Hoje continuarei falando sobre as birras. Na coluna do mês passado, falamos que as birras são consideradas como uma fase do desenvolvimento normal da criança e que acontecem pelo fato do cérebro das crianças ainda não serem totalmente desenvolvidos. Se você não leu a coluna anterior, sugiro que leia antes de continuar esse texto. Vou trazer para vocês o que fazer nesses momentos de birra. Não é uma tarefa fácil intervir e nem mesmo nos controlar como adultos, mas precisamos aprender como lidar nessa situação.

As birras não podem ser evitadas, mas podem ser contornadas. Quando a birra começa, não adianta argumentar e chamar essa criança à razão. Não se deve castigá-la pela birra, fazer o que a criança quer, nem tampouco recompensá-la. Ceder ou recompensar só vai aumentar a frequência e a intensidade das birras. Vimos que nesse momento ela está sendo dominada pelas suas emoções e, por isso, devemos abordá-las de uma forma emocional. Se abaixe para ficar na altura da criança, abrace-a, use expressões de empatia, um tom de voz carinhoso e ajude essa criança a nomear os sentimentos que a estão dominando no momento.

É importante validar os sentimentos da criança e não desprezá-los. Não podemos dizer: “Isso não é motivo pra chorar” ou “Engole esse choro”. Diga frases como: “Eu entendo que você está chorando, pois não quer tomar banho. Às vezes não queremos parar de fazer o que gostamos”.

Depois disso, tente mudar o foco da situação propondo outra coisa interessante, como: “Vamos escolher um brinquedo bem legal para brincarmos no banheiro?” Especialistas já dizem, que a melhor forma de driblar a birra é redirecionar a atenção da criança para outra coisa.

Além disso, sabemos que a palavra “NÃO” pode ser como jogar álcool no fogo. Tente não usá-la nos momentos de birra, mas sempre tente mudar o foco do motivo da birra. Se a criança bater, ou fazer algo que a machuque você deve contê-la.

Algo muito usado é o cantinho do pensamento, porém já sabemos que colocar a criança para ficar sozinha e pensar, neste momento, não funciona. Podemos separar um cantinho da calma, um lugar tranquilo com objetos que a criança goste. Nesse cantinho, ajudar a criança a respirar fundo, se acalmar, para depois conversarem sobre o que fazer.

Uma outra estratégia muito interessante para ajudar nesses momentos é colocar a criança para correr e se exercitar, pois o exercício altera a química cerebral, reduzindo os hormônios do estresse.
Eu sou mãe de uma criança na fase da birra, e sei bem que esses momentos podem ser bem complicados e a criança resistente. Porém, aprendi que isso é um exercício da parte dos pais e também da percepção da criança sobre as nossas reações tranquilas ou desequilibradas.

Quando praticamos reações tranquilas e positivas, a criança vai reagindo melhor nesses momentos de birra. Nos casos de crianças que têm uma patologia de base, é necessário acompanhamento médico e até mesmo terapêutico para ajudar nesses momentos de birra.

Lembre-se que essa fase faz parte do desenvolvimento e hoje, temos muitas ferramentas para aprender como lidar com isso.

Respire fundo, é uma fase e vai passar. Até que venham outras fases, pois crescer é um desafio para a criança e para quem cuida dela.

Fontes:
GOUVEIA, R. As birras na criança. Rev Port Clin Geral 2009;25:702-5.