de 614 foi auxiliada pelos judeus, inspirados pela esperança messiânica da libertação. Em troca de sua ajuda, eles receberam o governo de Jerusalém por três anos. Depois, o exército bizantino recuperou o domínio da cidade (629) e mais uma vez expulsou os judeus.

Domínio árabe (636 a 1099)

A conquista da Terra de Israel pelos árabes ocorreu quatro anos após a morte de Maomé (632) e durou mais de quatro séculos, com califas governando primeiro a partir de Damasco, depois de Bagdá e do Egito. No início, a colonização judaica em Jerusalém foi retomada, e a comunidade judaica recebeu o status de dhimmi (não muçulmanos protegidos), o que lhes garantia a vida, propriedade e liberdade de culto, em troca do pagamento de taxas e impostos territoriais especiais.

Cúpula da Rocha, situada no monte do Templo, na Cidade Velha de Jerusalém construída pelo califa omíada Abd-el-Malik, no século VII

No entanto, logo restrições contra não muçulmanos (717) afetaram a conduta pública dos judeus, assim como suas práticas religiosas e seu status legal. A imposição de pesados impostos sobre terras agrícolas fez com que muitos se mudassem de áreas rurais para as cidades, onde sua situação melhorou pouco; enquanto isso, o aumento da discriminação social e econômica forçou muitos outros a deixar o país. Ao final do século XI, a comunidade judaica na Terra de Israel tinha diminuído muito, tendo perdido parte de sua coesão organizacional e religiosa.

Cruzados (1099 a 1291)

Durante os 200 anos seguintes, o país foi dominado pelos cruzados, que, atendendo a um apelo do Papa Urbano II, vieram da Europa para recuperar a Terra Santa dos infiéis. Em julho de 1099, após um cerco de cinco semanas, os cavaleiros da Primeira Cruzada e seu exército de plebeus capturaram Jerusalém. Presos em suas sinagogas, os judeus defenderam sua região, mas foram queimados vivos ou vendidos como escravos.

Conquista de Jerusalém pelos Cruzados, por Émile Signol

Durante as décadas seguintes, os cruzados ampliaram seu poder sobre o restante do país, em parte por meio de tratados e acordos, mas principalmente de sangrentas conquistas militares. Quando os cruzados abriram as rotas de transporte a partir da Europa, a peregrinação à Terra Santa tornou-se popular e, ao mesmo tempo, um número cada vez maior de judeus procurava retornar à sua terra natal. Documentos da época indicam que 300 rabinos da França e da Inglaterra chegaram em um grupo, instalando-se em Acre (Akko) e em Jerusalém.

Após a derrota dos cruzados pelo exército muçulmano de Saladino (1187), os judeus ganharam novamente certa liberdade, incluindo o direito de viver em Jerusalém. Embora os cruzados tenham conseguido espaço no país após a morte de Saladino (1193), sua presença limitava-se a uma rede de castelos fortificados.

A autoridade dos cruzados na Terra de Israel terminou após uma derrota final (1291) pelos mamelucos, uma casta militar muçulmana que conquistara o poder no Egito.

Domínio mameluco (1291 a 1516)

Sob o domínio dos mamelucos, a Terra de Israel tornou-se apenas uma província, governada a partir de Damasco. Acre, Jaffa, e outros portos foram destruídos por receio de novas cruzadas, e o comércio marítimo e terrestre foi interrompido. Ao final da Idade Média, as cidades do país estavam praticamente em ruínas, a maior parte de Jerusalém estava abandonada, e a pequena comunidade judaica vivia na miséria.

Um guerreiro mameluco egípcio

O declínio do domínio mameluco foi marcado por revoltas políticas e econômicas, pragas, gafanhotos e terremotos devastadores.

Domínio otomano (1517 a 1917)

Após a conquista otomana, em 1517, o país foi dividido em quatro distritos, ligados administrativamente à província de Damasco e governados de Istambul. No início da era otomana, cerca de mil famílias judias viviam no país, principalmente em Jerusalém, Nablus (Siquém), Hebron, Gaza, Safed (Tzfat) e nas aldeias da Galileia. A comunidade era constituída por descendentes de judeus que sempre viveram na Terra de Israel, assim como imigrantes do norte da África e da Europa.

Um governo eficiente, até a morte (em 1566) do sultão Suleiman, o Magnífico, trouxe melhorias e estimulou a imigração judaica. Alguns recém-chegados se estabeleceram em Jerusalém, mas a maioria foi para Safed, onde, em meados do século 16, a população judaica havia aumentado para aproximadamente dez mil, e a cidade tornou-se um próspero centro têxtil e um foco de intensa atividade intelectual.

Durante esse período, o estudo da Cabala (misticismo judaico) floresceu e esclarecimentos da lei judaica, codificados no Shulchan Aruch, foram disseminados por toda a Diáspora a partir das casas de estudo de Safed.

 

Mapa do Império Otomano em sua máxima extensão, em 1683, sobreposto nas fronteiras atuais.

Com um declínio gradual na qualidade do domínio otomano, o país todo foi muito negligenciado. Ao final do século XVIII, grande parte da Terra de Israel pertencia a proprietários ausentes, sendo arrendadas a agricultores empobrecidos, e a tributação era altíssima e arbitrária. As grandes florestas da Galileia e do monte Carmel foram desmatadas; pântanos e desertos invadiam as terras agrícolas.

Durante o século XIX, o atraso medieval foi, aos poucos, substituído pelos primeiros sinais de progresso, com várias potências ocidentais procurando uma posição dominante, muitas vezes por meio de atividades missionárias. Estudiosos britânicos, franceses e americanos iniciaram estudos de arqueologia bíblica; a Grã-Bretanha, a França, a Rússia, a Áustria e os Estados Unidos abriram consulados em Jerusalém. Navios a vapor passaram a ter rotas constantes de e para a Europa; conexões postais e telegráficas foram instaladas; a primeira estrada ligando Jerusalém a Jaffa foi construída. O renascimento do país como ponto de encontro comercial de três continentes foi acelerado pela abertura do Canal de Suez.

Consequentemente, a situação dos judeus do país foi melhorando e seu número aumentou substancialmente. Na metade do século, a superpopulação no interior das muralhas de Jerusalém levou os judeus a construírem o primeiro bairro fora das muralhas (1860) e, nos vinte e cinco anos seguintes, adicionaram mais sete, formando o núcleo da nova cidade. Em 1870, Jerusalém tinha uma maioria absoluta judia. Terras para a agricultura foram compradas em todo o país; novos assentamentos rurais foram estabelecidos; a língua hebraica, há muito restrita à liturgia e à literatura, foi reavivada. Era o estágio ideal para o início do movimento sionista.

O Sionismo

O sionismo, o movimento de libertação nacional do povo judeu, recebeu este nome a partir da palavra “Sião”, sinônimo tradicional de Jerusalém e da Terra de Israel. A ideia do sionismo – a redenção do povo judeu em sua pátria ancestral – está enraizado na contínua saudade e profunda ligação à Terra de Israel, que é uma parte inerente da existência judaica na Diáspora através dos séculos.

O sionismo político surgiu em resposta à contínua opressão e perseguição de judeus na Europa Oriental e à desilusão com a emancipação na Europa Ocidental, que não pusera fim à discriminação nem levara à integração dos judeus nas sociedades locais. Sua expressão foi formalizada no estabelecimento da Organização Sionista (1897), durante o Primeiro Congresso Sionista, reunido por Theodor Herzl em Basileia, Suíça. O programa do movimento sionista continha elementos ideológicos e práticos para o incentivo do retorno dos judeus à Terra de Israel, facilitando o renascimento social, cultural, econômico e político da vida nacional judaica e procurando também alcançar um lar reconhecido internacionalmente e legalmente garantido para o povo judeu em sua pátria histórica, onde não fossem perseguidos e pudessem desenvolver suas próprias vidas e identidade.

Primeiro Congresso Sionista, realizado em Basel, Suíça em 1897

Inspirados pela ideologia sionista, dois grandes fluxos de judeus da Europa Oriental chegaram ao país no final do século XIX e início do século XX. Determinados a restaurar sua pátria pelo cultivo do solo, esses pioneiros recuperaram campos estéreis, construíram novos assentamentos e formaram a base para o que se tornaria uma próspera economia agrícola.

Os recém-chegados enfrentaram condições extremamente difíceis: a postura da administração otomana era hostil e opressiva; comunicações e transporte eram rudimentares e pouco seguros; nos pântanos havia a mortal malária; e o solo sofrera séculos de negligência.

A aquisição de terras era restrita, e a construção foi proibida sem uma licença especial, que só podia ser obtida em Istambul. Embora essas dificuldades tenham dificultado o desenvolvimento do país, não o impediram. Com o início da I Guerra Mundial (1914), a população judaica na Terra de Israel era de 85.000, em comparação com os 5.000 do início do século XVI.

Em dezembro de 1917, forças britânicas, sob o comando do General Allenby, invadiram Jerusalém, terminando 400 anos de domínio otomano. A Legião Judaica, com três batalhões formados por milhares de voluntários judeus, era uma unidade essencial do exército britânico.

Domínio britânico (1918 a 1948)

Em julho de 1922, a Liga das Nações concedeu à Grã-Bretanha o Mandato sobre a Palestina (nome pelo qual o país era então conhecido). Reconhecendo a ligação histórica do povo judeu com a Palestina, foi solicitado à Grã-Bretanha que facilitasse o estabelecimento de um lar nacional judaico na Palestina e em Eretz Israel (Terra de Israel). Dois meses depois, em setembro de 1922, o Conselho da Liga das Nações e a Grã-Bretanha decidiram que as condições para a criação de um lar nacional judaico não valeriam para a região leste do rio Jordão, que constituía três quartos do território incluído no Mandato e que acabou por se tornar o Reino Hachemita da Jordânia.

Imigração

Motivados pelo sionismo e incentivados pela empatia britânica com as aspirações judaicas sionistas, conforme comunicado pelo secretário de Relações Exteriores Lord Balfour (1917), sucessivos grupos de imigrantes chegaram ao país, entre 1919 e 1939, cada um contribuindo para diferentes aspectos do desenvolvimento da comunidade judaica. Cerca de 35.000 judeus chegaram entre 1919 e 1923, principalmente da Rússia, e influenciaram muito o caráter e organização da comunidade durante anos.

Esses pioneiros estabeleceram os alicerces de uma infraestrutura social e econômica abrangente, desenvolveram a agricultura, instalaram formas comunitárias cooperativas e únicas de assentamentos rurais – kibutz e moshav – e forneceram a mão de obra para a construção de casas e estradas.

A onda seguinte, com aproximadamente 60.000 judeus, que vieram principalmente da Polônia entre 1924 e 1932, foi fundamental para o desenvolvimento e enriquecimento da vida urbana. Esses imigrantes se estabeleceram principalmente em Tel Aviv, Haifa e Jerusalém, onde abriram pequenos negócios, empresas de construção e indústrias leves. A última grande onda de imigração antes da II Guerra Mundial, que incluiu aproximadamente 165 mil judeus, ocorreu na década de 1930, após a ascensão de Hitler ao poder na Alemanha. Os recém-chegados, muitos dos quais eram profissionais e acadêmicos, constituíram o primeiro grande grupo de imigrantes da Europa Ocidental e Central. Sua educação, habilidades e experiência aumentaram o padrão dos negócios, refinaram as condições urbanas e rurais, e ampliaram a vida cultural da comunidade.

Administração

As autoridades britânicas concederam às comunidades judaica e árabe o direito de administrarem seus próprios assuntos internos. Utilizando esse direito, a comunidade judaica, conhecida como Yishuv, elegeu (em 1920) um órgão auto governante com base em representação partidária, que se reunia anualmente para analisar suas atividades e eleger o Conselho Nacional (Va’ad Leumi) para implantar suas políticas e programas. Financiados por recursos locais e fundos angariados pelo judaísmo mundial, uma rede nacional de serviços educacionais, religiosos, sociais e de saúde foi desenvolvida e mantida. Em 1922, conforme estipulado no Mandato, uma “agência judaica” foi constituída para representar o povo judeu diante das autoridades britânicas, governos estrangeiros e organizações internacionais.

Desenvolvimento econômico

Durante as três décadas do Mandato, a agricultura foi desenvolvida; fábricas foram estabelecidas; novas estradas foram construídas em todo o país; as águas do rio Jordão foram represadas para a produção de energia elétrica; e o potencial mineral do Mar Morto foi aproveitado.

A Histadrut (Federação Geral do Trabalho) foi fundada (1920) para apoiar o bem-estar dos trabalhadores e criar empregos por meio do estabelecimento de empresas cooperativas no setor industrial, assim como serviços de marketing para as colônias agrícolas.

David Ben-Gurion se dirige aos membros do Histadrut em setembro de 1924.

Cultura

Dia após dia, surgia uma vida cultural que se tornaria exclusiva para a comunidade judaica na Terra de Israel. Arte, música, e dança se desenvolveram gradualmente com a criação de escolas e estúdios profissionais. Galerias e salas forneceram espaços para exposições e espetáculos, frequentados por um público exigente. A abertura de uma nova peça, o lançamento de um novo livro, ou uma exposição retrospectiva de um pintor local eram imediatamente cobertos pela imprensa e tornaram-se objetos de animados debates em cafés e reuniões sociais.

A língua hebraica foi reconhecida como língua oficial do país, juntamente com o inglês e o árabe, e passou a ser usada em documentos, moedas e selos, assim como em programas de rádio. O mercado editorial aumentou, e o país surgiu como centro mundial de atividade literária em hebraico. Teatros de vários gêneros abriram suas portas para o público, juntamente com tentativas iniciais de escrever peças originais em hebraico.

Oposição árabe e restrições britânicas

O renascimento nacional judaico e o empenho da comunidade para reconstruir o país encontraram fortes oposições por parte dos nacionalistas árabes. Seu ressentimento explodiu em períodos de intensa violência (1920, 1921, 1929, 1936 a 1939), quando ataques não provocados foram lançados contra a população judaica, incluindo o Massacre de Hebron de 1929, o assédio no transporte judaico, e a queima de campos e florestas.

Sinagoga destruída durante o Massacre de Hebron

Tentativas de diálogo com os árabes, realizadas no início do movimento sionista, foram infrutíferas, polarizando o sionismo e o nacionalismo árabe em uma situação potencialmente explosiva. Reconhecendo os objetivos opostos dos dois movimentos nacionais, a Grã-Bretanha recomendou (1937) a divisão do país em dois Estados, um judeu e outro árabe, ligados por uma união econômica. A liderança judaica aceitou a ideia da divisão e permitiu que a agência judaica negociasse com o governo britânico para reformular os diversos aspectos da proposta. Os árabes foram intransigentemente contra qualquer plano de divisão.

A continuação de grandes ataques árabes antissemitas levou a Grã-Bretanha (em maio de 1939) à emissão de um Livro Branco, impondo restrições drásticas sobre a imigração judaica, apesar de, consequentemente, negar a judeus europeus um refúgio da perseguição nazista.

O início da II Guerra Mundial pouco depois levou David Ben-Gurion, posteriormente o primeiro primeiro-ministro de Israel, a declarar: vamos lutar na guerra como se não houvesse Livro Branco, e contra o Livro Branco como se não houvesse guerra.

Três movimentos clandestinos judeus ocorreram durante o período do Mandato Britânico. O maior deles foi a Haganah, fundada em 1920 pela comunidade judaica como uma milícia de defesa para a segurança da população judaica. A partir de meados dos anos 1930, o movimento também foi responsável por retaliações após os ataques árabes e respostas às restrições britânicas à imigração judaica com demonstrações e sabotagem em massa. O Etzel, organizado em 1931, rejeitou o autocontrole da Haganah e iniciou ações independentes contra alvos árabes e britânicos. O menor e mais militante dos grupos, o Lehi, foi criado em 1940. As três organizações foram dissolvidas com o estabelecimento das Forças de Defesa de Israel em junho de 1948.

Holocausto

Durante a 2ª Guerra Mundial (1939 a 1945), o regime nazista executou um deliberado e sistemático plano para liquidar a comunidade judaica da Europa. Nesse período, aproximadamente seis milhões de judeus, incluindo um milhão e meio de crianças, foram assassinados. À medida que os exércitos nazistas varriam a Europa, os judeus eram selvagemente perseguidos, submetidos a tortura e humilhação, e levados para guetos, onde tentativas de resistência armada causaram medidas ainda mais duras.

A partir dos guetos, eles eram transportados para campos de concentração, onde alguns, com mais sorte, eram submetidos a trabalhos forçados, mas a maioria era executada em massa por meio de tiros ou câmaras de gás. Muitos não conseguiram escapar. Alguns fugiram para outros países, alguns se juntaram aos guerrilheiros, e outros foram escondidos por não judeus, que arriscaram suas próprias vidas ao fazerem isso.
Consequentemente, apenas um terço dos judeus sobreviveu, incluindo aqueles que haviam deixado a Europa antes da guerra, de uma população de quase nove milhões, que outrora constituía a maior e mais vibrante comunidade judaica do mundo.

Após a guerra, a oposição árabe levou os britânicos a intensificar suas restrições sobre o número de judeus com permissão para entrar e se estabelecer no país. A comunidade judaica reagiu, instituindo uma ampla rede de imigração ilegal para resgatar sobreviventes do Holocausto. Entre 1945 e 1948, aproximadamente 85.000 judeus foram trazidos à Terra de Israel secretamente, por rotas muitas vezes perigosas, apesar do bloqueio naval britânico e patrulhas de fronteira preparadas para interceptar refugiados antes de chegarem ao país. Aqueles capturados foram internados em campos de detenção na ilha de Chipre, ou forçados a retornar para a Europa.

A independência

A incapacidade da Grã-Bretanha de conciliar as exigências opostas das comunidades judaica e árabe levou o governo britânico a pedir que a “Questão da Palestina” fosse inscrita na agenda da Assembleia Geral das Nações Unidas (em abril de 1947). Como resultado, uma comissão especial foi constituída para elaborar propostas sobre o futuro do país. Assim, a Resolução 181 de 29 de novembro de 1947, da ONU, na qual a Assembleia Geral, presidida pelo brasileiro Osvaldo Aranha, resolveu, por 33 votos a 13, pôr fim ao mandato britânico sobre a Palestina (Eretz Israel) e lá estabelecer dois Estados, um judeu e um árabe.

David Ben Gurion faz a leitura da Declaração da Independência em 14 de maio de 1948, no Museu de Tel Aviv.

A comunidade judaica aceitou o plano, mas os árabes o rejeitaram.

Quando o mandato britânico chegou ao fim, a população judaica na Terra chegava a 650 mil pessoas, formando uma comunidade organizada com instituições políticas, sociais e econômicas bem desenvolvidas – de fato, uma Nação e Estado em todos os sentidos, exceto no nome.

Após a votação da ONU, em 14 de maio de 1948, Israel proclamou sua independência. Os militantes árabes locais, juntamente com os exércitos normais do Egito, Jordânia, Síria, Líbano e Iraque lançaram violentos ataques contra a comunidade judaica, tentando frustrar a resolução da divisão e impedir o estabelecimento de um Estado judeu e forçando Israel a defender a soberania que acabara de reconquistar em sua pátria ancestral.

Mas as organizações de defesa judaicas expulsaram a maioria das forças de ataque, tomando conta de toda a área alocada para o Estado judeu.

Em 11 de maio de 1949, Israel tornou-se o 59º membro das Nações Unidas.

Plano de Partilha da ONU de 1947