As autoridades da China decidiram que os aplicativos da Bíblia e contas públicas do Christian WeChat seriam removidos neste último sábado (1). Também foram incluídos nesta medida as contas do Gospel League e Life Quarterly que pertencem à empresa.

Quando tentavam de acessar, a mensagem que aparecia para os usuários era de que o recurso violava as “Provisões de gerenciamento de serviços de informações de contas públicas para usuários da Internet”, portanto, a conta “foi bloqueada e suspensa”.

O que preocupa ainda mais os cristãos é o fato de que as Bíblias impressas não estão mais disponíveis para venda e compra online no país. Com os aplicativos removidos do App Store na China, só é possível baixá-los usando uma VPN (uma rede virtual privada).

Esse tipo de ação, vista como repressão religiosa, vem acontecendo há anos durante o governo de Xi Jinping. Segundo informações do The Christian Post, até mesmo as livrarias de igrejas licenciadas pelo Estado, começaram a vender obras que enaltecem a figura do presidente e sua ideologia.

A igreja Católica na China, que é coordenada pelo Estado, também sofre com os novos regulamentos sobre religião no país. No capítulo III do Artigo 16, é previsto que os bispos católicos devem ser aprovados e ordenados pela Conferência dos Bispos Católicos Chineses (sancionada pelo governo).

Divulgados em fevereiro pela Administração do Estado para Assuntos Religiosos, as instruções entraram em vigor no sábado. No Artigo 3 do regulamento é especificado que a liderança do partido comunista precisa ser apoiada pelo clero. Já o Artigo 12 declara que a igreja não deve “colocar em risco a segurança nacional” ou “ser dominado pelas forças estrangeiras”, de acordo com o portal de notícias The Christian Post.

Em 2018, um acordo entre a China e o Vaticano permitiu que as autoridades chinesas proponham novos bispos ao órgão católico por meio de sua Associação Católica Patriótica Chinesa, também aprovada pelo Estado. O acordo, que foi renovado no ano passado, estabelece que o papa tem poder de veto na decisão. A intenção, na época, era promover a unidade entre os cerca de 10 milhões a 12 milhões de praticantes da religião na China, segundo o Vaticano.