O fim do ano chegou e, com ele, reacende-se a conversa em torno de superstições comuns ao brasileiro, povo com predisposição à credulidade, seja ela voltada para as questões certas ou não.

Comer lentilhas para trazer boas energias. Usar roupas brancas na virada para ter um ano de paz (ou outras cores com outros objetivos). Pular sete ondas ou comer romã e guardar as sementes na carteira, enfim. São várias as opções, e tem “para todos os gostos”.

roupas brancas

Muitas dessas “tradições” que, aos poucos, vão se sedimentando de maneira irreversível no imaginário nacional, têm origem nas mais diversas crenças e religiões:

Não se pode comer mais do que sete sementes de romã, afinal, elas representam os sete “chacras” espirituais. O ato de pular as sete ondas tem origem na Grécia antiga, onde o povo acreditava que o mar tem poder e espiritualidade, renovando as energias de quem entra nele. Vestimentas brancas como símbolo de paz e purificação têm sua origem em antigos rituais africanos, enfim.

Muito provavelmente você já praticou – ou até pratica – algumas dessas atividades todos os anos, e é importante ter informações para poder basear suas escolhas nos próximos que virão.

Superstição é um tipo de fé

O dicionário define superstição como “um tipo de crença ou noção sem base na razão ou no conhecimento” e “crença em presságios e sinais”. Ou seja, um tipo de fé, que, de acordo com a Bíblia, trata-se da “certeza daquilo que esperamos e a prova das coisas que não vemos” ( Hebreus 11:1).

Conforme demonstrado, a maioria das crenças de fim de ano tem algum tipo de base religiosa. Algumas delas, inclusive, são chamadas de “simpatias”, que podem ser definidas como um tipo de “magia” ou “feitiçaria” que serviriam para a obtenção de vantagens pessoais em diferentes áreas: relacional, financeira, profissional, etc.

Com esse histórico apresentado, chegamos à pergunta principal: é problema comer lentilhas no jantar de Réveillon? Não necessariamente.

superstições pecado lentilha

O coração do problema humano é o problema do coração humano.

A frase que abre este trecho, do pastor, teólogo e autor britânico John Stott, resume bem a questão. O pecado não reside na atividade: você pode pular quantas ondas quiser, desde que isso não seja uma atividade que tenha como objetivo algo além de diversão ou exercícios físicos. A questão primordial é: onde seu coração está nesta história?

Jesus, em Mateus 15, rebate mais uma atitude hipócrita de escribas e fariseus que criticavam os discípulos por não lavarem as mãos antes de comer, em reprimendas que nada tinham a ver com higiene, e sim, com a religiosidade oca de seus corações:

“O que sai da boca, procede do coração, e isso contamina o homem. Porque do coração procedem os maus pensamentos, mortes, adultérios, fornicação, furtos, falsos testemunhos e blasfêmias” (versos 18 e 19).

No fim das contas, o importante é que o seu coração esteja no lugar correto. A vestimenta escolhida é branca porque é bonita para o “look” ou porque irá “atrair paz para o restante do ano”? 

Paz, prosperidade, saúde e todos os outros tipos de bênçãos nós só encontramos em Jesus. A prerrogativa é Dele, e ela não pode ser dividida. “Ninguém pode servir a dois senhores; porque ou há de odiar um e amar o outro, ou se dedicará a um e desprezará o outro” (Mateus 6:24).

Em quem está a sua confiança?

Portanto, irmãos, é uma questão de confiança. Uma disputa em seu coração que irá selar quem é o verdadeiro dono do espaço. Agir de forma supersticiosa é o verdadeiro pecado desta equação. Então coma, sim, lentilhas, vista branco e divirta-se no mar, se tiver a oportunidade, mas assegure-se de se lembrar que nenhuma dessas coisas tem poder para nada. 

Só Jesus é Senhor. Tome posse disso e todas as superstições perderão todo o sentido. 

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