O livro de Êxodo capítulo 12 versículos 11 a 13 diz assim, “Ao comerem, estejam prontos para sair: cinto no lugar, sandálias nos pés e cajado na mão. Comam apressadamente. Esta é a Páscoa do Senhor. Naquela mesma noite passarei pelo Egito e matarei todos os primogênitos, tanto dos homens como dos animais, e executarei juízo sobre todos os deuses do Egito. Eu sou o Senhor! O sangue será um sinal para indicar as casas em que vocês estiverem; quando eu vir o sangue, passarei adiante. A praga de destruição não os atingirá quando eu ferir o Egito”.

Hoje, vemos a celebração da páscoa como a festa do chocolate, onde tudo que pensamos e desejamos é um ovo de páscoa, bem recheado de preferência. É uma festa que, no meio cristão, só perde para as comemorações do Natal.

Apesar de ser uma festa comemorada por cristãos em todo o mundo, existe uma concepção muito errônea do que ela realmente significa, muitas percepções equivocadas dessa celebração e, por isso, vamos esclarecer alguns pontos aqui.

e, é uma festa judaica. Seu nome, páscoa, vem da palavra hebraica pessach, que significa passar por cima, e é uma referência ao episódio narrado em Êxodo, no Antigo Testamento, quando o anjo da morte passou por cima da casa dos judeus no Egito, livrando-os da condenação à morte executada contra todos os primogênitos egípcios.

Segundo a orientação dada por Deus à Moisés e Arão, os israelitas tinham que sacrificar um cordeiro e aspergir o sangue dele nos umbrais e soleira da porta, assim, quando o anjo da morte passasse e visse o sangue, não entraria na casa de nenhum judeu e não levaria os seus primogênitos. Naquela mesma noite, os israelitas saíram livres do Egito, depois de mais de 400 anos de escravidão.

Como lemos no texto bíblico, Deus instituiu assim a páscoa como memorial desse evento. A orientação dada foi celebrar anualmente e eternamente a páscoa e a festa se tornou a mais importante do calendário judaico. Outra orientação dada por Deus ao povo foi que, além de sacrificar um cordeiro macho, de um ano de idade, sem defeito, também comessem ervas amargas e pães sem fermento.

 

Nós vivemos no mundo, mas não somos desse mundo, por isso precisamos ter sempre a luz da Palavra nos conduzindo.

 

Então, como chegamos à páscoa atual, e como ela se tornou uma comemoração cristã? Jesus foi traído, preso e morto durante a celebração da festa da páscoa em Jerusalém, e a ressurreição Dele aconteceu no domingo, de manhã cedo, após o sábado pascoal. E como sua morte, certamente, aconteceu na sexta-feira – mesmo que algumas pessoas defendam que ele morreu na manhã da quarta-feira, dentre muitas discussões, a sexta-feira da paixão entrou no calendário litúrgico cristão, durante a idade média, como um dia santo.

Antes de ser traído, Jesus estava celebrando a páscoa como todos os demais judeus, e assim, Ele estava comendo o cordeiro pascal com Seus discípulos em Jerusalém. Como está escrito em I Coríntios 11:23 a 30, Jesus determinou que os discípulos não mais comessem o cordeiro pascal, e sim, passassem a comer o pão e tomar o vinho em memória Dele. Esses elementos iriam simbolizar Seu corpo e Seu sangue, que seriam dados pelos pecados de muitos.

Essa era uma referência antecipada de Jesus à Sua morte na cruz e, nessa noite, Jesus instituiu a Ceia do Senhor substituindo a páscoa, festa judaica da antiga aliança.

Para nós, a páscoa simboliza a nova aliança, o sacrifício de Jesus, o cordeiro de Deus, cujo sangue impede que o anjo da morte nos destrua eternamente.

Desde então nós, cristãos, comemos o pão e bebemos o cálice em memória de Cristo e isso não somente um uma época do ano, mas durante o ano todo. Se pudéssemos escolher, nosso dia santo seria o domingo, pois foi nesse dia que Jesus ressuscitou.

A morte de Jesus aconteceu durante a semana da páscoa em Jerusalém, e sua ressurreição, no domingo pela manhã. Se Ele não tivesse ressuscitado, Sua morte teria sido em vão e quando Ele ressuscita com o corpo com o qual havia morrido, comprova que era o Filho de Deus, e que Sua morte tem o poder de perdoar os pecados dos que nEle creem.

Essa é a origem da páscoa e foi assim que ela entrou no cristianismo, sendo substituída por Jesus pelo pão e pelo vinho e comemorada regularmente aos domingos. Ou seja, nada de ovos, musiquinhas e outros apetrechos populares, que foram acrescentados à páscoa pela crendice, por superstições do povo. Isso não tem nada a ver com o real significado da páscoa judaica.

Muitos tentam inserir o coelhinho, porque significa vitalidade e fertilidade, mas isso é sincretismo, ou seja, é a tentativa de trazer para dentro do cristianismo, práticas pagãs que são aceitas pelo povo e que acabam recebendo algum tipo de simbologia para terem legitimidade. Muitas igrejas acrescentam ao culto cristão, práticas que absolutamente não tem nada a ver com a Palavra de Deus, são apenas práticas supersticiosas.

Muitas vezes, essas superstições acabam impregnando e prejudicando a pureza do culto a Deus, a pureza do cristianismo, por isso, nós devíamos voltar às origens, ao que a Bíblia diz. Essa é nossa única regra de fé e prática. Algumas pessoas, ao invés de somente celebrar a páscoa, acabam trazendo para seus cultos símbolos judeus que estão fora do contexto, como o candelabro, a estrela de Davi, gente se vestindo de rabino, tem até o templo de salomão em São Paulo, a entrada da arca da aliança no culto… contudo essas práticas estão totalmente fora de contexto, pois estamos trazendo símbolos da antiga aliança para dentro do mundo cristão.

Existe um mercantilismo por trás de várias datas comemorativas, e na páscoa não é diferente. Por isso, temos que usar a ocasião para transmitir o verdadeiro sentido da páscoa. Ao chegar a época de celebrar a páscoa, vamos celebrar a ceia do senhor no domingo, aproveitar que as pessoas estão falando sobre o assunto e assim, fazer um sermão explicando o verdadeiro significado da páscoa, o que ela significava e o que significa hoje.

Precisamos viver sempre conforme a palavra de Deus, e ter a Cristo como centro de nossas vidas. Nós vivemos no mundo, mas não somos desse mundo, por isso precisamos ter sempre a luz da Palavra nos conduzindo.

A páscoa simboliza amor, um amor tão grande que se sacrifica como cordeiro mudo, para nos salvar!