Os diversos ovos de chocolate espalhados pelo mercado não negam: está chegando o período da Páscoa. Para o incômodo dos cristãos, porém, um período que deveria ser de comemoração e lembrança acaba restrito, para muita gente, a apenas essa troca de doces.

Tradição da cultura alemã que foi se “desenvolvendo” com o tempo, o coelhinho que esconde ovos enfeitados para que as crianças possam procurar, nem de longe é a estrela real desta época do ano, carregada de importante significado para o povo de Deus.

Para reforçar a verdadeira mensagem desta época do calendário, a Revista Cristã busca retornar às origens para que a igreja tenha substância para reforçar os ensinos reais do período, começando com a origem da Páscoa e seu significado para o povo de Israel antes da vinda de Cristo.

Uma ode à libertação

Somos apresentados à primeira Páscoa no livro de Êxodo, capítulo 12. O contexto não era de festa (ainda): após 400 anos de escravidão de Israel no Egito, Deus já havia levantado Moisés e Arão para confrontar a Faraó e transmitir a ordem para que deixasse o Seu povo ir. 

Como é sabido, Faraó não aceita os termos, e Deus, então, envia as pragas que se abateram sobre a terra egípcia e seus nativos. 

Especificamente na noite em que a décima praga atingiu todos os primogênitos das famílias egípcias, havia uma orientação ao povo de Israel para que passassem o sangue de um cordeiro nas portas das casas (v.7). Este seria o sinal de que ali vivia uma família pertencente ao povo de Deus e que não sofreria os efeitos da maldição que circulou pela terra naquela noite.

páscoa - homem passando sangue na porta

A carne deste cordeiro deveria ser comida junto a pães asmos e ervas amargas, e todos deveriam estar com vestimentas próprias para partir (v.11). 

Mas, o que essa história tem a ver com a Páscoa? Na sequência do texto, Deus ordena que o povo deveria celebrar este dia como um memorial e dá orientações. Mas não é apenas isso.

A Passagem e seus simbolismos

Páscoa, em hebraico, vem do termo pessach, que significa “passar por cima”, “passar sobre” ou, simplesmente, “passagem”. Esta data é inserida por Deus no calendário Judeu para que o povo se lembre de que foi resgatado pelo Senhor de seu exílio.

“E acontecerá que, quando entrardes na terra que o Senhor vos dará, como tem dito, guardareis este culto. E acontecerá que, quando vossos filhos vos disserem: Que culto é este vosso? Então, direis: Este é o sacrifício da Páscoa ao Senhor, que passou as casas dos filhos de Israel no Egito, quando feriu aos egípcios e livrou as nossas casas. Então, o povo inclinou-se e adorou”, (v. 25 a 27)

A história da primeira Páscoa, aliás, é recheada de simbolismos importantes:

  • O sangue do cordeiro nas portas remete ao sacrifício de Cristo, que ainda viria muitas gerações depois, mas era desde sempre anunciado por Deus em prol da libertação dos nossos pecados;
  • Os pães asmos, ou pães sem fermento, são a representação da pressa com que o povo saiu do Egito;
  • As ervas amargas, uma lembrança dos 400 duros anos que o povo viveu como escravo em terras estrangeiras;
  • As vestimentas, como dito anteriormente, é um memorial de que eles tiveram que estar preparados para se movimentar rapidamente no final.

páscoa - pão asmo com ervas amargas

O amargo pelo doce

Perceba agora, pois, a ironia da coisa. Deus orienta explicitamente que o povo consumisse ervas amargas para nunca se esquecer daqueles momentos terríveis que passou (e que seus antepassados vivenciaram). 

Nós, por outro lado, acabamos por substituir o amargor da lembrança pelo doce do chocolate. Nada contra a iguaria nem contra o conceito de dar e receber presentes nessa época. Mas não deixa de ser algo notável o quanto a nossa sociedade se afastou do conceito inicial apregoado e defendido pela Bíblia.

ovos de páscoa

O Deus que liberta é o mesmo Deus que faz questão que as pessoas se lembrem de quem fez a obra, entretanto, temos a tendência, assim como aconteceu com o povo de Israel, de nos esquecermos rapidamente do mal que vivemos e do bem que nos é feito. 

Por isso é tão importante defendermos a manutenção da verdadeira mensagem por trás de tradições como o feriado da Páscoa.

O prenúncio do messias

A história da Páscoa, contada resumidamente neste relato, não acaba aqui.

A salvação daqueles que estavam protegidos pelo sangue do cordeiro imaculado já era um prenúncio de algo que aconteceria, também em uma época de Páscoa, várias gerações depois: o sacrifício de Jesus. 

Confira, no próximo texto, o que o calvário do Senhor acrescentou à celebração da Páscoa.