Os conflitos entre Israel e a Palestina nas últimas semanas deixaram consequências que foram além das fronteiras entre os territórios. A desinformação disseminada no mundo inteiro durante e após a disputa fez com que o antissemitismo crescesse em 80% nos EUA neste mês de maio.

A informação é da Secure Community Network (SCN), uma organização oficial de segurança e proteção da comunidade judaica na América do Norte, de acordo com o portal The Times Of Israel.

“Estamos vendo um claro aumento nos apelos à violência contra a comunidade judaica e o número de ataques realmente aumentou. Muitas das pessoas que estão espalhando desinformação podem estar ligadas às tropas antissemitas”, suspeita Michael Masters que é CEO da SCN.

Enquanto o mundo acompanhava as trocas de mísseis entre os países que durou 11 dias, milhões de judeus em solo americano estavam sofrendo com agressões e ameaças por antissemitas.

“Atos de vandalismo de Oregon a Virgínia, profanações de sinagogas de Illinois a Arizona, relatos de pessoas tendo garrafas jogadas nelas, parques infantis sendo pintados com suásticas em Nova York e Tennessee”, foram alguns dos relatos descritos por Michael.

Além dos crimes de forma presencial, o preconceito também teve um salto no ambiente virtual. Ataques associando os judeus e seu país ao coronavírus aconteceram de forma intensa nas redes sociais. “Uma hashtag que deve ter vindo do Irã: #COVID1948, usava a fundação de Israel para identificar Israel como um vírus mortal”, informou o CEO da SCN.

A declaração de Michael é confirmada pelos dados da agência Network Contagion Research Institute (Rede Instituto de Pesquisa de Contágio), que registrou um uso massivo da hashtag ainda no início dos confrontos, em 12 de maio.

As demonstrações de ódio foram ainda mais longe. Frases como “Hitler estava certo” e “Matem todos os judeus” foram rastreadas nas redes sociais devido ao pico do uso delas.

O apoio dos grupos pró-Israel em Nova York

A cidade de Nova York também foi palco de conflitos entre os rivais do Oriente Médio. Na última quinta-feira (20), grupos pró-Israel e pró-Palestina se econtraram e diversos judeus foram agredidos nas ruas.

Com o aumento de notícias sobre antissemistismo, o alívio veio neste domingo, dia 23, que foi marcado pelo cessar-fogo entre Israel e o Hamas. Além do mais, centenas de pessoas se reuniram na cidade americana em passeata favorável ao povo da Terra Santa. O evento foi organizado pelo Conselho Israelense-Americano e outras instituições pró-Israel em Manhattan. 

“Não aceitamos qualquer tipo de terror, nem em Nova York, nem em Israel, nem em lugar nenhum do mundo”, discursou Tal Shuster, um dos organizadores da manifestação.

Muitos judeus evitaram usar vestimentas com símbolos que os associavam ao país para não serem retaliados enquanto se dirigiam ao comício. Outros, porém, disseram ao The Times Of Israel que não quiseram retirar seus kipás ou joias com estrelas de Davi.

“Quero mostrar ao mundo que a nação judaica é forte e não desistirá. Vou mostrar que posso andar com um kipá e não preciso ter medo”, disse Gershon Abergel, um israelense que vive em Nova York há 18 anos e que estava no ato de protesto.

Entre os palestrantes estava Elisha Wiesel, filho de Elie Wiesel (um sobrevivente do Holocausto e ganhador do Prêmio Nobel da Paz de 1986) que criticou as intensas e constantes provocações entre os grupos.

“Tanto israelenses quanto palestinos merecem uma vida muito melhor”, concluiu Wiesel em sua fala.